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PANDEMIA

Com focos em aldeias e frigoríficos, Dourados vira epicentro de Covid-19

Saúde adota medidas para tentar conter a disseminação da doença em reservas indígenas da região
28/05/2020 09:30 - Thiago Gomes


 

Após o registro de casos do novo coronavírus em aldeias e a partir de frigoríficos da região, Dourados, a 230 quilômetros de Campo Grande, tornou-se o novo epicentro de Covid-19 em Mato Grosso do Sul . Tendo registrado o maior número de confirmações da doença nos últimos três dias, o município já soma 197 casos. Além disso, há, segundo o boletim epidemiológico divulgado nesta quarta-feira, mais 358 casos suspeitos que aguardam fechamento no sistema de informações da Secretaria Estadual de Saúde (SES).

De terça-feira para ontem foram mais 17 novos testes positivos na localidade. Conforme dados da SES, a considerar a taxa de incidência de episódios confirmados, que é contabilizada tomando por base cada grupo de 100 mil habitantes, Dourados, com quase 221 mil habitantes, já tem incidência de 489,9. Guia Lopes da Laguna é a primeira de MS e está entre as primeiras do País, com 2.061,6 (204 casos). Campo Grande registra 262 casos e uma taxa de incidência de 29,2 por 100 mil habitantes.

Somente a chamada região da Grande Dourados – Caarapó, Deodápolis, Douradina, Dourados, Fátima do Sul, Glória de Dourados, Itaporã, Jateí, Nova Alvorada, Rio Brilhante, Vicentina e Juti – soma, segundo o último boletim da Secretaria de Saúde, 345 testes positivos do novo coronavírus.  

INDÍGENAS

A maior preocupação das autoridades de saúde é a população indígena. O primeiro caso de contaminação dentro do grupo no Estado foi de uma trabalhadora de um frigorífico de Dourados. Segundo boletim divulgado pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), no Estado, mas especificamente na região de Dourados e Caarapó, os números duplicaram em 24 horas e passaram de 34 para 74 casos confirmados em indígenas e dois suspeitos. Com a rapidez de contaminações, esse índice é quase a metade do número total de testes positivos na cidade.

Os casos confirmados e suspeitos na região de Dourados estão concentrados nas aldeias da etnia guarani-kaiowá (91%) e menor incidência na tribo terena (9%).  

O secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, disse que são mais ou menos 50 ações de enfrentamento que estão sendo realizadas na região, principalmente com a população indígena, como unidades sentinelas e comitê de enfrentamento, mas grande parte das ações é organizada em conjunto com outras entidades.  

“A preocupação é com todas as cidades de Mato Grosso do Sul, sim, mas principalmente na região de Dourados, nós estamos dialogando. É uma união de esforços entre o governo do Estado com entidades no enfrentamento da Covid-19”, explicou

O governo de MS recebeu a doação de 10 mil máscaras de tecido da Energisa para entrega aos indígenas. A entrega simbólica foi realizada nesta quarta-feira, na Casa de Cursilhos de Dourados, onde também está instalada uma iniciativa de controle da doença que envolve diversas instituições públicas e privadas. Na instituição, estão em quarentena indígenas que testaram positivo para o novo coronavírus. Desde a semana passada, os casos confirmados foram levados para o local para serem monitorados.  

Além das máscaras, o Grupo Energisa tem atuado em outras frentes, como o investimento de R$ 1,5 milhão para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para a produção de testes para diagnóstico de Covid-19 em nível nacional. Diante da disseminação da Covid-19, reunião entre secretários de Governo, prefeitos da região da Grande Dourados e representantes do frigorífico JBS/Seara definiu pela testagem para o novo coronavírus de todos os 4,2 mil funcionários das indústrias.  

Junto a isso, a prefeitura de Dourados começou a instalar barreiras sanitárias na região. A primeira foi montada no final da Avenida Presidente Vargas, antes do trevo da Perimetral Norte, saída para a cidade de Itaporã e que dá acesso também a Maracaju e Guia Lopes da Laguna, onde foram registrados mais de 200 casos de Covid-19.

 
 

Ministério Público do Trabalho acompanha evolução de casos nas plantas frigoríficas

O aumento de casos de Covid-19 entre funcionários de frigoríficos em Mato Grosso do Sul está levando o Ministério Público do Trabalho (MPT) no Estado a um rigoroso acompanhamento do setor, inclusive com a realização de fiscalização por parte da Vigilância Sanitária nas plantas frigoríficas.

De acordo com o MPT, em abril a instituição havia notificado quase 30 indústrias com unidades ativas em Mato Grosso do Sul para que seguissem recomendação específica sobre práticas sanitárias capazes de barrar o contágio e a disseminação do novo coronavírus, tanto em relação aos empregados diretamente contratados quanto aos demais prestadores de serviços internos e externos. Mas os episódios da doença acabaram aparecendo e crescendo a partir de algumas plantas, como a de Guia Lopes da Laguna e de Dourados.

Ainda conforme o Ministério Público do Trabalho, até agora seriam 122 trabalhadores contaminados na unidade da Seara Alimentos (JBS) e 14 na da BRF (fusão entre Sadia e Perdigão), ambas em Dourados; 109 no Frigorífico Brasil Global Agroindustrial, em Guia Lopes da Laguna; e 30 no Frigorífico Franca Comércio de Alimentos, situado em Bonito.

CUIDADOS

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) baixou portaria e instrução normativa estabelecendo os cuidados que frigoríficos devem manter quanto à Covid-19. As regras são obrigatórias e foram elaboradas em conjunto pelos ministérios da Agricultura e da Saúde e a Secretaria de Trabalho e Emprego do Ministério da Economia, com a participação da Procuradoria-Geral do Trabalho. O anúncio foi feito pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, em audiência virtual à Comissão Externa do Coronavírus da Câmara dos Deputados.

Em menos de um mês, é a segunda vez que o governo se dirige ao setor produtivo de proteína animal por causa da pandemia. No dia 11 de maio, o Mapa também publicou o manual com orientações para frigoríficos em razão da pandemia da Covid-19. As 70 medidas descritas no manual são facultativas.

*Colaborou Bruna Aquino

 

Felpuda


Candidato a prefeito em cidade do interior tremeu que só nas bases diante da decisão que tirou a corda do pescoço de adversário, liberando o dito-cujo para disputar a eleição.

Como acreditava que o pleito seria “um passeio”, estava até pensando no modelito que usaria no dia da posse.

Agora, teme nadar, nadar e morrer na beira da praia, deixando o terno pendurado no cabide.