Cidades

Pandemia

Com nova variante, passaporte da vacina volta a ser discutido

Reunião na prefeitura de Campo Grande na manhã desta terça-feira com equipe da saúde definirá medidas

Nélida Navarro

30/11/2021 - 09h00

A discussão sobre a implantação ou não do passaporte sanitário, ou passaporte da vacina contra Covid-19, voltou com a chegada da variante Ômicron, identificada primeiro na África do Sul e que já tem casos espalhados pela Europa. 

A Prefeitura de Campo Grande fará uma reunião nesta terça-feira (30) e um dos pontos a ser debatido é a medida.

De acordo com o prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD), a reunião com toda a equipe de saúde do município será às 9h, no gabinete da prefeitura, nesta terça-feira. 

“Determinei uma reunião amanhã às 10h no gabinete com toda a equipe da saúde do município”, afirmou o gestor ao Correio do Estado.

O prefeito já havia afirmado que em eventos realizados pela prefeitura o passaporte vacinal seria cobrado. 

Ontem, em agenda, Trad informou que para a programação de Natal, que começa a partir do dia 10 de dezembro com show de abertura do ‘Mundo Bita’ e encerramento no dia 26 de dezembro com show da ‘Patrulha Canina’, será exigido a carteira de vacinação contra a Covid-19 para os pais, uso de máscara e distanciamento. 

Apenas mil pessoas poderão participar de cada show.

Além da questão do passaporte, também deve ser discutido uma forma de se ampliar o número de vacinas e fazer com que as pessoas que ainda não retornaram para a segunda dose e que estão com ela em atraso o façam. 

No início do mês, segundo levantamento da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), cerca de 66 mil pessoas estavam com o complemento vacinal atrasado.

Até o final da tarde de ontem (29), Campo Grande tinha 72,8% da população geral que tomou a primeira dose dos imunizantes, enquanto 67,8% já estão imunizados contra a doença, com as duas doses ou a de aplicação única.

Esse número, porém, é abaixo do recomendado por especialistas para se chegar a um patamar mais tranquilo da doença. 

Segundo o médico infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Julio Croda, o ideal é que a cidade tenha mais de 80% da população geral com o esquema vacinal completo, as duas doses ou com a única.

Se for considerado todo o Mato Grosso do Sul, os números são mais animadores, até às 17h30 de ontem, eram 70,6% da população total com as duas doses ou dose única contra a doença, e 81,1% tinha tomado ao menos a primeira dose dos imunizantes (esse número também contabiliza a dose única).

Entretanto a evolução da vacinação, tanto em Campo Grande quanto no resto do Estado, segue em ritmo mais baixo que há alguns meses, mesmo tendo ainda percentual de pessoas a serem vacinadas.

 

INDÚSTRIA

Enquanto no meio político a palavra “passaporte da vacina” causa temor de perda de votos, por causa da possível reprovação do público de extrema direita, na indústria a federação do setor em Mato Grosso do Sul (Fiems) encontrou uma outra forma para nomear o passaporte: selo ouro.  

No Estado, até agora, 44 indústrias estão com todos os seus funcionários totalmente vacinados. 

Um total de 46.227 pessoas estão com o ciclo de imunização completo (segunda dose ou dose única) e outras 48.487 tomaram a primeira dose da vacina.  

Das 44 empresas 29 empresas estão em Campo Grande; duas em Nova Andradina e em Três Lagoas; e uma nas cidades de Anastácio, Bonito, Caarapó, Corumbá, Dourados, Jardim, Juti, Mundo Novo, Naviraí, Ponta Porã e Terenos. 

Todas as empresas receberam o Selo Ouro em formato digital.  

Dessas, sete já receberam o selo em formato físico. A expectativa é que, ainda em novembro, mais 17 selos físicos sejam entregues.

Entre essas empresas está o grupo JBS, um dos maiores empregadores de Mato Grosso do Sul.

 

CAMPANHA

No Estado, a Secretaria de Estado de Educação (SED) e a Secretaria de Estado de Saúde (SES) montaram uma estratégia para contribuir com o crescimento da vacinação entre os adolescentes, já que ainda há 16,6% desse grupo que ainda não tomou nenhuma dose e apenas 51,3% estão com o esquema vacinal completo. 

Isso significa, segundo a saúde, que o Estado ainda tem 53.995 que não tomaram nenhuma vacina e outros 102.603 que não receberam a segunda aplicação.

A iniciativa também é uma forma que o Estado encontrou de ajudar a conter a variante originária da África do Sul e que já tem mais de 50 mutações em relação ao vírus da Covid-19 original.

Segundo a titular da SED, Maria Cecília Amêndola da Motta, o esquema será montado em todas as escolas de Mato Grosso do Sul, tanto as públicas estaduais e municipais, quanto as particulares.

Com o tema “Estudante inteligente confia na ciência, vacine-se”, a secretaria encaminhará material para as escolas públicas e privadas, onde os diretores devem desenvolver atividades que incentivem os alunos a se basear pela ciência.

“As famílias precisam estudar com evidência científica, então nós teremos do dia 29 de novembro ao 6 de dezembro uma campanha que vai ser orientado por área de conhecimento". 

"E que pode culminar de acordo com a criatividade de cada diretor, com música, com poesia, com cartazes, dizendo o que ele estudou e o que evidencia a importância de ele se balizar por evidência científica e nós somos da educação, então isso para mim é muito importante." 

"No dia 7 a gente terá o Dia D, acontecerá minimamente em uma escola estadual de cada município". 

"É uma terça-feira, mas eu sei que os diretores vão dar um jeitinho para levar o estudante para vacinar”, explicou Maria Cecília.

VARIANTE

De acordo com pesquisadores, a variante Ômicron tem cerca de 50 mutações, incluindo mais de 30 na proteína spike, a proteína viral que as vacinas preparam o corpo para reconhecer e atacar. 

Algumas dessas mutações já tinham sido observadas. Acredita-se que algumas tenham potencializado a capacidade da variante Beta de contornar as vacinas, enquanto outras provavelmente turbinaram a extrema contagiosidade da Delta.

O vírus já foi encontrado em alguns países europeus, como Reino Unido e Portugal, além de Austrália, Israel e Hong Kong.

A vairante já é responsável pela maioria dos 2.300 novos casos diários na província de Gauteng, na África do Sul, anunciou o presidente Cyril Ramaphosa no domingo(28). 

Naquela região, as novas infecções mais do que triplicaram na semana passada e a positividade dos testes aumentou de 2% para 9%.

Segundo o pesquisador Julio Croda, pouco se pode dizer ainda sobre a variante, mas há indícios de que ela possa ser mais contagiosa que as outras, já que em pouco tempo se tornou predominante entre os casos positivos na África do Sul.

“A única coisa que a gente sabe, mas ainda não está confirmado, é que provavelmente ela é mais transmissível, porque ela se tornou a variante predominante muito rápido na África do Sul, superando a Delta, e quando uma variante se torna mais predominante é porque ela é mais transmissível". 

"Mas a gente ainda não tem a informação de que as vacinas funcionam, de que quem se contaminou previamente está protegido, não tem nada desses dados". 

"Não sabemos se ela é mais letal ou menos grave, é só informações que não são científicas, que são relatos vindos de diversas fontes, então ainda não tem muitas informações sobre essa variante”, declarou.

Por causa disso, o infectologista reafirma a necessidade das pessoas se imunizarem e, para quem já pode, que busque a terceira dose. 

“Temos que acelerar a segunda dose e dose de reforço para garantir proteção para hospitalização e óbito". 

O passaporte deve ser instituto para aumentar a cobertura vacinal. Nesse cenário de incerteza, quanto maior for a cobertura vacinal, maior a chance de estarmos protegido para as formas graves”. 

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use a fachada da Sesau na capa e mantenha a foto de Papy com Dr. Victor Rocha no meio da reportagem, próximo ao trecho sobre o ofício enviado à Prefeitura. Foto: Arquivo Correio do Estado.

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