Cidades

NA CÂMARA MUNICIPAL

Depois de polêmica, líder de comerciantes do Centro pede empenho por moradores de rua

Em audiência, ideia de internação compulsória é praticamente descartada

RAFAEL RIBEIRO

15/03/2019 - 15h46
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Chamado à Câmara Municipal menos de um mês depois de lançar polêmico abaixo-assiando que propõe a internação compulsória de moradores da rua, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande, Adelaido Luíz Spinosa Vila, parece ter cumprido o objetivo de chamar a atenção para a questão, conforme disse ao Correio do Estado.

Na manhã desta sexta-feira (15), o líder dos comerciantes e ex-presidente do Conselho de Segurança da Região Central foi um dos principais convidados de audiência pública da Comissão Permanente de Saúde da Câmara , onde cobrou dos vereadores e da Prefeitura maior empenho para tratar a questão dos moradores de rua. Em tom mais ameno quando do lançamento do abaixo-assinado.

"Jamais iríamos propor a internação compulsória dos moradores de rua, o que eu gostaria de pedir a todos é que não deixem morrer este assunto, vamos discutir com mais profundidade. A CDL está disponível para ajudar no assistencialismo e profissionalização, auxiliando na busca por um emprego. O que não podemos é ser omisso. Nossa população de rua é refém das drogas, estamos perdendo essas pessoas para o tráfico", disse Vila. 

Além do presidente do CDL, estiveram presentes representantes das secretarias municipais da Assistência Social e Saúde, Polícia Militar e da Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso do Sul, único órgão a divulgar na ocasião nota oficial contrária à proposta de internação compulsória, além de médicos psiquiatras.

"Quantas mães estão sofrendo com a ausência dos filhos, quantas mães sofrem em saber que seu filho é um morador de rua e sofre com a situação de vulnerabilidade que são expostos. Essa audiência, a primeira de muitas que virão, serviu pra discutir o que podemos fazer pelas famílias. Nosso resgate familiar tem que ser discutido todos os dias. Uma pessoa não sai da sua casa do nada, existe algum motivo, e o nosso papel é encontrar meios para ajudar, amparar e dar direcionamento à essas pessoas que vivem em estado de vulnerabilidade", disse a vereadora Enfermeira Cida (Pros), vice-presidente da comissão.

Dentre as propostas apresentadas por Vila durante a audiência pública está a criação de uma Secretaria Municipal Antidroga e da Brigada de Resgate para dar assistência ao morador de rua. Segundo números apresentados, são cerca de 350 deles no centro da Capital. 

Além disso, a CDL propôs parceria com o poder público para a formação profissional e encaminhamento para vagas de emprego para que os cidadãos possam deixar está condição. "O que queremos é combater primeiramente a omissão dos poderes constituídos, a nossa omissão, diante de um problema tão grave. São irmãos que vivem em situação de tamanha crueldade”, comentou o presidente.

População de rua vira alvo fácil de traficantes, na avaliação dos lojistas (Foto:Valdenir Rezende)

DIALÉTICA

Não é a primeira vez que os moradores de rua são assunto na Câmara neste ano.

Em 19 de fevereiro, o vereador Otávio Trad (PTB) se reuniu com o secretário Municipal da Assistência Sociadel, José Mário da Silva, e com coordenador do Centro Pop, Artêmio Miguel Versoza. 

Na ocasião, o secretário e o coordenador do Centro Pop apresentaram dados referentes à população de rua da Capital que permitiram ao vereador elaborar projeto de lei apresentado na sessão ordinária de 21de fevereiro que cria o programa “Juntos Por Uma Nova Oportunidade”.

A proposta tem como objetivo fomentar e garantir a inclusão produtiva da população em situação de rua ou com trajetória de vida nas ruas, no Município de Campo Grande por meio da alocação no trabalho formal; inserção produtiva no âmbito do empreendedorismo e da economia solidária; exercício e desenvolvimento de atividades, capacitação ocupacional e frentes de trabalho nos órgãos e entidades do Poder Executivo Municipal ou em instituições parceiras do Município e qualificação profissional.

Conforme o projeto, as pessoas em situação de rua que demonstrarem interesse em participar do programa e preencherem os requisitos poderão atuar nas áreas de: construção civil; indústria e comércio; serviços gerais e domésticos; jardinagem, paisagismo e limpeza urbana; artesanato, criação e moda e logística em eventos, turismo e gastronomia. O projeto também prevê a possibilidade de concessão de incentivos fiscais a empresas privadas que empregarem participantes do programa.

“Hoje, essa é uma questão social que atinge o país de maneira geral. Quem visita outras capitais percebe que o aumento da população em situação de rua é intenso, gradativo e preocupante, e o mesmo acontece em Campo Grande. Diante desse panorama, me reuni com secretário Jose Mário da Silva, solicitei dados que nos possibilitaram identificar o perfil, as justificativas para essas pessoas estarem nas ruas e percebemos que temos que tomar providências. Por isso, apresentamos hoje este projeto de lei que tem como objetivo a ressocialização das pessoas em situação de rua em Campo Grade.

SITUAÇÃO

De acordo com dados da Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS), cerca de 80% das pessoas em situação de rua são homens entre 18 e 50 anos de idade, e tanto homens quanto as mulheres apresentam baixo grau de escolaridade.

Atualmente, a Capital possui três frentes de atendimento às pessoas em situação de rua. Conforme determina a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais, há o Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS), que é ofertado de forma continuada (24 horas) e programada com a finalidade de assegurar o trabalho social de abordagem e identificação das pessoas em situação de rua.

Em parceria com SEAS, há o trabalho desenvolvido no Centro Pop, que oferece atendimento de segunda a sexta-feira das 7h30 às 17h30. No local, as pessoas recebem alimentação, atendimento psicológico, além de auxílio para obtenção de documentos. Há ainda o Centro de Triagem do Migrante e População em Situação de Rua (CETREMI), a Casa de Apoio São Francisco de Assis e o Centro de Apoio ao Migrante (CEDAMI), que realizam serviço de acolhimento das pessoas em situação de rua.

De acordo com coordenador do Centro Pop, o local realiza em média 285 atendimentos por mês. Em casos de dependência química, as pessoas que aceitam receber tratamento médico são encaminhadas para os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que desenvolve trabalho de recuperação do indivíduo e também o fortalecimento do vínculo familiar com objetivo de reintegrá-los ao núcleo familiar e à sociedade.    
 

POLÊMICA

O abaixo-assinado foi lançado em meados de fevereiro pelo Conselho de Segurança do Centro de Campo Grande, Dirigentes Lojistas de Campo Grande (CDLCG) e a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas em Mato Grosso do Sul (FCDL). Deu o que falar nas redes sociais e rendeu até protestos de lados pró e contra à internação nas ruas da cidade.

Com meras 151 assinaturas até a publicação desta reportagem - a meta é 1.500, o "Menos andarilhos, mais segurança!" propõe que seja levado a discussão da internação compulsória de usuários de drogas da região central da Capital.

"Ação que promova o retorno de estrangeiros e cidadãos de outros municípios às suas origens, além do fim da distribuição de esmolas e alimentos nas ruas da Capital", diz o texto de apresentação do abaixo-assinado.

"Fizemos estudos e detectamos que Campo Grande tem cerca de 1,5 mil moradores em situação de rua. Existem problemas com usuários de drogas, existem problemas de drogas, existem transtornos mentais", disse Vila, na ocasião, ao Correio.

Segundo ele, o debate iria ser levado aos vereadores e deputados estaduais como uma forma de enfrentar o crescimento de roubos e furtos, principalmente nas cercanias da Antiga Rodoviária, onde se concentra o problema, "para uma solução efetiva do problema e pela segurança dos campo-grandenses."

"É uma doença. E se a gente não agir agora no começo vamos perder a mão", disse Vila.

O trabalho começou, segundo o líder lojista, quando 22 integrantes do Conselho avaliaram as condições dos moradores de rua de Campo Grande. "A maioria são pessoas que vêm de fora, principalmente do Nordeste, em busca de uma vida melhor. São atraídos para funções em contrução civil e lavouras no interior e demitidos depois de um curto período. Acabam despachados aqui para a Capital depois", explicou.

Sem alternativas e com vergonha de voltarem fracassados para a casa, acabam virando alvo fácil de traficantes, que oferecem a droga como forma de aliviar o sentimento ruim. "Houve um aumento de 30% na população de rua em relação a 2017. Sempre ajudamos como podemos, comprando passagens, mandando algumas dessas pessoas de volta para suas famílias", disse.

Ainda de acordo com Vila, as críticas geradas são compreensíveis, mas o objetivo é chamar a atenção.

"Estamos falando de seres humanos. Pessoas que tinham um objetivo de vida. Muitas delas tinham objetivo, queriam trazer seus familiares, ter uma vida melhor. Mas do jeito que está hoje não pode continuar. É uma doença. Chama-se a polícia, prende, solta. É um trabalho de faxina. E polícia não é faxineiro. Queremos chamar a atenção dos poderes, como o Ministério Público do Trabalho, para que fiscalize a atuação de quem contrata essas pessoas", disse.

Após chuvas

Buracos obrigam motoristas a "jogar xadrez" para tentar não cair em Campo Grande

Em cruzamento com mais de 10 buracos, o condutor precisa fazer "malabarismo" para desviar ou escolher qual buraco é menos prejudicial ao veículo

04/02/2026 17h33

Cruzamento entre a Avenida América com a rua Santos Dumont, neste trecho o

Cruzamento entre a Avenida América com a rua Santos Dumont, neste trecho o "jogo" é escapar da buraqueira Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Após a semana iniciar com chuvas, a situação dos buracos nas vias ficou mais crítica em Campo Grande, exigindo perícia dos condutores, que em alguns casos não têm muita escolha a não ser decidir qual deles será menos prejudicial ao veículo.

Durante a tarde desta quarta-feira (04), a reportagem circulou pela região central de Campo Grande em diversos pontos, entre eles a Rua Visconde de Taunay, quase esquina com a Avenida Afonso Pena, em frente à Casa de Ensaio.

Tanto os motoristas que seguem pela Avenida Afonso Pena quanto os que precisam fazer a conversão à direita devem redobrar a atenção para não serem pegos de surpresa por um buraco logo na faixa de pedestres.

 

 

Em outro ponto, na Avenida América com a Rua Santos Dumont, o desafio durante o fluxo é que muitos veículos acabam circulando na contramão para desviar da buraqueira. No local são cerca de 12 buracos.

 

 

Moradores da região, que preferiram não se identificar, comentaram que o problema é antigo. Segundo eles, começou com a temporada de chuvas de dezembro e, com as de janeiro, a situação foi se agravando.

 

 

Cruzamento entre a Avenida América com a rua Santos Dumont, neste trecho o "jogo" é escapar da buraqueiraCrédito: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Transtornos

Na Rua Cerro Corá, no bairro Jardim Paulista, a situação é diferente, uma vez que o buraco se abriu tomando quase toda a extensão da via, não restando outra alternativa a não ser atravessar o percalço.

O empresário do Bar em Bar Coquetelaria, Carlos Magno, enfrenta o problema diariamente, já que a cratera está localizada em frente ao estabelecimento. O que começou no fim de novembro como uma pequena fissura acabou se expandindo.

“Começou a minar água ali. Na verdade, isso começou a rachar por causa da mina d’água e, com o tempo, foi aumentando. A vizinha aqui do lado mandou mensagem, eu liguei para a concessionária de água, mas eles não atendiam”, explicou Carlos.

Tentando resolver a situação, o empresário enviou fotos e, em dezembro, abriu dois protocolos, acreditando que o problema tivesse sido causado por um vazamento.

A preocupação é com a velocidade dos veículos que trafegam pela via e que, muitas vezes, acabam atingindo o buraco.

“A galera passa aqui, desce estourando e bate ali o pneu, enfim”, relatou.

Segundo o empresário, também é comum que, na tentativa de desviar do buraco, motoristas entrem na contramão, colocando em risco o tráfego na região.

Moradora da rua, a aposentada Sueli Miranda reforçou que a situação não teve início com a chuva, mas sim devido a um vazamento de água, sendo que as precipitações apenas potencializaram o problema.

“Aqui tinha um buraco enorme. Minha filha ligou dez vezes até eles virem, porque estava jorrando água além do buraco. Eles vieram e arrumaram aqui. A minha filha falou: ‘tem mais quatro’, e o funcionário respondeu que só poderia resolver se outros moradores ligassem. A cidade inteira está tomada por buracos”, afirmou Sueli.

A reportagem entrou em contato com a assessoria da Prefeitura de Campo Grande para questionar quando o serviço de tapa-buracos na região central será realizado. No entanto, até o fechamento desta matéria, não houve resposta.

 

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preso em CG

Irmão de Marcinho VP, chefão do Comando Vermelho, é afastado da presidência do PSDB

O mandato iria até 31 de dezembro e presidente do diretório regional do partido disse que não sabia do parentesco com Marcinho VP, preso em Campo Grande

04/02/2026 17h01

Cristiano Santos é irmão do traficante Marcinho VP

Cristiano Santos é irmão do traficante Marcinho VP Foto: Arquivo

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O ex-vereador Cristiano Santos Hermogens, irmão do traficante e chefão do Comando Vermelho Marcinho VP, foi afastado da presidência do PSDB no município de Belford Roxo, no Rio de Janeiro. A decisão foi do diretório estadual do partido.

Hermogens assumiu a presidência do diretório em 26 de janeiro e o mandato iria até 31 de dezembro.

De acordo com informações do Uol, o presidente do diretório estadual, Luciano Vieira, ao levar Hermogens para o partido, ele não sabia do parentesco dele com Marcinho VP. ,

"Ele foi presidente do PL aqui de Belford Roxo, foi vereador na cidade, então não enxerguei nenhum tipo de problema", disse o parlamentar ao Uol.

Hermogens foi eleito suplente de deputado estadual em 2022, pelo PL, concorreu a deputado estadual pelo RJ em 2010 pelo antigo PRP, a vereador de Belford Roxo em 2016 pelo PTB, a deputado estadual em 2018 pelo PHS e a prefeito de Belford Roxo pelo PL, em 2020.

Ele é irmão de Marcinho VP por parte de mãe e chegou a ser preso em 2006, suspeito de ser o substituto do irmão na chefia do tráfico no Complexo ao Alemão. Ele também é rio do rapper Oruam.

Marcinho VP 

Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, é apontado com nome proeminente da criminalidade do Rio de Janeiro há quase três décadas, sendo um dos principais chefes do Comando Vermelho, ao lado de Fernandinho Beira Mar.

Preso desde 1996 , ele está em penitenciárias federais desde 2010, atualmente em Campo Grande.

No entanto, o encarceramento não impediu que Marcinho VP continuasse no mundo no crime. Mesmo de dentro do presídio, ele ordenou uma série de crimes que foram cometidos por outros faccionados. Nos últimos 14 anos, ele cumpre pena em unidades federais.

Em novembro do ano passado, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, por meio da Vara de Execuções Penais, autorizou a renovação, por mais três anos, da permanência de Marcinho VP no sistema penitenciário federal.

Na decisão, o juiz afirmou que a manutenção de Marcinho VP no sistema federal segue necessária para dificultar articulações criminosas no Rio de Janeiro.

A decisão cita a megaoperação deflagrada em 28 de outubro do ano passado nos complexos do Alemão e da Penha, áreas consideradas reduto de Marcinho VP, para alertar sobre o "risco do retorno do apenado ao sistema penal do estado".

O histórico de transgressões do líder do Comando Vermelho também foi apontado como motivo pela sua permanência. 

A Justiça considerou que a lei permite a renovação do prazo de permanência por um novo período, caso permaneçam os motivos da transferência. No caso de Marcinho VP, o interesse coletivo de segurança pública.

Marcinho VP é pai do rapper Oruam, que já fez manifestações públicas pedindo a liberdade do pai, sendo a mais polêmicas a apresentação no Lollapalooza 2024, onde vestiu uma camiseta que pedia a liberdade de Marcinho VP.

 

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