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TESTE DE FÔLEGO

Dobra a demanda por oxigênio medicinal em Mato Grosso do Sul

Não é só nos hospitais que a necessidade da respiração mecânica dos pacientes é grande; para tratamento residencial, procura por cilindros está maior
13/03/2021 09:00 - Beatriz Magalhães


O aumento na demanda por leitos hospitalares ou de casos de pacientes de Covid-19 que precisam de respiração auxiliar – ainda que em casa – provocou uma corrida às lojas que comercializam oxigênio medicinal.  

A demanda praticamente dobrou (crescimento de 100%) desde que a pandemia agravou-se. O Correio do Estado procurou representantes de cinco distribuidoras de oxigênio (ABF, Oximorena, SleepCare, Respirare, Air Liquide Brasil, White Martins e ABC) e todos foram categóricos e demonstraram o aumento da procura pelos aparelhos respiradores e pelos cilindros com o produto próprio para uso medicinal.  

Segundo o empresário José Vicente Costardi Girotto, 56 anos, da Oximorena, o aumento foi significativo. “Eu atendo não apenas a Capital como também outros municípios do interior e a demanda aumentou mais de 100%. Há 37 anos nesse mercado, eu nunca vi nada parecido”, afirma o empresário.  

A percepção se repete em várias outras empresas. Segundo Daniel Aparecido da Fonseca, 46 anos, proprietário da ABC, o maior impacto foi sentido ainda em agosto do ano passado, primeiro mês em que o Estado apresentou grandes números de casos confirmados da doença.

“Desde que começou a pandemia, tivemos um aumento significativo na procura por oxigênio. O mês mais expressivo foi agosto de 2020, quando a demanda aumentou 100%. Agora a procura está voltando, em março já sentimos um novo aumento de 40%”, afirma Daniel.

O empresário explica ainda, que em razão da procura, foi observado uma alta no preço do oxigênio nas fabricantes. “Desde o início da pandemia, o preço aumentou em 30% nas fábricas”.

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PODE FALTAR?

Sobre a falta de oxigênio, os empresários dizem que não há risco, pelo menos por enquanto. “Agora temos tudo sob controle, não temos essa percepção de que vai acabar, pelo menos não por agora”, deduz Daniel.

Para José Vicente, a opinião é a mesma. “Nós nos preparamos para isso. Estive atento aos noticiários e vi o que aconteceu em Manaus. Mas aqueles que não se prepararam podem enfrentar algumas dificuldades daqui em diante, tendo em vista o crescimento dos casos confirmados no Estado”.  

O oxigênio é utilizado também por pacientes que fazem o tratamento domiciliar, por meio de assistência do home care. Nesses casos, o volume vendido é muito inferior se comparado a um hospital, afirma José Vicente.

Esses pacientes procuram uma loja revendedora para poder comprar o medicamento que será administrado de casa. Adrielle Maria, 26, faz o tratamento do filho de 4 anos em casa, e diz que está difícil de encontrar o oxigênio durante o período de pandemia. “Em três empresas que eu procurei o oxigênio estava em falta, e eles me disseram que o motivo era alta demanda”, afirma.

QUANDO USAR?

Os pacientes infectados pela Covid-19 precisam utilizar o oxigênio quando apresenta um quadro de baixa saturação, ou seja, pouca oxigenação no sangue. A médica pneumologista, Ana Maria Campo Marques explica que para a utilização do medicamento é preciso um diagnóstico que consiste na observação de O2 na corrente sanguínea do paciente.  

“Não são todas as pessoas com Covid-19 que precisam utilizar o oxigênio, são apenas algumas. O medicamento é usado quando a saturação está baixa, com pouca oxigenação. Algumas pessoas vão precisar apenas do cateter, outras precisam de um fluxo maior e, então, utilizam a máscara. A necessidade é maior mesmo quando não dá para oxigenar com métodos que chamamos de não invasivos. Sendo assim, existe a necessidade de fazer a intubação, colocando o paciente no respirador”, explica a pneumologista.

Ainda de acordo com a médica, alguns pacientes Covid-19 são liberados dos hospitais quando estão equilibrados clinicamente e precisam apenas da manutenção da saturação.

“Temos várias pessoas, também com outras doenças pulmonares, que usam oxigênio em casa. O paciente que precisa do oxigênio não precisa necessariamente do hospital. Eu avalio a liberação do paciente para casa como uma boa medida. Isso diminui o risco de infecção hospitalar, por exemplo, além de liberar o leito para outros pacientes que precisam da assistência clínica. Muitas pessoas que estão com sequelas do coronavírus estão utilizando o oxigênio em casa. Essa é uma medida segura para o paciente”, reconhece Ana Maria Campos Marques.

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