Cidades

Combate ao crime

Em nova operação, MPMS prende três por desvio em hospital

Os mandados foram cumpridos ontem em Sidrolândia, onde foi preso o diretor de hospital da cidade por suspeita de desviar cerca de R$ 18 milhões da Saúde

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Operação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), levou à prisão o diretor-presidente do Hospital Elmíria Silvério Barbosa, de Sidrolândia, Jacob Meeuvis Breure, suspeito de participar de esquema que teria desviado cerca de R$ 18 milhões da unidade.

A prisão ocorreu na segunda fase da Operação Dirty Pix; além dele foram presos a policial civil Cristina Rosa Gomes de Carvalho e o assessor político Júlio César Alves da Silva.

Outros 25 mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos municípios de Campo Grande, Sidrolândia, Maracaju e Selvíria.

Esta é a segunda vez, em menos de um mês, que um diretor de hospital é preso por investigação do Ministério Público. Em setembro, a então presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima, foi presa por participar de suposto esquema de corrupção na unidade. Somados dois supostos esquemas, o rombo seria de R$ 23 milhões à saúde pública.

No caso de Sidrolândia, a investigação teve início a partir da identificação de desvio de recursos públicos destinados à aquisição de um aparelho de ressonância magnética e de autoclave hospitalar, oriundos de convênio firmado entre o governo do Estado e a Sociedade Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, responsável pela gestão do Hospital de Sidrolândia.

“Com o aprofundamento das apurações, especialmente após a deflagração da primeira fase da Operação Dirty Pix, em novembro de 2025, foram identificados elementos que indicaram desvios de recursos provenientes de outros convênios celebrados pela entidade, mediante a reprodução de um modus operandi estruturado e reiterado”, diz o MPMS, em nota.

Segundo o Ministério Público, o esquema atingiu recursos públicos destinados à aquisição de equipamentos e materiais hospitalares, de unidade de terapia intensiva (UTI) móvel, bem como à execução de obras de reforma do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, cujos valores ultrapassam R$ 18 milhões.
Em 2025, o mesmo diretor já havia sido preso na primeira fase da investigação por supostamente participar de um esquema que teria desviado R$ 5,4 milhões do hospital.

Na época da primeira fase, foram presos, além de Jacob, a ex-vice-prefeita da cidade Cristina Fiuza, o então secretário de Desenvolvimento Rural Cleyton Martins Teixeira, o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico Enelvo Felini Júnior, e os vereadores e ex-vereadores Adavilton Brandão, Izaqueu de Souza Diniz, Cledinaldo Marcelino Costócio, Ademir Gabardo e Eliel da Silva Vaz.

SANTA CASA

No mês passado, a cúpula da Santa Casa de Campo Grande acabou na cadeia após investigação do Ministério Público descobrir suposto esquema de desvio de recursos públicos para empresas de empresário ligado à então presidente da unidade. 

Em pelo menos dois casos, foram apurados supostos desvios. O primeiro foi na prestação de serviços de digitalização de prontuários, em que ocorreram pagamentos de valores elevados sem a devida contraprestação de serviços. A estimativa do MPMS é que, no primeiro ano de vigência do contrato, tenha sido desviado R$ 1,4 milhão.

O contrato previa pagamento de R$ 1,8 milhão por ano e tinha vigência de três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. 

Os outros contratos supostamente fraudulentos foram celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde – empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande – com diversas empresas do mesmo grupo econômico. 

Desses acordos, o MPMS afirma que, somente em 2025, a operadora pagou aproximadamente R$ 9,6 milhões para essas empresas, e gerou um prejuízo de R$ 3,5 milhões à entidade.

Por causa dessa primeira operação foram presos: a então presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima; Rinaldo Hakme Romano, que era diretor administrativo-financeiro; Alessandro Dias Junqueira, então diretor administrativo; Paulo Guilherme Gutierrez Mariosa, diretor de finanças adjunto e conselheiro na época; Monique Gregório de Oliveira, que era supervisora do serviço de arquivo médico e estatística; além do empresário Maurício Aparecido Benites.

Após a Operação Antidotum, deflagrada no dia 11 de setembro, a diretoria foi destituída por determinação judicial, assim como os conselheiros foram retirados do hospital.

* Saiba 

No ano passado, o Jornal Boca do Povo registrou boletim de ocorrência porque, segundo o relato, jornais de uma edição que denunciava o suposto esquema de desvios envolvendo o diretor do hospital teriam sido roubados das bancas em Sidrolândia.

ONCOLOGIA

MP investiga falta de medicamentos para tratamento de câncer no HRMS

Apesar do Hospital Regional estar sob responsabilidade do Governo do Estado, o órgão ministerial mantém o processo sob sigilo

08/10/2026 08h30

Hospital Regional de Mato Grosso do Sul

Hospital Regional de Mato Grosso do Sul Divulgação

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), através da 32.ª Promotoria de Justiça de Saúde Pública da Comarca de Campo Grande, instaurou um inquérito civil contra o Hospital Regional (HRMS) para investigar a regularidade do abastecimento de medicamentos destinados ao tratamento oncológico.

O inquérito também tem como objetivo apurar as medidas adotadas para prevenir situações de desabastecimento e assegurar a continuidade dos tratamentos quimioterápicos prestados aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

Apesar do Hospital Regional estar sob responsabilidade do Governo do Estado, através da Fundação Serviços de Saúde de Mato Grosso do Sul (FUNSAU), o órgão ministerial mantém o processo sob sigilo.

O Correio do Estado entrou em contato com a assessoria do MPMS para ter acesso ao inquérito civil, porém não obteve resposta até a publicação da reportagem.

Contrato

No dia 28 de setembro, o Governo de Mato Grosso do Sul prorrogou por mais 12 meses o contrato com a empresa Onco Prod. Distribuidora de Produtos Hospitalares e Oncológicos Ltda. Foram destinados R$ 2.346.498,00 para a aquisição de medicamentos oncológicos. A vigência deste vínculo é até 26 de setembro de 2027.

O contrato prevê o fornecimento de 9.900 unidades de Abemaciclibe 150 mg, medicamento indicado para o tratamento de câncer de mama. O preço unitário do remédio foi estabelecido em R$ 237,02.

O Hospital Regional de Mato Grosso do Sul é credenciado como unidade de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON), habilitado como Unacon com serviço de Oncologia Pediátrica.

 

Corumbá

Polícia apura maus-tratos a crianças que viviam em ambiente insalubre

Investigação começou após a morte de bebê de dois meses; na casa, vítima e irmãos dormiam em meio à urina e sujeira

08/10/2026 08h30

O caso é investigado pela 1ª Delegacia de Polícia Civil de Corumbá

O caso é investigado pela 1ª Delegacia de Polícia Civil de Corumbá Foto: Divulgação

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A Polícia Civil investiga o caso de uma bebê de apenas dois meses que morreu nesta semana em Corumbá. A criança chegou já sem vida à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bairro Guatós, na manhã de terça-feira, e em vistoria na casa foi identificado possível maus-tratos, não só ao bebê, mas também aos seus dois irmãos.

O caso chegou à polícia na manhã de terça-feira, após a mãe da bebê, uma mulher de 28 anos, procurar atendimento médico para a criança, porém, segundo relatos da polícia, a menina chegou ao local já sem vida. 

No momento do atendimento, segundo o delegado Filipe Araujo Izidio Pereira, da 1ª Delegacia de Corumbá, a equipe médica que atendeu o caso teria identificado uma mancha na roupinha do bebê, que eles atribuíram a uma possível marca de sangue.

Em razão da suspeita de agressão seguida de morte, a mãe chegou a ser presa preventivamente. 

A mãe ainda não foi ouvida oficialmente, porém, em versão apresentada aos policiais no momento da ocorrência afirmou que saiu da casa por alguns minutos porque estava faltando energia e foi até a casa do vizinho e quando voltou identificou que a criança já estava sem respirar.

Ainda conforme o delegado, o médico legista afirmou que a mancha encontrada na roupa da bebê poderia ser de algo que a criança vomitou.

Apesar de o laudo não ter sido entregue ainda, o legista acredita que a morte possa ter sido causada por asfixia por bronco aspiração, que é quando acidentalmente alimentos, líquidos, saliva ou vômito entram nas vias respiratórias inferiores e provocam uma asfixia.

Porém, apesar de a suspeita principal ser essa, durante a ida da polícia, perícia e do Conselho Tutelar até a residência onde a bebê morava, uma casa de três cômodos, foi encontrada muita sujeira, além de fezes e urina no local onde a mãe, que tem outros dois filhos, dormia com as crianças.

“A urina, muita sujeira e fezes, isso já é um indicativo sim de que havia maus-tratos, de que a criança não estava recebendo o tratamento que devia ter. O crime de maus-tratos, por si só, já é um crime, só que existe uma qualificadora, que é maus-tratos seguido de morte, que é quando a mãe provoca os maus-tratos e a morte decorre disso, sem dolo, que é o que estávamos investigado agora”, contou o delegado ao Correio do Estado.

No local, além do bebê, da mãe e dos dois irmãos, também mora um casal, todos da mesma família.

Como a agressão foi, até agora, descartada pelo legista, a mãe foi solta, porém, os outros dois filhos foram levados pelo Conselho Tutelar de Corumbá e, posteriormente, entregue à familiares próximos.

O delegado afirmou que o caso já está bem avançado e que agora eles devem ouvir mais pessoas e esperar os laudos chegarem para concluir a investigação.

“Vamos ouvir mais pessoas, quem teve contato com essa família lá na UPA, vizinhos, vamos pedir auxílio do Conselho Tutelar para fazer relatórios sobre a dinâmica daquela família e aguardar os laudos periciais, porque aí será a versão oficial”, completou Izidio.

Já foram ouvidos a médica e a enfermeira que atenderam a criança na UPA e uma das pessoas que moram com a mãe.

Em nota, o Conselho Tutelar afirmou que a família não era acompanhada pelo órgão porque havia se mudado há pouco tempo para o município. 

“A situação chegou ao conhecimento do Conselho Tutelar somente na data do ocorrido, ocasião em que foram adotadas as providências cabíveis. A partir do conhecimento dos fatos, o órgão passou a atuar no caso, adotando as medidas pertinentes. Não há registros de atendimento ou histórico anterior dessa família junto ao Conselho Tutelar nesse colegiado. A genitora teria chegado ao município recentemente e nesse tempo não há registros de denúncias ou notificações para acompanhar o núcleo familiar”, afirma o órgão, em nota.

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