Cidades

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Exatamente 20 anos atrás, Brasil perdia o humorista Mussum

Exatamente 20 anos atrás, Brasil perdia o humorista Mussum

correio24horas

30/07/2014 - 12h30
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Há exatos 20 anos, o Brasil perdia um dos seus principais humoristas. Antônio Carlos Bernardes Gomes, o Mussum, morreu no dia 29 de julho de 1994, mas seus bordões e piadas continuam na boca do povo.

Filho de uma empregada doméstica, Mussum nasceu em 1941 no Morro da Cachoeirinha, zona norte do Rio. Educado em um colégio interno e depois em um quartel, o comediante chegou a ser recruta da Aeronáutica antes de chegar aos palcos.

Frequentador das rodas de samba da Mangueira, Mussum começou sua carreira na música. Ele foi um dos fundadores d'Os Originais do Samba, onde tocava reco-reco. Com o sucesso do grupo, ele conheceu celebridades da época, como Elis Regina, Elza Soares, Jair Rodrigues e o ator Grande Otelo - que o apelidou de Mussum.

A relação com Chico Anysio lhe incentivou a adotar seu linguajar próprio, colocando os 'is' nos finais das palavras. E em 1973, a convite de Dedé Santana e Renato Aragão, ele entra para Os Trapalhões e abandona a carreira na música. Com a trupe, Mussum encarna o famoso personagem boêmio e participa do programa de TV até sua morte, produzindo também mais quase 30 filmes e 10 discos do grupo.

Mesmo depois de sua morte, Mussum ainda mantém o sucesso através das gerações, principalmente com a internet, onde é personagem recorrente nos memes das redes sociais.

Fim das Bets

Bets devolvem mais de R$ 1 bilhão; Campo Grande tem 32,5 mil apostadores

Ainda há R$ 159 milhões a serem transferidos até 14 de outubro; oito empresas não enviaram informações necessárias aos bancos

10/10/2026 13h40

Jogos de plataforma on-line de bets estão proibidos no Brasil

Jogos de plataforma on-line de bets estão proibidos no Brasil Paulo Ribas / Correio do Estado

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Mais de R$ 1 bilhão em saldos de apostas on-line já foi devolvido aos usuários após o encerramento das plataformas atingidas pela proibição das bets no Brasil. Ainda restam R$ 159 milhões a serem transferidos até quarta-feira (14), segundo dados enviados pelas empresas ao governo federal. Em Campo Grande, 32,5 mil moradores foram identificados como apostadores on-line, conforme levantamento do Ministério da Fazenda publicado anteriormente pelo Correio do Estado.

O valor pendente corresponde a recursos que os usuários não retiraram diretamente das plataformas até o fim do prazo, encerrado em 5 de outubro. Agora, a restituição é feita pelas instituições financeiras, que devem transferir o dinheiro para as contas bancárias utilizadas pelos apostadores nos depósitos.

Os dados mais recentes, divulgados neste sábado (10), abrangem 22,5 milhões de apostadores, distribuídos em 70,5 milhões de contas. A diferença entre o número de pessoas e o de contas ocorre porque um mesmo usuário pode manter cadastros em várias plataformas.

Apesar do montante ainda pendente, a maior parte dos saldos remanescentes é de pequeno valor. Segundo as empresas, 90% das contas têm menos de R$ 1 a receber, enquanto 97% possuem saldo inferior a R$ 10.

O governo federal informou que oito empresas ainda não encaminharam aos bancos as informações necessárias para concluir a devolução. A Advocacia-Geral da União (AGU) pretende recorrer à Justiça para obrigar as plataformas a fornecer os dados.

Caso os bancos não consigam concluir a restituição por impedimentos operacionais, os recursos serão transferidos para a Caixa Econômica Federal a partir de 14 de outubro. A instituição ficará responsável por intermediar os pagamentos pendentes.

Os apostadores devem acompanhar a movimentação da conta bancária usada para depositar dinheiro nas plataformas. Também é importante desconfiar de mensagens que cobrem taxas para liberar os valores e não compartilhar senhas ou códigos bancários.

Capital tem 32,5 mil apostadores

Levantamento do Ministério da Fazenda divulgado pelo Correio do Estado em setembro identificou cerca de 32,5 mil moradores de Campo Grande envolvidos em apostas on-line, o equivalente a 3,35% da população da Capital. O número supera a população de 63 dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul.

Em 11 processos judiciais analisados, apostadores que alegam sofrer de ludopatia movimentaram mais de R$ 22,7 milhões nas plataformas e relataram perdas de aproximadamente R$ 1,7 milhão.

Em um dos casos, um morador de Campo Grande movimentou R$ 9,5 milhões em uma plataforma ao longo de três anos e acumulou perda contábil de cerca de R$ 715,7 mil.

Os números locais dimensionam a presença das apostas na rotina dos consumidores sul-mato-grossenses, mas o governo federal ainda não divulgou quanto dos valores já devolvidos ou pendentes corresponde especificamente a apostadores de Mato Grosso do Sul.

A proibição das plataformas foi estabelecida pela Medida Provisória nº 1.394/2026, publicada em 25 de setembro. A medida determinou o encerramento das operações das bets abrangidas pela decisão e estabeleceu um cronograma para a devolução dos saldos que permaneceram nas contas dos usuários.

AÇÃO

Quarteto do CV morto pelo Choque era comandado por mulher

Com apenas 19 anos, Vanessa era a responsável por toda a logística do grupo, como aquisição de armamentos, organização de crimes e até locação de imóveis

10/10/2026 12h18

Vanessa Thiel, de 19 anos, apontada como líder do grupo ligado ao Comando Vermelho

Vanessa Thiel, de 19 anos, apontada como líder do grupo ligado ao Comando Vermelho Foto: Reprodução

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O quarteto de criminosos ligados à facção carioca Comando Vermelho (CV) mortos na tarde desta sexta-feira (09), em Sidrolândia, tinha como líder uma mulher, chamada Vanessa Thiel de Almeida, de 19 anos, que era responsável por toda a logística do grupo, como aquisição de armamentos, definição de alvos e até locação de imóveis em cidades em que o grupo ia praticar um delito.

O Batalhão de Choque, juntamente com o Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (Garras), se deslocou até o local da ocorrência, em uma residência na Rua Dolício Pereira da Silva, no Bairro Alto da Figueira, para cumprir um mandado de prisão e outro de busca e apreensão contra Jonas Gabriel de Souza Sales, de 19 anos, e Miguel Felipe Santana, de apenas 17 anos.

“Chegando nesse endereço, logo na entrada, havia um indivíduo que estava no quintal e armado. Foi dada voz de abordagem pela nossa equipe no portão e esse indivíduo apontou a arma para nossa equipe policial, não tendo opção da nossa equipe a não ser neutralizar essa ameaça efetuando disparos”, explica o major Cleyton, do Choque, em coletiva de imprensa, neste sábado (10).

Depois disso, o restante da equipe policial seguiu para dentro da residência, onde mais um indivíduo armado foi localizado, mais especificamente na sala. Mesmo com a voz de abordagem, o suspeito atirou contra os policiais e também foi alvejado pelos militares, sendo o segundo alvo detido. Porém, a ação continuou nos outros cômodos da casa.

“No primeiro quarto havia mais um indivíduo que estava armado. Esse indivíduo, mais uma
vez, acabou efetuando disparos, que acertaram o escudo da nossa equipe. Diante disso, a nossa equipe efetuou disparos contra ele, cessou a injusta agressão, dando continuidade e indo para o último ponto [do imóvel]”, detalha.

O quarto e último alvo também foi alvejado depois da ordem dos policiais para se render, o que não foi seguido pelo indivíduo, que efetuou mais disparos contra a equipe e foi atingido. 

“A partir disso, foi feito o desarme de todos os indivíduos e pude constatar que todos estavam com sinais vitais. Todos eles foram socorridos com vida até o hospital local [Hospital Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia], mas infelizmente acabaram vindo ao óbito e não resistiram aos ferimentos”, afirma o major.

Além de Jonas e Miguel, também morreram na ação Vanessa Thiel e Thalyson Miguel Acosta de Oliveira, de 21 anos, o mais velho dos quatro.

Durante a operação, os policiais apreenderam quatro armas de fogo, sendo dois revólveres calibre .38, um revólver calibre .32 e uma pistola calibre 7,65 mm, que era de posse de Vanessa. Também foi recolhida uma motocicleta Honda Fan 125, apontada nas investigações como possivelmente utilizada em atentados criminosos na região.

Vanessa

As investigações apontam que Vanessa, mesmo que somente aos 19 anos de idade, era a “cabeça” do grupo criminoso, sendo a responsável pela logística, como aquisição de armamentos e organização dos atentados. Como o próprio major descreve, ela detinha o “maior poder de vitalidade, e a maior quantidade de munições estava sob a posse dela”.

Crimes anteriores em outras cidades da região, como Maracaju e Rio Brilhante, também estão associados ao grupo, e Vanessa era uma peça-chave para que os suspeitos conseguissem se alocar em determinada cidade antes de cometer o crime.

“Eles se deslocavam até cidades mais próximas e realizavam a alocação de imóvel. É muito mais fácil quando você tem uma mulher para poder alocar, pois eles faziam da seguinte forma, chegavam como situação de casal. A Vanessa, junto com mais um, fingia que era um casal e acabava tendo um pouco mais de credibilidade para fazer a alocação de algum imóvel. Então, eles realizavam atentado naquele tipo de localidade”, comenta.

Ainda de acordo com o major, essa característica do grupo de migrar de cidade para cidade com frequência também dificultava a ação policial, mesmo com os integrantes sendo monitorados há algum tempo pelas forças de segurança. Um crime em Campo Grande também é associado ao grupo.

CV e guerra

Em algumas paredes da residência onde toda a ocorrência aconteceu, era possível visualizar as iniciais “CV”, referência clara à facção criminosa Comando Vermelho, com forte presença no Estado, e trava guerras com outra grande facção brasileira, o Primeiro Comando da Capital (PCC), pelo controle dos principais corredores de drogas do Estado.

No interior da residência, as equipes encontraram ainda latas de tinta spray vermelha. O material será analisado pelos investigadores para verificar uma possível relação com pichações associadas à atuação de organizações criminosas e à disputa por territórios no interior de Mato Grosso do Sul.

“Temos um cuidado muito grande. Assim como nós tivemos ocorrências de confronto em Ivinhema, justamente também por essa guerra territorial, temos visto isso muito na região de Coxim, onde nós tivemos um combate muito contundente ao crime, nas suas mais variadas modalidades. Tivemos muitas ocorrências onde aprendemos várias armas de fogo”, disse o major durante a coletiva.

Números

Por fim, em 2026 e considerando somente ações do Batalhão de Choque, 348 pessoas foram presas em flagrante, 165 capturadas em situação de “foragido da Justiça”, 93 veículos foram recuperados, dos quais a maioria era utilizada para o tráfico de drogas, e 172 armas de fogo foram apreendidas. Especificamente sobre drogas, cerca de 14 toneladas foram confiscadas este ano, gerando R$ 14 milhões de prejuízo ao crime.

Conforme dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS), 150 pessoas morreram por “intervenção legal de agente de Estado”, o famoso “em confronto”, neste ano. Em comparação com os últimos 10 anos, 2026 é o ano mais violento neste cenário, com larga vantagem para o segundo colocado (2023, com 131 mortes).

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