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OPERAÇÃO OMERTÁ

Gaeco apreendeu cocaína na casa de guarda municipal envolvido com milícia

Equipamentos relacionados ao tráfico também foram apreendidos
04/10/2019 19:13 - GLAUCEA VACCARI


 

Casa de um dos guardas municipais presos durante cumprimento de mandados de prisão e busca e apreensão da Operação Omertá, funcionava como ponto de venda de drogas, popularmente conhecida como boca de fumo. Balança, caderno com anotação de movimentação de venda de drogas e diversas porções cocaína foram apreendidas e o guarda, suspeito de envolvimento com a mílicia, foi preso e afastado da corporação.

Conforme consta em auto circunstanciado de busca e apreensão, de cumprimento de mandado expedido pelo juiz da 7ª Vara Criminal de Campo Grande, Marcelo Ivo de Oliveira e equipe da Polícia Militar a droga foi encontrada em um dos cômodos da casa onde mora Igor Cunha de Souza.

O guarda não estava no local, mas a entrada foi franqueada pela pessoa responsável e, nas buscas, foram encontrados e apreendidos, em um dos quartos, 27 pinos de cocaína; 11 pinos vazios; uma balança digital de precisão; uma agenda com movimentação e controle dos pinos de cocaína; peneira, colher, pires e vasilha de plástico, todos com vestígios de cocaína e uma corrente.

Já no quarto do guarda municipal foram apreendidos um revólver calibre .32, com cinco munições; um pen drive e dois cartões de memória; uma cápsula de munição calibre .32 deflagrada, câmera tipo Go-Pro, um chip de telefone celular e 33 papelotes de cocaína.

Um rapaz, morador da casa, teria assumido a propriedade da cocaína encontrada no local, conforme consta no relato das equipes do Gaeco. 

Igor Cunha de Souza foi preso em cumprimento de mandado de prisão temporária. Outros três guardas foram presos na operação, sendo Alcinei Arantes da Silva, Eronaldo Vieira da Silva, Igor Cunha de Souza e Rafael Carmo Peixoto Ribeiro. Conforme o secretário municipal de Segurança e Defesa Social, Valério Azambuja, os quatro foram afastados e dois deles tiveram o porte de arma suspenso, além de ter os armamentos recolhidos.

Os mandados foram cumpridos na última sexta-feira (27.09) pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), órgão de investigação ligado ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS), e pela Delegacia Especializada em Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras).

OPERAÇÃO

A operação Omertà foi deflagrada em 27 de setembro, pelo Gaeco e pelo Garras, e prendeu os empresários Jamil Name e Jamil Name Filho, além de outras 17 pessoas, entre funcionários da família, policiais civis e guardas municipais. Só não foram presos na ação policial o ex-guarda municipal guarda municipal José Moreira Freires e o auxiliar Juanil Miranda Lima – apontados como os executores dos assassinatos investigados pela força-tarefa e foragidos desde abril, quando as investigações começaram a avançar –, além do advogado Alexandre Fransolozo, cujo mandado de prisão temporária (suspenso pelo Tribunal de Justiça) nem chegou a ser cumprido.

Os três policiais civis da ativa foram afastados em 2 de outubro, tendo a sarma recolhida, bem como a carteira funcional e demais pertences do patrimônio público destinado aos policiais, além da suspensão de senhas e login de acesso aos bancos de dados da instituição policial, suspensão de férias e de avaliação para fins de promoção.

Os assassinatos de pelo menos três pessoas estão relacionados com o grupo de extermínio sob investigação: do policial militar reformado Ilson Martins Figueiredo, ocorrido em 11 de junho do ano passado; do ex-segurança Orlando da Silva Fernandes, em 26 de outubro de 2018; e do estudante de Direito Matheus Xavier, em abril deste ano.

Para dar o nome à operação, os policiais utilizaram um termo do dialeto napolitano, do idioma italiano. Omertá, conforme o Gaeco, é um termo que se fundamenta em um forte sentido de família e em um silêncio que impede a cooperação com autoridades policiais ou judiciárias. Trata-se de um código de honra muito usado nas máfias do sul da Itália.