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Indígenas destacam falta de medicamentos em aldeias do Estado

ONG sediada em Dourados, que recebeu R$ 872 milhões entre 2019 e 2022, deveriaa cuidar da saúde indígena em MS

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A ONG evangélica Missão Caiuá, sediada em Dourados, tem R$ 213 milhões para receber até o fim deste ano em contratos com o Ministério da Saúde para cuidar da saúde indígena. Moradores de aldeia localizada no município-sede da entidade apontaram ao Correio do Estado a falta de medicamentos nas aldeias do interior de Mato Grosso do Sul.

“Nossa saúde aqui está precária. No posto de saúde não tem nada de medicamento. Estamos sem viatura e sem telefone para ligar no polo-base de Dourados”, disse Reinaldo Arevalo, conhecido como Dinho, capitão da Aldeia Bororó.

De acordo com o líder da comunidade indígena, além da ausência de remédios e assistência básica, os indígenas locais convivem diariamente com a falta de água potável, o que, segundo ele, afeta a qualidade de vida e, consequentemente, causa diarreia e outras enfermidades, principalmente em crianças. 

“Não está fácil, e eu sei que tem dinheiro. A questão principal é não saber administrar essa verba, que interessa não somente a Aldeia Bororó, mas a Aldeia Jaguapiru”, frisou Dinho.

Sem se identificar, um dos líderes da Aldeia Jaguapiru, também de Dourados, destacou a precariedade do acesso à àgua na aldeia. 

“Trabalho na parte de saneamento, e em um dia a gente tem água, no outro não tem”, pontuou. 

Questionado sobre a presença da ONG Missão Caiuá nas atividades da região, o líder se mostrou surpreso com o valor de R$ 213 milhões que a entidade deve receber até o fim do ano e com os R$ 872 milhões que já recebeu durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Trabalho para a ONG Missão Caiuá, sou contratado por eles, mas não chegou na aldeia [o valor recebido pela entidade]. Fora que saúde e medicamento, essas coisas, não têm.

Nos reunimos com os gestores de lá, e eles reclamaram bastante que a Missão Caiuá está sem verba para pagar funcionários, almoço, medicamentos. Fico espantado de saber que vem tudo isso aí [dinheiro] e os gestores estão reclamando da falta de verba”, finalizou.

DÍVIDA

Sediada em Dourados, a ONG evangélica Missão Caiuá (organização que já recebeu cerca de R$ 872 milhões em contratos para cuidar da saúde indígena entre 2019 e 2022) deve receber outros R$ 213 milhões até o fim deste ano em contratos que ainda estão em vigor. 

Os repasses foram identificados por meio do portal da Transparência do governo federal e apontaram que a organização tem 10 contratos em vigência junto ao Ministério da Saúde com o objetivo de cuidar da saúde dos povos indígenas de várias regiões do País.

De acordo com a transparência federal, o contrato mais antigo ainda em curso foi firmado em dezembro de 2013.

Com valor total de R$ 203.509.681,99, a ONG já recebeu R$ 174.277.696,25 e, conforme o vínculo indicado pela transparência governamental, o contrato entre as partes expira em outubro deste ano, ao passo que os demais, assinados em 2019, têm prazo de vencimento em dezembro de 2023.

A reportagem do Correio do Estado entrou em contato com o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI-MS), a fim de saber qual o panorama sobre as verbas utilizadas na saúde indígena de Mato Grosso do Sul, entretanto, não obteve retorno até o fechamento da edição. 

Já a ONG Missão Caiuá informou, por meio de nota, que atua apenas de forma complementar na saúde indígena, com a única obrigação de contratar profissionais de saúde que ficam à disposição do DSEI-MS. 

“Atualmente temos mais de 700 profissionais contratados só aqui em MS, e estes ficam à disposição do governo federal e compõem as equipes de saúde indígena”, disse a entidade.

A ONG acrescentou que o convênio não é responsável por outras despesas, como alimentos, remédios, transportes, entre outros.

“Paralelo a isso, a entidade tem um hospital (Hospital Porta da Esperança) ao lado das aldeias em Dourados e atende de forma gratuita a todos os indígenas (atendimento básico e primário)”.

A Missão Caiuá também reforçou que vive de doações, e os recursos recebidos para o hospital e pelos convênios não podem ser direcionados para a compra de alimentos.

Saiba: Entre os contratos para contratação de profissionais para atuar na saúde indígena que a ONG têm com o governo federal, alguns deles são para atuação na DSEI Yanomami, em Roraima, onde foram identificados casos de desnutrição e óbitos infantis. Por causa disso, o Ministério da Saúde decretou emergência de saúde no local.

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MINISTÉRIO PÚBLICO DE MATO GROSSO DO SUL

Acadepol vira alvo de MPE por perturbação ao silêncio

Estande de tiro é alvo de denúncia desde 2023 por disparos no início da manhã, gás que atinge a moradores e cartuchos que permanecem em telhados de casas

15/09/2026 12h10

Divulgação / Acadepol/MS

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A Academia de Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (Acadepol/MS) virou alvo do Ministério Público do Estado (MPE) após mais uma vez ser denunciada por perturbação ao silêncio. O caso foi registrado como Notícia Fato inicialmente, mas tornou-se Procedimento Administrativo por tramitar desde 2023, quando a instituição foi objeto de investigação pelo mesmo motivo.

Divulgado no Diário Oficial do MPE desta terça-feira (15), o Procedimento busca acompanhar as providências que devem ser tomadas pelo Município de Campo Grande, no exercício do poder de polícia administrativa.

Segundo os autos, em 2023 uma propietária de um edíficio do bairro Jardim Veraneio, onde fica localizado a academia, realizou uma denúncia junto a sua advogada para o Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (GACEP), em razão dos treinamentos que ocorriam no estande de tiros prejudicarem a população ao redor.

Na denúncia foi descrito que os treinamentos realizados no estande utilizavam ainda gases, que afetavam a adultos, animais e crianças moradores de área residencial do outro lado da rua, além do barulho dos disparos e cartuchos de balas que ficavam sob telhados de casas próximas.

A denunciante alegou que os tiros eram disparados em direção a rua, e por isso, os cartuchos permaneciam nos telhados das casas. O documento descreve ainda que as pessoas passavam mal não apenas com os gases, mas "com o barulho ensurdecedor dos tiros que às vezes começam às 7h30 manhã".

O GACEP, responsável pela investigação inicial, solicitou respostas à coorporação, que por sua vez utilizou do tempo de existência da unidade no local para se justificar.

De acordo com a resposta da Acadepol, há 42 anos de permanência no local nunca ocorreram incidentes com o público externo, além de indicarem que buscam melhorias constantes para conforto acústico de populares.

A resposta ainda ressaltou que os disparos são feitos para o lado oposto de prédios e edificações da rua, e que os treinamentos com gás são planejados e feitos de forma segura, ainda que moradores alegaram passar mal com o efeito do agente químico.

Dando a confiabilidade da resposta apresentada que estariam prezando pelos moradores, e tendo em vista que o Escalão Superior foi acionado para conceder um estande de tiro novo e moderno, o GACEP arquivou o caso.

Após a denúncia a academia suspendeu as atividades e deu uma trégua, porém "em razão da manutenção periódica e pós-cursos para manter a conservação e segurança das instalações" conforme relatório da GACEP, de forma que a suspensão não seria definitiva, nem total.

Neste ano a nova denúncia feita pela proprietária, desta vez por meio da Ouvidoria do MPE, registrou que o barulho dos disparos ocorrem durante horário comercial, prejudicando o atendimento de serviços que exigem silêncio, como de advocacia, médicos e outros. 

Conforme os autos, ao ser contatada a denunciante alegou que as atividades retornaram sem as adequações acústicas, e o problema persiste aos moradores e demais frequentadores da região.

O órgão ministerial solicitou então que a Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb) realizasse vistoria in loco no estande de tiro em maio deste ano.

Em relatório, a Planurb registrou que há equipamentos de isolamento acústico no estande em que ocorrem os disparos, como exaustores, parede interna revistida de espuma e ainda construções que planejam aumentar o isolamento.

No entanto, a Acadepol possui área útil de 1.500m² e infrige o artigo 65, inciso II, do Decreto Municipal 14.114/2020, em que devido as circustâncias é enquadrado como potencial poluidor médio e deveria ter um Licenciamento Ambiental para realizar as atividades, o que não foi apresentado até o momento.

Na vistoria foi informado que os disparos acontecem quando possuem treinamentos ou novas turmas, e que o último realizado foi entre março e maio deste ano, com 470 alunos, justamente na época em que ocorreu a denúncia, bem como a vistoria da Planurb em 19 de maio, porém não havia treinamento na data da visita.

Foi solicitado então que a Acadepol apresente o licenciamento e uma nova vistoria aconteça para verificar as condições acústicas e qualidade do isolamento. Porém, devido a alta demanda de serviço, a Planurb solicitou prorrogação do prazo para realizar a nova vistoria, concedida ao final de julho pelo MPE.

O órgão ministerial então converteu a Notícia Fato em Procedimento Administrativo, em razão de depender do término das providências administrativas iniciadas pela Planurb e pela necessidade de monitoramento da regularização ambiental para seguir com o caso e possíveis medidas.

A 26ª Promotoria de Justiça do Meio Ambiente, Patrimônio Histórico, Cultural, Habitação e Urbanismo da Comarca de Campo Grande é responsável por acompanhar o andamento da situação.

DUPLO HOMICÍDIO

Corpos de mãe e filho do Paraná são encontrados em município de MS

A Polícia Civil juntou elementos que indicam tortura no corpo da mulher, antes dela ser executada

15/09/2026 12h00

Mônica Cordeiro, de 41 anos, e seu filho Allan Santos, de 26, eram moradores de Perobal, cidade do Paraná

Mônica Cordeiro, de 41 anos, e seu filho Allan Santos, de 26, eram moradores de Perobal, cidade do Paraná Reprodução

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Uma mãe e seu filho, moradores de Perobal (PR), foram executados no município de Mundo Novo, nesta segunda-feira (14). As vítimas foram identificadas como Allan Santos, de 26 anos, e Mônica Cordeiro, de 41 anos. 

Os corpos foram encontrados na Estrada do Cachimbo, que fica próxima a área conhecida como Linha Seca, a qual se trata da linha internacional de Mundo Novo.

As circunstâncias do crime ainda são investigadas pela Polícia Civil de Mundo Novo. Os investigadores também buscam identificar a motivação do crime.

De acordo com a imprensa local, Allan foi atingido por três tiros, sendo um na região da nuca, enquanto sua mãe sofreu quatro disparos de arma de fogo.

Em análises preliminares, as autoridades encontraram indícios de que Mônica foi torturada antes da execução, pois foram identificados hematomas.

Durante a perícia, também foram identificados vestígios de gasolina nos corpos das vítimas. A evidência aponta que os criminosos pretendiam carbonizar mãe e filho.

O duplo homicídio foi registrado na Delegacia de Polícia Civil de Mundo Novo.

O caso foi atendido pela Polícia Militar e pela Polícia Civil de Mundo Novo, juntamente com a perícia de Naviraí.

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