Desde junho, Israel e o Hezbollah, grupo terrorista que é do Líbano, estão em cessar-fogo. No entanto, mesmo que os bombardeios tenham sido reduzidos gradativamente em relação ao primeiro semestre deste ano, libaneses com ligações com Campo Grande relatam que o perigo e o medo ainda existem diante do cenário de instabilidade da guerra.
Há pouco mais de sete meses, o Correio do Estado reportou a preocupação de famílias com conexões campo-grandenses e libanesas em meio à guerra no Oriente Médio.
Diante do número de mortos e feridos que aumentava dia após dia nos países envolvidos no conflito, um cessar-fogo foi acordado entre Israel e o Líbano, intermediado pelos Estados Unidos. Porém, a continuidade de relatos de violências mútuas e ataques esporádicos tornaram o acordo algo mais teórico do que prático, sendo costumeiramente quebrado.
FAMILIARES
Secretário da Junta Militar, Márcio Jamil nasceu em Campo Grande, mas tem raízes libanesas, e sua mãe e sua irmã moram no país asiático desde 1994, na cidade de Zahlé, que fica a 30 quilômetros da área dos bombardeios. Ao Correio do Estado, ele contou que a quantidade de mísseis lançados diminuiu com o cessar-fogo, mas a região sul ainda tem sofrido com algumas tentativas.
“Não vou falar que terminou a guerra, mas está bem mais calmo. Acho que se atribui isso às negociações que estavam havendo, porque aparentemente eles conseguiram o que eles queriam, que era acabar com o sul do Líbano. Então, eu acredito que pode ser a intervenção dos países, pedindo uma trégua para ver se conseguem resolver a situação do Líbano”, disse à reportagem.
O comentário feito por Márcio Jamil realmente se confirma. Na segunda-feira, Israel voltou a bombardear o sul do Líbano, resultando na morte de uma pessoa e 12 feridos. Segundo o exército israelense, o ataque foi uma resposta a flagrantes violações do acordo de cessar-fogo por parte do Hezbollah.
Antes do retorno desses momentos de tensão, Márcio Jamil aproveitou o cessar-fogo e visitou o Líbano por duas semanas, em agosto. Se antes, em março, ele relatava que a tensão estava “maior que nos outros momentos”, agora ele conta que a “situação aparentemente já está melhor” e que “graças a Deus está todo mundo bem”.
ABDALA E CÔNSUL
Intérprete das Nações Unidas no sul do Líbano e orientador da religião muçulmana, Abdala Dakour nasceu e mora no Líbano, mas mantém conexões em Campo Grande por já ter morado na capital sul-mato-grossense e ainda ter uma propriedade na Rua 14 de Julho, além de um sobrinho residir no Município.
Atualmente, Dakour mora com seus filhos e sua esposa em Rafid, uma vila no distrito de Rashaya com habitantes predominantemente muçulmanos sunitas. Mesmo sem pisar em Campo Grande desde 2001, o líder religioso pensa em voltar à cidade ainda este ano ou em 2027, mas depende dos imbróglios políticos libaneses.
Em nova conversa com o Correio do Estado, ele relata que a situação está um “pouco melhor”, mas que a continuidade desse momento menos tenso “depende da política do Trump”, fazendo uma referência às mediações feitas pelos Estados Unidos nos últimos meses nas negociações de paz entre Israel e Líbano. Inclusive, o bombardeio de segunda-feira ocorreu um dia depois de mais uma rodada de negociações de paz entre os dois países.
Cônsul honorário do Líbano em Mato Grosso do Sul, Eid Toufic Anbar também conversou com a reportagem sobre o momento atual.
“Os bombardeios continuam onde tem pessoas dos partidos Hezbollah e Hamas, que são financiados pelo Irã e estão infiltrados no meio dos libaneses. Além do sul, os bombardeios têm ocorrido também na capital do Líbano”, contou.
TRÊS ANOS
Na semana passada, a guerra no Oriente Médio completou três anos, após os ataques do grupo Hamas (movimento político e militar palestino sunita) ao sul de Israel, a partir de Gaza. A operação resultou na morte de aproximadamente 1.200 pessoas e no sequestro de 251 reféns.
Em resposta, bombardeios comandados por Benjamin Netanyahu, líder israelense, mataram mais de 74 mil palestinos.
Em 9 de outubro de 2025, cerca de dois anos depois das ofensivas, um acordo de cessar-fogo, considerado extremamente frágil, foi oficializado, com o intermédio dos Estados Unidos.
Desde então, quase 1.500 pessoas morreram, média de quatro óbitos por dia.


