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Luto

Morre Mano Xis, um dos pioneiros do rap e ícone da cultura de Campo Grande

Artista, que enfrentava um câncer de próstata, morreu neste domingo (11); integrante do Falange da Rima, ele ajudou a construir a história do hip-hop em Mato Grosso do Sul

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A cultura de Campo Grande perdeu, na madrugada deste domingo (11), uma de suas vozes mais representativas. Morreu o rapper Márcio Leite Fernandes, conhecido artisticamente como Mano Xis, um dos pioneiros do hip-hop em Mato Grosso do Sul e integrante histórico do grupo Falange da Rima.

O músico enfrentava um câncer de próstata e deixa uma trajetória marcada pela valorização das periferias, pela resistência cultural e pela consolidação do rap no cenário artístico sul-mato-grossense.

A morte foi confirmada por familiares à imprensa e lamentada pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), que destacou a contribuição do artista para a formação de gerações de músicos e para o fortalecimento da cultura urbana no Estado.

Mano Xis integrou o movimento que, a partir da década de 1990, transformou o hip-hop em uma importante expressão artística de Campo Grande.

Em uma época em que o gênero ainda enfrentava dificuldades para conquistar espaço nos eventos culturais e reconhecimento institucional, artistas como ele encontraram nas rimas uma maneira de denunciar desigualdades e retratar a realidade das comunidades periféricas.

Sua trajetória ficou especialmente ligada ao Falange da Rima, grupo criado em 1998, na Capital, e reconhecido como um dos principais representantes do rap sul-mato-grossense.

Com músicas de forte conteúdo social, o coletivo ajudou a levar aos palcos discussões sobre pobreza, violência, preconceito racial, exclusão social e consciência política.

Mais do que um estilo musical, o rap representava, para aquela geração, uma ferramenta de expressão e pertencimento. Por meio das apresentações e composições, o grupo deu visibilidade a histórias e experiências que raramente encontravam espaço na produção cultural tradicional.

Uma trajetória que ajudou a construir o hip-hop de MS

A história de Mano Xis se confunde com a expansão da cultura hip-hop em Mato Grosso do Sul. O movimento, que começou a ganhar força em Campo Grande durante os anos 1980, encontrou nas décadas seguintes espaço para crescer, impulsionado pelo breaking, pela música, pelo grafite e pela organização de artistas independentes.

O Falange da Rima foi um dos grupos responsáveis por consolidar essa trajetória. Formado em Campo Grande, tornou-se referência para outros músicos que passaram a enxergar no rap uma possibilidade de expressão artística e de transformação social.

Em 2001, o grupo lançou o trabalho Mariposa Assassina, um dos marcos de sua discografia. O lançamento ocorreu em 11 de setembro daquele ano, data que também ficou marcada pelos atentados terroristas nos Estados Unidos.

Posteriormente, o coletivo ampliou sua produção com o álbum Esquadrão Mariposa, lançado em 2013, e o single Oração da Serenidade, de 2019.

Entre as músicas que marcaram a trajetória do Falange da Rima estão Circo dos Horrores, Abrakadabra, Capital sem Favela, O Pano do Rei e Passos Indecisos.

As composições ajudaram a construir uma identidade própria para o rap produzido em Mato Grosso do Sul, relacionando questões sociais à realidade local.

O reconhecimento institucional também chegou. Em 2022, o grupo esteve entre os homenageados do Festival Campão Cultural, em reconhecimento à sua contribuição para a música e para a história cultural do Estado.

Em dezembro de 2024, Mano Xis ainda integrava a formação anunciada para o encerramento do projeto Som da Concha, na Concha Acústica Helena Meirelles, no Parque das Nações Indígenas.

A apresentação foi concebida como uma homenagem à música regional, aproximando as rimas do grupo de referências como Almir Sater, Délio e Delinha e Bêbados Habilidosos.

A participação em projetos como esse representava uma conquista para um movimento que, durante décadas, buscou reconhecimento e espaço nas políticas culturais.

Artista enfrentava problemas de saúde

Nos últimos anos, Mano Xis passou a enfrentar problemas de saúde. Em novembro de 2024, o rapper sofreu um infarto e, no início de 2025, recebeu o diagnóstico de câncer de próstata maligno.

Em agosto daquele ano, a situação do músico ganhou repercussão após ele tornar pública a necessidade de assistência para iniciar o acompanhamento médico especializado. Na ocasião, relatou dificuldades relacionadas à doença e à busca por atendimento hospitalar.

O artista continuou sendo reconhecido como uma das referências históricas do hip-hop campo-grandense. Segundo informações divulgadas por familiares à imprensa neste domingo, ele enfrentava um câncer. A causa médica imediata da morte não foi detalhada.

A perda acontece pouco mais de um ano após a morte de outro nome histórico do Falange da Rima, o rapper Flynt, André Luiz Monteiro Aguirres, que morreu em 8 de setembro de 2025, aos 53 anos.

As duas mortes representam perdas importantes para a geração de artistas que participou da construção e da consolidação do hip-hop em Campo Grande.

Fundação de Cultura lamenta morte

Em nota de pesar, a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul destacou a importância de Mano Xis para a identidade cultural do Estado e reconheceu sua influência sobre diferentes gerações de artistas.

Para a instituição, a presença do rapper ao longo de décadas contribuiu para a formação de público, a valorização da cultura de rua e o fortalecimento de um movimento que passou a ocupar lugar de destaque na produção artística sul-mato-grossense.

"Mais do que um artista, Mano Xis deixa um legado", destacou a fundação.

O órgão também manifestou solidariedade aos familiares, amigos, integrantes do Falange da Rima e à comunidade do hip-hop.

A trajetória de Mano Xis permanece ligada à história de uma geração que transformou experiências das ruas e das periferias em expressão artística. Sua contribuição ultrapassou os palcos, ajudando a consolidar o rap como parte da memória cultural de Campo Grande.

 

VIOLÊNCIA NO INTERIOR

Ataque a tiros em bar deixa homem morto na cidade de Caarapó

Criminosos chegaram de motocicleta e dispararam contra a vítima, que comprava cerveja em um estabelecimento

11/10/2026 09h30

Homem foi morto com mais de cinco tiros em estabelecimento comercial de Caarapó, na noite de sábado (10)

Homem foi morto com mais de cinco tiros em estabelecimento comercial de Caarapó, na noite de sábado (10) Reprodução

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A noite de sábado (10) terminou com um homem assassinado a tiros em Caarapó, no sul de Mato Grosso do Sul. A vítima, identificada inicialmente apenas pelo apelido de Carlinhos, foi surpreendida por dois homens armados enquanto comprava cerveja em um bar na região do bairro Santo Antônio.

O crime ocorreu na Rua Projetada 6. Segundo o site Caarapó News, os suspeitos se aproximaram do estabelecimento em uma motocicleta e efetuaram uma sequência de disparos contra o homem, que foi atingido mais de cinco vezes.

A vítima caiu perto de um Chevrolet Prisma branco, estacionado nas proximidades. Uma lata de cerveja estava em suas mãos quando foi baleada. Ainda não se sabe se o automóvel era de sua propriedade ou se tinha alguma ligação com o ocorrido.

Após os disparos, os dois envolvidos deixaram o local na motocicleta. Até a última atualização das informações, nenhum suspeito havia sido localizado.

A Polícia Militar esteve no endereço e preservou a área da ocorrência. Informações preliminares apontam que Carlinhos não residia em Caarapó e estaria na cidade apenas temporariamente, mas sua identidade e procedência ainda não foram esclarecidas.

A Polícia Civil deverá apurar o que motivou o ataque e trabalhar na identificação dos autores. Não há, por enquanto, informações sobre possíveis desavenças envolvendo a vítima.

OPERAÇÃO PROTETOR

Dois suspeitos morrem em confronto com o Choque em Rio Brilhante

Ações ocorreram após denúncia de possível planejamento de crimes na cidade; um dos mortos seria comparsa de Jonas, morto em operação policial em Sidrolândia na sexta-feira (9)

11/10/2026 08h25

As ações ocorreram durante a Operação Protetor, após a Polícia Militar receber informações de que suspeitos armados estariam se preparando para cometer crimes na região

As ações ocorreram durante a Operação Protetor, após a Polícia Militar receber informações de que suspeitos armados estariam se preparando para cometer crimes na região Foto: Rio Verde News

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Dois homens morreram após confrontos com policiais militares do Batalhão de Choque em Rio Brilhante, município localizado a cerca de 160 quilômetros de Campo Grande. As ações ocorreram durante a Operação Protetor, após a Polícia Militar receber informações de que suspeitos armados estariam se preparando para cometer crimes na região.

Um dos mortos foi identificado como Anderson Gabriel Barreto de Morais, de 24 anos, conhecido pelo apelido de “Mandrake”. Segundo as informações levantadas, ele estava foragido da Justiça e possuía mandado de prisão por roubo. Anderson também é apontado como comparsa de Jonas Gabriel de Souza Sales, de 19 anos, morto na sexta-feira (9), durante uma operação policial em Sidrolândia.

A ligação entre os dois é reforçada por uma fotografia em que aparecem juntos, com um revólver sobre o braço de um sofá. Conforme informações preliminares, ambos teriam participado de crimes na região. A eventual relação entre as ocorrências ainda deverá ser esclarecida pelas autoridades.

De acordo com o Batalhão de Choque, a ocorrência em Rio Brilhante teve início após uma denúncia anônima recebida pelo telefone 190. O relato indicava que um homem vindo de Sidrolândia estaria armado em um imóvel da cidade, aguardando a chegada de outro suspeito para a prática de crimes.

Durante as diligências, os militares localizaram o primeiro homem na residência indicada. Segundo a versão policial, ele estava armado e, ao perceber a aproximação da equipe, correu para o interior do imóvel e efetuou um disparo contra os agentes.

Os policiais reagiram e atingiram o suspeito. Após ser desarmado, ele recebeu atendimento e foi encaminhado ao Hospital Beneficente de Rio Brilhante, mas não resistiu aos ferimentos.

Ainda durante a operação, outro homem, que havia fugido pelos fundos da residência, foi localizado por equipes da Rondas Ostensivas Táticas e Ações de Choque (Rotac) em um segundo endereço do município.

Conforme a Polícia Militar, o suspeito também teria atirado contra os policiais durante a tentativa de abordagem. Houve reação da equipe e o homem acabou baleado. Ele foi socorrido, mas também morreu. O homem foi identificado como Gesiel Erion de Oliveira Brás, de 25 anos.

As armas encontradas nos locais dos confrontos foram apreendidas, assim como os armamentos utilizados pelos policiais envolvidos, para os procedimentos legais e administrativos.

Os militares também recolheram documentos relacionados à locação de um dos imóveis e registros de movimentações financeiras que serão analisados pelas autoridades responsáveis pela investigação.

Ligação com grupo criminoso

As mortes de Anderson e Gesiel ocorrem em meio a uma sequência de operações policiais contra suspeitos de integrar grupos criminosos com atuação em municípios do interior de Mato Grosso do Sul.

Na sexta-feira (9), quatro pessoas apontadas como integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) morreram durante uma ação conjunta do Batalhão de Choque e do Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (Garras), em Sidrolândia.

Entre os mortos estava Jonas Gabriel de Souza Sales, de 19 anos, apontado como comparsa de Anderson. Também morreram Miguel Felipe Santana, de 17 anos, Vanessa Thiel de Almeida, de 19, e Thalyson Miguel Acosta de Oliveira, de 21 anos.

Conforme divulgado pelo Correio do Estado, os policiais foram até uma residência na Rua Dolício Pereira da Silva, no Bairro Alto da Figueira, para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes do grupo.

Segundo o major Cleyton, do Batalhão de Choque, os quatro suspeitos estavam armados e teriam reagido à abordagem policial em diferentes pontos do imóvel. Todos foram atingidos, socorridos e encaminhados ao Hospital Elmíria Silvério Barbosa, mas não resistiram.

Durante a operação, foram apreendidas quatro armas de fogo, sendo dois revólveres calibre .38, um revólver calibre .32 e uma pistola calibre 7,65 mm. Uma motocicleta Honda Fan 125, suspeita de ter sido utilizada em atentados criminosos, também foi recolhida.

Mortes em intervenções policiais

As ocorrências acontecem em um ano marcado pelo aumento das mortes decorrentes de intervenções policiais em Mato Grosso do Sul.

Conforme dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) divulgados anteriormente pelo Correio do Estado, o Estado registrou 150 mortes por intervenção legal de agentes de segurança em 2026, número que já superava o registrado em 2023, quando houve 131 mortes.

Somente neste ano, segundo balanço apresentado pelo Batalhão de Choque, a unidade contabilizou 348 prisões em flagrante, 165 capturas de foragidos da Justiça, 93 veículos recuperados e 172 armas de fogo apreendidas.

Ainda conforme a corporação, aproximadamente 14 toneladas de drogas foram apreendidas, representando prejuízo estimado em R$ 14 milhões ao crime organizado.

As circunstâncias dos dois confrontos em Rio Brilhante, assim como a possível participação de outros envolvidos e eventuais conexões com o grupo morto em Sidrolândia, seguem sob apuração das autoridades competentes.

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