Mato Grosso do Sul deve descartar, nas próximas semanas, cerca de 142,5 mil doses de vacina contra a gripe.
Ao Correio do Estado, a coordenadora estadual de Vigilância Epidemiológica, Ana Paula Rezende de Oliveira Goldfinger, explicou que as doses desatualizadas contra a influenza serão armazenadas pelos municípios até a chegada de novas vacinas atualizadas para a proteção contra a cepa Darwin.
Para este ano, é previsto que a campanha contra a gripe tenha início na segunda quinzena de março. De acordo com Goldfinger, as vacinas não são recolhidas pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) e cabe a cada município realizar o descarte correto, conforme as diretrizes do Plano Nacional de Imunização (PNI).
Desde o início da Campanha Nacional de Vacinação Contra a Influenza, em abril de 2021, o público-alvo estimado apto a receber o imunizante em MS era de 1.081.975 pessoas.
Deste modo, o Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde encaminhou para MS 1.287.200 doses contra a influenza, das quais 1.144.651 foram aplicadas até esta segunda-feira (14).
Com a prorrogação da campanha, as sobras das vacinas foram destinadas para toda a população a partir de seis meses de idade em novembro.
“Estamos com 78,9% de vacinados dentro dos grupos preconizados. Essa porcentagem é referente às vacinas fornecidas pelo Ministério da Saúde”, afirmou Goldfinger.
Segundo Ana Paula, é preciso levar em conta que existe uma grande parte da população que fez a aquisição do imunobiológico de modo privado.
“Temos ainda municípios que recebem as doses direto do Instituto Butantan como forma de doação, além das empresas que adquirem vacinas importadas e o porcentual também não entra para o balanço do PNI. Por isso, digo que tivemos uma boa adesão à vacinação contra a gripe no Estado”, disse.
PREJUÍZO
De acordo com levantamento realizado pelo Correio do Estado em dezembro de 2021, o preço de uma vacina contra a gripe em laboratórios da rede privada variava entre R$ 40 e R$ 170, em Campo Grande.
Neste cenário, o descarte de 142,5 mil doses deixaria um prejuízo de R$ 5,7 milhões, considerando o menor preço; ou de R$ 24 milhões, levando em conta a vacina mais cara.
É importante salientar que esse comparativo é apenas uma projeção do que o descarte de vacinas custaria, caso as doses fossem adquiridas pelo governo federal por valores semelhantes aos pagos pelas redes privadas da Capital.
CAPITAL
Em Campo Grande, todo o estoque de vacinas contra influenza está distribuído nas unidades de saúde do município. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), em janeiro, foram aplicadas 12.230 doses na população geral acima de 6 meses.
Desde o início da campanha de vacinação no ano passado, foram aplicadas 313.514 doses da vacina contra influenza, das quais 197.293 foram administradas somente no público prioritário.
Conforme a Pasta, dentro da baixa adesão à vacinação, apenas o público de crianças de seis meses a seis anos de idade atingiu a meta de 90% estipulada pelo Ministério da Saúde.
Em anos anteriores, era possível verificar outros três grupos que também ultrapassaram esta margem, sendo eles idosos, trabalhadores da saúde e da educação, e no ano de 2021 nenhum atingiu este índice de imunização.
Segundo a Superintendente de Vigilância em Saúde da Sesau, Veruska Lahdo, quem tomou a vacina recentemente poderá receber a dose atualizada já no próximo mês, caso faça parte dos públicos alvos.
“Quem ainda não tomou, temos algumas unidades de saúde com o saldo remanescente de doses do ano passado, não há prejuízo caso essa pessoa tome a vacina agora e ela faça parte da campanha para este ano. Ela poderá tomar normalmente a nova vacina, caso seja do grupo prioritário da campanha de 2022”, salientou Lahdo.
PRODUÇÃO
A vacina contra influenza que será distribuída no Sistema Único de Saúde (SUS) este ano já está em produção pelo Instituto Butantan. Ela é trivalente, composta pelos vírus H1N1, H3N2, do subtipo Darwin, e a cepa B.
O Butantan produz anualmente 80 milhões de doses da vacina contra influenza ofertadas na campanha nacional de vacinação. Justamente por ser sazonal, o imunizante é modificado a cada ano, baseado nos três subtipos do vírus influenza que mais circularam no último ano no hemisfério sul monitorados e indicados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
“Já produzimos 100% do Insumo Farmacêutico Ativo [IFA] da H1N1 em setembro. Estamos em vias de terminar o IFA da cepa B e em janeiro começamos a produzir o IFA da H3N2. Na primeira quinzena de fevereiro, está previsto o envase”, disse o diretor de Produção do Instituto, Ricardo Oliveira.
Casos
O surto de contágio pelo subtipo H3N2 do vírus influenza A resultou no estágio de pandemia de gripe em MS. Desde dezembro do ano passado, 432 casos e 80 mortes em decorrência de complicações da gripe já foram registrados no Estado.