Está em estudo em Mato Grosso do Sul, segundo o secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, a implantação de um passaporte da vacina contra a Covid-19.
A iniciativa pode contribuir para que o Estado alcance a tão sonhada imunidade coletiva, já que ainda são necessários 99.461 pessoas tomarem a primeira dose de algum imunizante.
Com esse número, MS atingiria os 75% de pessoas vacinadas, porcentual pedido para conseguir controlar a pandemia.
O número foi um recorte dos dados do Vacinômetro do governo do Estado, retirado pela reportagem até as 16h30min de ontem.
De acordo com Resende, ainda não há informações sobre como funcionaria esse passaporte nem quando ele passaria a entrar em vigor, entretanto, a discussão dessa ferramenta já é um discurso diferente do que havia sido feito pelo secretário de Infraestrutura, Eduardo Riedel, presidente do Programa de Saúde e Segurança na Economia (Prosseguir), em agosto.
Em transmissão ao vivo no dia 10 de agosto, o titular da Seinfra descartou esta possibilidade. “Por parte do Estado, não existe hoje uma definição de ter de apresentar carteirinha de vacinação, e vai se manter do jeito que está”.
Ontem, porém, após outros estados anunciarem a implantação dessa medida, Resende mudou o discurso. “Estamos discutindo isso, ainda é uma questão que precisa de consenso, estamos alinhando com todos os municípios. É um assunto em construção”, declarou.
Em Campo Grande, onde a busca pelos “fujões” da vacina também tem acontecido, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) afirmou, por meio de nota, que o passaporte também está em discussão. Postura também diferente da que havia tomado o prefeito Marcos Trad (PSD), também em agosto. Na época, ele afirmou que aguardaria uma posição do governo federal.
“Nós estamos aguardando a decisão nacional, não cabe aos estados e aos municípios escolherem de maneira distante da decisão deles. Ou serve para o País ou não serve para o País”, disse o prefeito no dia 16 de agosto.
Na nota de ontem, entretanto, a postura foi outra. “A adoção de um passaporte é uma possibilidade, porém carece de maior discussão entre todos os setores da sociedade, além de aprofundamento quanto à viabilidade legal”.
Em Campo Grande, a chegada da imunidade coletiva está próxima, mas esbarra justamente nas pessoas que não quiseram tomar nenhuma dose das vacinas disponíveis até agora ou naquelas que querem selecionar qual o imunizante vão tomar.
A cidade precisa que 23.326 pessoas recebam a primeira dose, número apurado pela reportagem com dados da Sesau até as 16h30min de ontem.
Em Mato Grosso do Sul, a única cidade a ter essa medida foi Chapadão do Sul, que determinou a apresentação de comprovante de ao menos uma dose de vacina para entrar em estabelecimentos comerciais e eventos.
IMUNIDADE COLETIVA
A imunidade coletiva, que surge quando muitas pessoas já estão imunes contra uma infecção e, com isso, dificultam a ampla transmissão do vírus, no caso das vacinas aplicadas no Brasil, tendem a ser alcançadas com um porcentual de 75% da população geral vacinada, segundo dados da pesquisa feita em Serrana (SP), onde houve vacinação em massa com a Coronavac.
O porcentual é um pouco acima do informado em outras doenças, em que modelos matemáticos diziam que esse patamar seria alcançado quando houvesse de 60% a 70% dos indivíduos de uma comunidade com anticorpos.
Até ontem, Mato Grosso do Sul tinha 1.799.214 pessoas com a primeira dose e 230.716 com a dose única, o que significa que 2.029.930 pessoas receberam ao menos uma vacina.
Para chegar nesses 75%, é necessário que 2.129.391 tenham a primeira e a segunda dose ou a única, então, para que este caminho seja trilhado são necessários que 99.461 pessoas procurem a primeira dose da vacina no Estado.
No caso da Capital, eram 617.827 com a primeira dose, 45.584 com a aplicação única, o que resulta em 663.411 vacinados, mas 75% da população corresponde a 687.000 pessoas, uma diferença de 23.589 pessoas.
Segundo a Sesau, a Pasta tem feito a busca ativa por essas pessoas e tentado outras estratégias para conseguir alcançar os que ainda não se vacinaram.
“O município tem feito o contato com estas pessoas via mensagem de WhatsApp e trabalhado nas ações educativas e de conscientização por meio das redes sociais e apoio da imprensa local, que tem nos auxiliado na difusão das informações e sensibilização da sociedade", declarou a Pasta, em nota.
"A prefeitura tem realizado ainda ações itinerantes que estão percorrendo bairros de maior vulnerabilidade e locais de grande circulação de pessoas, como supermercados e terminais de ônibus, com o objetivo de ampliar ainda mais a vacinação”, completou.
PAÍS
A criação de um passaporte para os vacinados não é novidade, o sistema já foi criado por cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. Na Capital paulista, a medida começou a valer ontem, em que é necessário ao menos uma dose para a entrada em todos os eventos com público superior a 500 pessoas.
No Rio de Janeiro, apesar de decreto colocar a medida em validade desde ontem, a prefeitura decidiu adiar para o dia 15. O comprovante será exigido para a entrada em estabelecimentos de uso coletivo.
Outro exemplo é a Bahia, onde o sistema não funciona, mas o governador Rui Costa (PT) disse que a volta das torcidas aos estádio está condicionada a obrigatoriedade da vacinação.