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Mulheres vítimas de violência doméstica terão preferência em cirurgia reparadora pelo SUS

Publicada ontem, a determinação é uma mudança na Lei Maria da Penha

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Foi publicada nesta quinta-feira (13), no Diário Oficial da União, a lei que dá prioridade a mulheres vítimas de violência doméstica na realização de cirurgias plásticas para reparação de lesões através do Sistema Único de Saúde (SUS). A mudança foi feita mediante uma alteração em um trecho da Lei Maria da Penha de nº 11.340.


Alteração permitirá que a mulher em situação de violência tenha preferência na realização do procedimento cirúrgico. A legislação atual já previa o direito à realização de plástica em caso de sequelas, na rede pública de saúde, contudo, elas passarão a ter atendimento prioritário.


Portanto, a lei prevê que os hospitais e os centros de saúde pública, ao receberem as vítimas de violência, deverão informá-las da possibilidade de acesso gratuito à cirurgia plástica para reparação das lesões ou sequelas.


A vítima de violência grave que tiver necessidade de plástica deverá ir até uma unidade de saúde que realize o procedimento, com o registro policial de ocorrência da agressão.


O profissional de saúde deverá indicar a necessidade da cirurgia por meio de diagnóstico formal, e em seguida encaminhar ao responsável pela unidade para sua autorização.


Em caso onde o médico se negar a informar o direito para a paciente, o mesmo poderá ser punido com multa equivalente a 10 vezes o valor do salário, perda da função e proibição de ser contratado pelo poder público e receber benefícios ou incentivos fiscais por quatro anos.

A Lei Nº 14.887, que determina essa medida, foi publicada pelo presidente da República em exercício, Geraldo Aclkmin, e dos ministros Silvio Almeida (Direitos Humanos), Simone Tebet (Planejamento) e Nísia Trindade (Saúde).

 

LEI MARIA DA PENHA

A lei Maria da Penha de número 11.340, criada em 7 de agosto de 2006, teve como motivação o caso da ativista cearense que dá nome à legislação. Maria ficou paraplégica após ser baleada nas costas pelo marido enquanto dormia. O caso aconteceu em 1983, quando ela tinha 38 anos.

Maria da Penha Maia Fernandes nasceu em 1945, na cidade de Fortaleza, no estado do Ceará, Brasil. Sua vida é marcada por uma história de superação e luta pelos direitos das mulheres vítimas de violência doméstica.

Em 1983, quando seu marido tentou assassiná-la pela primeira vez, ela foi alvejada pelas costas enquanto dormia, deixando-a paraplégica. Em seguida, ele tentou eletrocutá-la durante o banho. Apesar das evidências e do testemunho de suas filhas, o agressor não foi devidamente responsabilizado, e Maria da Penha teve que lutar por mais de duas décadas por justiça.

Sua batalha legal começou em 1984, quando denunciou seu marido à polícia. No entanto, devido à demora do sistema judicial brasileiro, foi apenas em 1991 que ele foi condenado a 15 anos de prisão. No entanto, graças a recursos legais, ele permaneceu em liberdade.

Inconformada com a impunidade do agressor, Maria da Penha buscou apoio em organizações de direitos humanos e em 1998, com o auxílio do Centro pela Justiça e pelo Direito Internacional (CEJIL) e do Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (CLADEM), levou o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos).

A Comissão Interamericana condenou o Estado brasileiro pela negligência e omissão em relação ao caso de Maria da Penha, considerando-o como um exemplo da violência sistemática enfrentada pelas mulheres no Brasil. Como resultado dessa pressão internacional, o Brasil foi compelido a criar uma legislação mais rigorosa para combater a violência doméstica.

Em 2006, após anos de mobilização e pressão, a Lei Maria da Penha foi finalmente promulgada, tornando-se um marco na luta contra a violência doméstica no Brasil. A lei estabelece medidas de proteção às mulheres em situação de violência, prevê a criação de centros de referência e delegacias especializadas, e endurece as penas para os agressores.

Formada em Farmácia e Bioquímica, Maria, hoje aos 76 anos, continua a ser uma voz ativa na defesa dos direitos das mulheres e na luta contra a violência de gênero.

 

Prevenção

Governo antecipa programa que atua na prevenção de incêndios

Além de 170 mil bombeiros atuando no Pantanal, comunidades indígenas, organizações da sociedade civil e produtores rurais irão receber para montarem brigadas de incêndio

03/04/2025 11h00

Bombeiros e brigadistas em contenção de avanço do fogo no Pantanal

Bombeiros e brigadistas em contenção de avanço do fogo no Pantanal Foto: Brigada Alto Pantanal/IHP

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Previsto inicialmente para maio ou junho, o edital do Pagamento por Serviço Ambiental (PSA) Brigadas vai ser lançado ainda em abril.

O adiantamento do programa foi feito para ampliar os esforços na prevenção e combate aos incêndios florestais que anualmente atingem o Pantanal.

O PSA Brigadas vai destinar recursos a iniciativas de comunidades indígenas, organizações da sociedade civil e produtores rurais. Os projetos contemplados receberão apoio financeiro para estruturação, aquisição de equipamentos e capacitação de brigadas.

Segundo o secretário-adjunto da Semadesc, Artur Falcette, o programa permitirá que essas organizações se formalizem junto ao Corpo de Bombeiros como brigadistas.

"O Governo vai transferir recursos para que possam formar brigadas e atuar diretamente na prevenção e combate aos incêndios florestais", explica Falcette.

Monitoramento

Para garantir a eficácia das ações preventivas contra incêndios florestais, o governo também está investindo em infraestrutura no Pantanal. Estações meteorológicas serão instaladas e três aeródromos construídos para facilitar a resposta a emergências.

Além disso, bases avançadas permanentes do Corpo de Bombeiros serão estabelecidas na região. Durante os meses críticos de estiagem, mais de 170 militares atuarão diariamente no combate ao fogo.

Outro programa

Além do PSA Brigadas, também será lançado em abril o edital para selecionar uma organização parceira que executará o PSA Conservação e Biodiversidade.

Essa modalidade vai remunerar proprietários rurais que preservam vegetação nativa além do mínimo exigido por lei. O valor pago será de R$ 55 por hectare por ano, podendo chegar a até R$ 100 mil por propriedade.

Os recursos serão provenientes do Fundo Clima Pantanal, que contará com um aporte anual de R$ 40 milhões entre 2025 e 2030.

Pacto Pantanal

Os dois programas integram o Pacto Pantanal, maior iniciativa brasileira de conservação ambiental, que prevê investimentos de R$ 1,4 bilhão até 2030.

O pacto inclui ações em infraestrutura, saúde, educação e produção sustentável no bioma pantaneiro, que possui ainda 84% de sua vegetação preservada. 

Na infraestrutura serão desenvolvidas cadeias produtivas, conservação de solo e drenagem, estruturas de apoio à pecuária e demais atividades do Pantanal.

Para a educação haverá a implantação de novas escolas rurais, além de capacitação dos funcionários das unidades.

Já na saúde e saneamento, o Estado prevê a promoção do acesso a água limpa, unidades rurais de tratamento de esgoto e investimentos no Hospital de Corumbá.

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Tráfico

Apreensão de uma tonelada de cocaína em um dia expõe fragilidade da fronteira

PRF fez duas apreensões, uma em Terenos e outra na fronteira de MS com o Paraná, que totalizaram 1,1 tonelada da droga

03/04/2025 09h30

Maior apreensão do ano de cocaína aconteceu na divisa do PR com MS

Maior apreensão do ano de cocaína aconteceu na divisa do PR com MS Foto: Divulgação/PRF

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Em apenas um dia, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu 1,1 tonelada de cocaína que entrou no Brasil por meio da fronteira de Mato Grosso do Sul. Esses flagrantes mostram a fragilidade da fronteira do Estado com o Paraguai e a Bolívia, por onde entram grande parte da droga que circula no País.

A primeira apreensão ocorreu na divisa de Mato Grosso do Sul com o Paraná, no município de Alto Paraíso, cidade que fica a apenas 95 quilômetros de Naviraí. Essa, inclusive, foi a maior carga da droga encontrada pela PRF neste ano.

De acordo com a PRF, a apreensão ocorreu durante a abordagem de uma carreta carregada com soja, na manhã de terça-feira, conduzida por um motorista de 52 anos, que disse ser morador de Ponta Porã, cidade na fronteira com o Paraguai. 

Durante a vistoria ao caminhão, os policiais encontraram um fundo falso onde estavam 673,5 quilos de cocaína. A droga, de acordo com o condutor, teria sido carregada em Amambai, no sul do Estado, e teria como destino o município paranaense de Paranaguá, onde fica localizado um dos maiores portos do País e por onde milhares de quilos da droga são mandados para outros países.

A segunda apreensão ocorreu já bem próximo de Campo Grande, em Terenos, na BR-262, na tarde de terça-feira. Com ajuda de cães farejadores, agentes da PRF descobriram 452 kg de cocaína em meio a uma carga de minério. 

Segundo nota da instituição, “os policiais fiscalizavam na BR-262, quando abordaram um caminhão que transportava minério de ferro em dois reboques. Os policiais desconfiaram de adulterações em um dos reboques e utilizaram os cães de faro da PRF para uma vistoria minuciosa”.

Depois que os cães K9 Amélia, Bred e Dallas indicaram a presença de drogas, os minérios foram descarregados em Campo Grande e 16 fardos com a cocaína foram encontrados. 

O motorista disse ter carregado em Corumbá, cidade que faz fronteira com a Bolívia e grande produtora de cocaína, e entregaria a droga em Campo Grande, mas a PRF não revelou detalhes sobre o local em que ele faria a entrega.

Somadas, essas duas cargas que saíram de Mato Grosso do Sul totalizaram 1,1 tonelada de cocaína, produtos que passaram com poucas horas de diferença pelas duas fronteiras do Estado.

Neste ano, até o fim de março, as forças policiais de Mato Grosso do Sul já haviam apreendido 4,2 toneladas de cocaína, segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). 

Esse valor é o segundo maior para o período, ficando atrás apenas de 2022, quando foram apreendidos 4,6 toneladas no primeiro trimestre do ano.

Maior apreensão do ano de cocaína aconteceu na divisa do PR com MS

Em entrevista ao Correio do Estado, na semana passada, o superintendente da PRF em Mato Grosso do Sul, João Paulo Pinheiro Bueno, já havia afirmado que a quantidade da droga apreendida neste ano caminhava para um possível novo recorde.

“Neste ano a gente caminha para mais um patamar que talvez bata o recorde ou mantenha, pelo menos, no mesmo nível a quantidade de apreensões, que continua grande. A gente sabe que, hoje, as organizações criminosas entenderam Mato Grosso do Sul como uma nova rota, principalmente para o tráfico de cocaína, e estão utilizando o nosso estado para isso”, declarou o superintendente.

“A cocaína, diferentemente da maconha, é trazida em pouca quantidade e tem um alto valor agregado. Antigamente, ela vinha em compartimentos secretos nos veículos, com 50 kg, 30 kg ou 10 kg, às vezes era pasta base. Hoje em dia, a cocaína está vindo em grandes quantidades”, completou Bueno.

Saiba 

Outra preocupação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) é com a Rota Bioceânica, que pode acabar se tornando uma terceira rota de tráfico de drogas e contrabando em Mato Grosso do Sul.

*Colaborou Neri Kaspary

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