Mato Grosso do Sul confirmou os três primeiros casos da variante Delta da Covid-19, considerada a mais contagiosa das cepas da doença.
Neste cenário, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) já projeta estratégias para evitar que a circulação da mutação faça crescer o número de casos, internações e óbitos.
Uma delas, segundo o titular da SES, Geraldo Resende, é a implantação do passaporte da vacina.
“Estamos estudando quais as estratégias que vamos tomar. Uma delas é adotar o passaporte da imunidade em MS, deixar restrito o ingresso em espaços públicos [apenas] para quem já tenha se vacinado. Queremos construir isso com as entidades do setor, com comércio, entretenimento e bares e restaurantes, para que possamos forçar aqueles que teimam em não se vacinar, achando que a vontade individual se sobrepõe ao coletivo”, declarou Resende.
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Ainda não há informações sobre como e quando essa medida seria adotada, mas uma reunião entre a SES e todos as prefeituras de Mato Grosso do Sul deve ocorrer ainda nesta semana.
Além do passaporte, Resende afirmou que o avanço na aplicação da segunda dose e da dose de reforço será solicitado aos municípios, como forma de ajudar a conter a variante ou, ao menos, para que ela não ocasione casos graves ou mortes.
“Queremos mais celeridade na aplicação das vacinas e do reforço. Vamos fazer uma reunião na quarta ou quinta-feira para construir a estratégia para avançar ainda mais a vacinação e atingir a imunidade coletiva. Temos que ter um olhar atento para quem não tomou a segunda dose ou quem ainda não tomou a vacina e vacinar os idosos de 70 anos com a dose de reforço. Se tiver vacina suficiente, dar para os acima de 60 anos também esse reforço”, continuou o secretário.
Como ainda são poucos os idosos que estão aptos a tomar a terceira dose em Mato Grosso do Sul, por causa da determinação de que haja uma diferença de seis meses completos entre a segunda dose e o reforço, a SES decidiu que reduzirá esse aprazamento para cinco meses.
“Percebemos que com o aprazamento de seis meses vai demorar muito para aplicar essas doses, então mudamos para acima de cinco meses”, disse.
“Como estamos com a vacinação bem adiantada aqui no Estado, esperamos não ter resultados como os que o Rio de Janeiro teve: lá a [variante] Delta passou a ser a variante com mais presença em todos os municípios e houve o recrudescimento da doença. A gente espera que aqui isso não aconteça”, afirmou Resende.
No Rio de Janeiro, pesquisa do Laboratório Nacional de Computação Científica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) divulgada no dia 3 mostra que 96% dos casos de Covid-19 identificados na capital carioca são da variante Delta.
Casos
Dos três casos em MS, dois são de moradores de Campo Grande e um de uma pessoa do Rio de Janeiro que estava em Ladário. Todas as amostras foram colidas em julho.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), no caso das pessoas da Capital, ambas não têm histórico de viagens, o que mostra que elas devem ter se infectado em Campo Grande. Os dois moradores já se recuperaram.
O primeiro paciente, de 11 anos, teve o teste positivo certificado por meio do exame RT-PCR no dia 24 de julho, mas havia começado a sentir os sintomas no dia 17 do mesmo mês.
Ele não tem comorbidades e não chegou a ser internado. Outra informação é de que o jovem não havia se vacinado.
Já no segundo caso, uma mulher de 51 anos, os primeiros sintomas foram sentidos no dia 20 de julho, e o exame, também RT-PCR, foi coletado no dia 27 de julho e o resultado saiu no dia seguinte.
A mulher não tinha comorbidades e não chegou a ser internada. Ela já havia tomado as duas doses da vacina AstraZeneca, sendo a primeira no dia 8 de maio e a segunda em 12 de julho, oito dias antes de sentir os primeiros sintomas.
“Diante da notificação destes dois casos da variante Delta, que, apesar de ser menos letal, tem maior potencial de transmissão, a Secretaria Municipal de Saúde reforça a importância da manutenção das medidas de biossegurança, como uso de máscaras, distanciamento social, higienização adequada das mãos e adesão à vacinação contra a doença”, declarou a Sesau em nota.
Delta
Surgida na Índia, a variante Delta é altamente transmissível e levou a uma explosão de mortes no país. No Brasil, ela foi identificada pela primeira vez no Maranhão, em maio, e também registrada em São Paulo.
A variante está por trás da nova onda de infecções em Israel, Reino Unido, Estados Unidos e países asiáticos, como China e Indonésia.
Especialistas alertam para que toda a população esteja vacinada com as duas doses da vacina, pois as que tomaram apenas a primeira aplicação têm uma proteção falha em relação a todas as cepas, mas especialmente em relação à variante Delta.
Estudos recentes apontam que essa nova cepa do coronavírus é muito mais transmissível e tem maior probabilidade de invadir o sistema imunológico, responsável pelas defesas do nosso organismo.
As vacinas disponíveis contra a Covid-19 demonstram proteção contra a variante, apesar de serem menos eficazes. As primeiras doses da Pfizer e da AstraZeneca têm 33% de eficácia contra a doença sintomática provocada pela variante Delta.
Após duas doses, a AstraZeneca revela eficácia de 60%, contra 88% da Pfizer. A da Janssen apresenta 66%. Por isso a necessidade de completar a imunização.
“A gente alerta nesse 7 de setembro para que as pessoas respeitem as medidas farmacológicas para que não tenhamos novamente problemas com a pandemia em MS, se isso não for respeitado, podemos ter avanço da doença”, alertou Geraldo Resende.