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ABANDONADA

Pedreira inativa continua a causar transtorno e incômodo aos moradores

Insetos, animais peçonhentos, assaltos e até usuários de drogas estão entre os problemas
09/03/2020 11:41 - Camila Andrade Zanin


 

A antiga Pedreira Nasser, localizada entre as ruas Amazonas, Elias Nasser, Pernambuco e Pedro Celestino - conhecida atualmente como “buracão do São Francisco" -, continua a apresentar inúmeros problemas aos moradores do entorno e também para quem circula na região. Na lista das reclamações mais comuns está o acúmulo de lixo, focos de dengue, infestação de insetos e animais peçonhentos, assaltos, e até mesmo ‘esconderijo’ para usuários de droga. Os acontecimentos já se tornaram parte do dia a dia de moradores e comerciantes do bairro localizado na área central de Campo Grande. 

Seis meses atrás, o Correio do Estado esteve no local e colheu depoimentos de moradores da região, que reclamavam das mesmas situações. Hoje (9) a reportagem retornou à pedreira que está inativa desde os anos 1970. As calçadas do entorno do terreno estão com rachaduras, raízes de árvores à mostra, um matagal enorme e em alguns trechos, pedaços do concreto já desmoronados. O local, que não tem uma boa iluminação, nem muito movimento, torna-se atrativo para usuários de droga, assaltos e roubos. Os problemas causados pelo terreno continuam a acontecer, e preocupam cada vez mais as pessoas que frequentam a região. Denúncias e reclamações são pautas corriqueiras dessa situação, porém ao longo da história do bairro, a situação segue sem providências efetivas. 

Uma preocupação grande dos moradores é a quantidade enorme de lixo jogado. Isso causa a proliferação de insetos, focos de dengue e outras doenças que surgem deste cenário. Morador da região há mais de 30 anos, o aposentado João Leite, 69 anos, foi uma das pessoas afetadas pelo descaso do local. “Eu perdi, há três anos atrás, um sobrinho por conta do zika vírus. O garoto ficou internado três dias e morreu. O local está sempre cheio de lixo, aí chove, junta água parada e dá nisso. As pessoas não têm consciência”, lamenta.

João conta que assaltos e roubos também são um problema que atingem os moradores. “É uma coisa horrorosa, uma falta de consideração com a população daqui. Acontecem assaltos, e os ladrões correm para o meio desse mato, não tem quem acha”. O aposentado reforça que a pedreira tem várias irregularidades que interferem no dia a dia das pessoas do local. “Tem muito inseto, muito bicho peçonhento. Um amigo meu, tinha apartamento aqui e acabou se mudando por causa da quantidade de insetos, desse desconforto, ninguém resiste”.

 
 

Um grupo de funcionárias que não quiseram se identificar, para preservar o local de trabalho, conversaram com o Correio do Estado e relataram várias situações-problema. "Escutamos barulhos, direto. Não dá para saber se é uma pessoa, se é um bicho, ficamos com medo. Não tem proteção alguma, pelo contrário, as pessoas que querem fazer coisas erradas se aproveitam desse lugar”. Outra mulher complementa. “Os bichos vêm para o estabelecimento, já veio escorpião, cobra, até ratazana já apareceu”.

A pedreira junta cada dia mais, sujeira. “A área aqui em volta é cheia de clínicas, eles poderiam limpar, fazer uma manutenção, mas não acontece. O proprietário raramente aparece, a prefeitura às vezes vem e poda as árvores, mas não adianta, porque os lixos continuam ali, o mato continua crescendo, se tornou uma área perigosa”. Relata uma das funcionárias. “Até para estacionar ao redor da pedreira é difícil, pois as árvores e matos crescem de tal forma, que não é possível nem abrir a porta do carro”. Complementa outra funcionária.

As funcionárias contam mais episódios que ocorreram por conta do descaso. “Já roubaram pneu de carro, estouraram vidro para roubar bolsa. A pessoa rouba, e foge para o meio desse matagal, se esconde”. O medo da situação da pedreira não é apenas pelos animais e insetos. Uma das funcionárias conta. “As meninas que saem 19h30min, correm perigo de assalto, de estupro. É uma rua morta, sem movimento, tem um poste de luz só e nunca vi esse ele ligado. As árvores crescem, não dá para ver nada. Já teve pessoa escondida aí no meio. É complicado a situação”. O local não tem manutenção, nem segurança.

Além destes pontos, agora há uma nova questão. Por ser um local abandonado,  e sem fiscalização, as funcionárias contam que algumas pessoas, e até alunos da escola próxima, vem nesse terreno para usarem drogas. “O pessoal vem aí, fuma maconha, cigarro, usam droga aqui na frente, porque é um lugar que está ficando escondido, não tem nada perto”       

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur) foi contatada pela reportagem. Ao ser avisada da situação pelo Correio do Estado, a assessora da Semadur informou que já houve uma notificação deste local no ano passado. A secretária explica que éuma área particular, que já foram emitidas notificações referentes ao caso para o proprietário, tanto por terreno sujo, quanto pelo estado da calçada. “A lei é bem clara, compete ao proprietário do imóvel a manutenção do mesmo, e compete ao município a fiscalização. O cidadã denúncia, nós fiscalizamos, mas o proprietário não cumpre com a legislação”. 

OUTRO LADO 

O terreno pertence à família Kadri há cerca de 10 anos. Apesar da apuração da reportagem e dos relatos feitos pelos moradores, Mafuci Kadri, proprietário do terreno, afirma que está fazendo a parte dele, e que todas as obrigações que competem a ele estão sendo feitas. Kadri ainda fez uma reclamação e um apelo ao correio do estado. “Eu não tenho como fazer tudo sozinho. Não adianta eu carpir, fazer toda a manutenção, se  no outro dia as pessoas passam e jogam lixo nas ruas. Isso é questão de consciência”.

 

Felpuda


Devidamente identificadas as figurinhas que agiram “na sombra” em clara tentativa de prejudicar cabeça coroada. Neste segundo semestre, os primeiros sinais começarão a ser notados como reação e “troco” de quem foi atingido. Nos bastidores, o que se ouve é que haverá choro e ranger de dentes e que quem pretendia avançar encontrará tantos, mas tantos empecilhos, que recuar será sua única opção na jornada política. Como diz o dito popular: “Quem muito quer...”.