A indígena Oragilda Batista Fernandes, de 29 anos, foi presa pelo setor de Investigações Gerais (SIG) da Delegacia de Polícia Civil de Dourados como autora do incêndio criminoso que carbonizou duas mulheres adultas e uma bebê de 18 meses em uma área de ocupação nos fundos da aldeia Boboró, em Dourados.
O crime aconteceu na madrugada de segunda-feira (31) e vitimou a idosa Liria Batista, de 76 anos, Janaína Benites, 37, e uma bebê, identificada como Mariana Amarilia de Paula, de um ano e seis meses, filha de Janaína.
A motivação para o crime ainda não foi divulgada, mas a investigação policial descartou qualquer relação com alguma disputa por terras na região. O atentado aconteceu no acampamento conhecido como Retomada Avaité Mirim.
Antes de colocar fogo no barraco, segundo a polícia, ela usou um bloco de concreto para agredir a idosa e ainda asfixiou a criança de um ano e meio. Logo em seguida, jogou gasolina no entorno do barraco e colocou fogo. A mulher de 37 anos dormia e nem mesmo percebeu as agressões. Ela também morreu carbonizada. Não foi revelado se a bebê e a idosa estavam mortas quando o fogo consumiu o barraco.
Policiais localizaram a mulher porque o crime foi presenciado por outra indígena que mora na ocupação, onde estão em torno de 20 famílias, e ela ajudou a identificar a suposta assassina.
Mas, além do depoimento da testemunha, o fato de a suspeita estar com uma série de queimaduras recentes reforça a tese de que foi realmente ela quem incendiou o barraco. Perícia médica já confirmou que os ferimentos são recentes e por isso ela acabou sendo detida em flagrante.
Conforme nota da Polícia Civil, “não foi identificado qualquer elemento da participação de qualquer outro envolvido no crime, nem qualquer motivação sobre direitos indígenas, bem como a suspeita se trata de uma mulher indígena”.
Nesta segunda-feira (31) o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) chegou a divulgar uma nota informando que teria recebido relatos sobre a invasão do território por homens armados, que teriam efetuado disparos e incendiado moradias, obrigando os moradores a se refugiarem na mata.
No entanto, as informações policiais descartara, essa versão e horas depois o texto foi excluído da página do Ministério.