O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul determinou que Darlene Luiza Borges, conhecida como a “gerentona” do jogo do bicho em Campo Grande e investigada na Operação Omertà, retorne para a prisão.
Mandado de prisão foi expedido na tarde de terça-feira (18) e a acusada se entregou espontaneamente na manhã de hoje (19), afirmando ser inocente de todas as acusações.
Darlene foi presa em dezembro do ano passado, na sexta fase da Operação Omertà.
Ela é acusada de integrar organização criminosa armada, exploração do jogo do bicho e lavagem de dinheiro, sendo apontada como uma das figura mais importante, responsável por gerenciar as atividades do jogo do bicho na cidade.
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Darlene ficou na prisão até março deste ano, quando juiz reavaliou após 90 dias, conforme determina a lei, e entendeu que ela poderia responder em liberdade.
O Ministério Público Estadual, através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), no entanto, ingressou com um recurso em sentido estrito na 2ª Câmara Criminal, que decidiu pelo retorno de Darlene à prisão.
"Não trabalhei no crime, trabalhei em contravenção"
Antes de se apresentar para o cumprimento da decisão, Darlene afirmou, em coletiva de imprensa, ser inocente e injustiçada.
Segundo ela, quando começou a trabalhar no jogo do bicho, há mais de 30 anos, o negócio não pertencia a família Name e ela nunca teve relacionamento com os investigados, sendo apenas funcionária no escritório e realizando tarefas administrativas.
"Nunca na minha vida cometi nenhum crime, eu não sou essa pessoa que eu vi no processo depois que eu saí daquele lugar [prisão], eu não sou essa gerentona, nunca participei de nada, eu trabalhei numa contravenção, eu nunca vi e nunca participei de crime nenhum", disse.
Darlene afirmou ainda que trabalhou como cambista, faxineira e conferente do jogo do bicho ao longo dos anos, atuando na função de realizar pagamentos de despesas e funcionários e, por este motivo, segundo ela, muitas pessoas a chamavam de patroa, gerente e madame.
"Até onde eu entendo, o jogo do bicho é uma contravenção e eu falava com os companheiros: 'o dia que isso virar crime eu nunca mais volto aqui', afirmou.
Darlene afirmou ainda que recebia cerca de 10 salários mínimos por mês com o jogo do bicho e também tem uma loja de venda de lingerie e semijoias, a qual ela esperava conseguir estabilidade para sair do jogo do bicho.
Defesa critica Gaeco
Advogado que representa a acusada, José Rodrigues da Rosa, disse que a cliente é inocente das acusações e era apenas funcionária no escritório, não tendo relações com a milícia ou com crimes que possam ter sido cometidos pelos patrões.
Ele criticou ainda o Gaeco, pelo que chama de “manobra” realizada para levar Darlene de volta à prisão, ao omitir os nomes de Jamil Name e Jamil Name Filho para que fosse afastada a competência da 1ª Vara de Justiça e a prisão fosse mantida.
“O relator desembargador Valdir Marques deu voto para que ela voltasse para a prisão, dizendo que ela é a gerente do jogo do bicho, que investigações demonstram que, depois da família Name, ela que mandava aqui e, o que mais me assustou no voto, foi dizendo que o jogo do bicho está continuando e que de alguma forma a Darlene tem participação nisso”, disse o advogado.
“A Darlene era funcionária contratada há mais de 30 anos no escritório que cuidava do jogo do bicho, a contravenção penal é tolerada em todos os lugares, era ela funcionária”, acrescentou.
José Rodrigues da Rosa acrescentou que o jogo do bicho continuou funcionando mesmo com Darlene presa, o que indicaria que ela não tem envolvimento.
“É uma decisão absurda, estou aguardando a publicação do acórdão para eu me insurgir junto ao Superior Tribunal de Justiça através de um habeas corpus”, disse.
Como o mandado de prisão foi expedido, Darlene se apresentou hoje na Delegacia Especializada de Polinter e Capturas para iniciar o cumprimento da decisão.
Omertà
Na sexta-fase da Operação Omertà foram cumpridos 13 mandados de prisão e 17 de busca e apreensão, além do bloqueio de R$ 18 milhões da Pantanal Cap.
Entre os principais alvos estavam o deputado Jamilson Name, alvo de uma das ordens de busca, e Darlene Borges, conhecida como a “gerentona” do jogo na cidade, presa pela força-tarefa.
Todas as pessoas presas tinham envolvimento com o jogo do bicho em Campo Grande.
Além de mirar a parte ilegal do esquema comando por Jamil Name, a operação fez buscas também na sede da empresa da família, a Pantanal Cap.
Jamil Name e Jamil Filho estão presos desde setembro de 2019. Em novembro do mesmo ano foram transferidos para o Rio Grande do Norte por ainda exercerem influência no crime organizado do estado.
De acordo com a Justiça Federal, eles são pessoas de alto poder, com acesso a armamento pesado e vantagens econômicas que podem causar risco às investigações.