Preso desde o último sábado (18), Luccas Abagge, segue detido na Unidade Penal Ricardo Brandão, presídio de Ponta Porã. Filho de Beatriz Abagge, condenada com outras pessoas pela morte do menino Evandro em 1992, caso de repercussão nacional, Luccas Abagge de 32 anos foi preso após apresentar uma Carteira Nacional de Habilitação falsa à polícia.
Conforme o boletim de ocorrência, o documento possuía o mesmo nome do menino, assassinado no município de Guaratuba, interior do Paraná na década de 90.
Segundo os autos do processo, a prisão foi decretada por Adriano da Rosa Bastos, juiz de direito da VI Região, que atende Ponta Porã, Amambai, Sete Quedas e Coronel Sapucaia.
Abbage não quis comunicar nenhum familiar ou conhecido de sua prisão, nem reivindicar advogado de defesa. Junto de Abagge, sua namorada foi ouvida pelos policiais e liberada posteriormente.
Nos autos do processo, o juíz “MANDA ao Oficial de Justiça deste Juízo ou Autoridade Policial, aquem este for apresentado, devidamente assinado, que, em seu cumprimento, em virtude de ter sido decretada a prisão, prenda e recolha à Cadeia Pública ou Presídio local, a pessoa a seguir qualificada”.
Conforme o processo, Abagge foi preso em audiência realizada por meio de videoconferência.
O flagrante inicial, por suposta prática do crime previsto no art. 304 do Código Penal (fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem os arts. 297 a 302: Pena - a cominada à falsificação ou à alteração), foi contornado à prisão preventiva mediante solicitação do Ministério Público.
De acordo com a audiência, os depoimentos dos policiais foram suficientes para o decreto de prisão de Abagge, pois, conforme o processo “trazem elementos que indicam a autoria por parte do conduzido” e embora o ato não se trate de delito grave, a prisão foi autorizada nos termos do art. 313 do Código de Processo Penal, ”visto que há dúvidas acerca da identidade civil do custodiado”.
Crimes
Há três anos, em janeiro de 2019, Abagge foi condenado a 54 anos de prisão por um homicídio de 2016. Em julho do mesmo ano, foi novamente julgado e condenado a outros 32 anos por um segundo homicídio, bem como uma tentativa de homicídio em 2015, ambos os crimes em Curitiba, Capital do Paraná.
Caso Evandro
Evandro Ramos Caetano, então dado como desaparecido, foi assassinado em Guaratuba em 1992, cidade litorânea do Paraná. Poucos dias após o desaparecimento, o garoto foi encontrado mutilado, vítima de um ritual que condenou Beatriz Abagge, mãe de Lucas. Além dela, Celina Abagge, Osvaldo Marcineiro, Vicente de Paula Ferreira e Davi dos Santos Soares foram condenados pelo crime.