Na madrugada desta quarta-feira (22),em Corumbá, mais uma mulher morreu vítima de feminicídio. Grazielly Karine Soares Alves de Lima, de 28 anos, é a 23ª vítima desse tipo de crime em Mato Grosso do Sul.
De acordo com dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), esses 23 casos foram registrados apenas no primeiro semestre deste ano, o que dá uma média de quatro crimes por mês.
Se comparado com o mesmo período de 2021, neste ano foram registrados quatro casos a mais, já que na primeira metade do ano passado foram 19 ocorrências, somando o interior e a Capital. Ainda de acordo com a Sejusp, no ano passado, 32 mulheres morreram pelo simples fato de serem mulheres.
Entretanto, apesar nos números, a delegada da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Campo Grande, Ana Luiza Noriler, afirma que não dá para fazer uma projeção se os casos de feminicídio deste ano irão superar os de 2021.
“Não dá pra mensurar se vai superar, pode ser que aumente, mas não dá pra afirmar, embora de fato o primeiro semestre deste ano tenha sido mais violento que o anterior e a princípio estamos com quatro a mais”, aponta a delegada.
Noriler ainda destaca que a violência infelizmente persiste, apesar de todo o trabalho de prevenção e conscientização feito com a sociedade no geral, e ainda fala da importância de denunciar qualquer caso de violência doméstica.
“O número de denúncias está aumentando, mas, a maior parte das vítimas de feminicídio não tinha boletim de ocorrência contra o agressor ou medida protetiva para resguardar a vítima. Não posso falar no caso específico de Corumbá porque não sei detalhes, mas na maior parte dos casos é assim”, detalha.
Ainda conforme os números da Sejusp divulgados pelo Correio do Estado no mês passado, Campo Grande apresentou um aumento de 233,3% nas tentativas de feminicídio entre 1º de janeiro a 24 de maio, em relação ao mesmo período de 2021
Entenda o caso
Grazielly foi encontrada morta com o rosto desfigurado e o cabelo cortado em diversas partes. O principal suspeito do crime é Edmilson Veríssimo dos Reis, de 33 anos, que é ex-companheiro da vítima e não aceitava o fim do relacionamento.
Testemunhas contaram à polícia que o acusado era violento e muito ciumento, o que levava à diversas brigas entre ele e a vítima, que estavam separados há três meses.
Antes que a polícia chegasse ao local do crime, no bairro Popular Nova, o suspeito já tinha fugido do local em uma moto, mas, antes ele teria ligado para um amigo e dito que “fez uma besteira” e matado a própria esposa.
A polícia fez buscas no interior e na área ao redor da casa onde o assassinato aconteceu, mas não encontrou a arma usada para matar Grazielly.
O celular que pertencia à vítima estava quebrado e seus documentos rasgados e espalhados por toda a casa.
O suspeito já tem outros boletins de ocorrência registrados em seu nome, sendo que o último foi em março deste ano por lesão corporal qualificada pela violência doméstica em que a vítima era Grazielly.