Investigação começou após a morte de bebê de dois meses; na casa, vítima e irmãos dormiam em meio à urina e sujeira
A Polícia Civil investiga o caso de uma bebê de apenas dois meses que morreu nesta semana em Corumbá. A criança chegou já sem vida à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bairro Guatós, na manhã de terça-feira, e em vistoria na casa foi identificado possível maus-tratos, não só ao bebê, mas também aos seus dois irmãos.
O caso chegou à polícia na manhã de terça-feira, após a mãe da bebê, uma mulher de 28 anos, procurar atendimento médico para a criança, porém, segundo relatos da polícia, a menina chegou ao local já sem vida.
No momento do atendimento, segundo o delegado Filipe Araujo Izidio Pereira, da 1ª Delegacia de Corumbá, a equipe médica que atendeu o caso teria identificado uma mancha na roupinha do bebê, que eles atribuíram a uma possível marca de sangue.
Em razão da suspeita de agressão seguida de morte, a mãe chegou a ser presa preventivamente.
A mãe ainda não foi ouvida oficialmente, porém, em versão apresentada aos policiais no momento da ocorrência afirmou que saiu da casa por alguns minutos porque estava faltando energia e foi até a casa do vizinho e quando voltou identificou que a criança já estava sem respirar.
Ainda conforme o delegado, o médico legista afirmou que a mancha encontrada na roupa da bebê poderia ser de algo que a criança vomitou.
Apesar de o laudo não ter sido entregue ainda, o legista acredita que a morte possa ter sido causada por asfixia por bronco aspiração, que é quando acidentalmente alimentos, líquidos, saliva ou vômito entram nas vias respiratórias inferiores e provocam uma asfixia.
Porém, apesar de a suspeita principal ser essa, durante a ida da polícia, perícia e do Conselho Tutelar até a residência onde a bebê morava, uma casa de três cômodos, foi encontrada muita sujeira, além de fezes e urina no local onde a mãe, que tem outros dois filhos, dormia com as crianças.
“A urina, muita sujeira e fezes, isso já é um indicativo sim de que havia maus-tratos, de que a criança não estava recebendo o tratamento que devia ter. O crime de maus-tratos, por si só, já é um crime, só que existe uma qualificadora, que é maus-tratos seguido de morte, que é quando a mãe provoca os maus-tratos e a morte decorre disso, sem dolo, que é o que estávamos investigado agora”, contou o delegado ao Correio do Estado.
No local, além do bebê, da mãe e dos dois irmãos, também mora um casal, todos da mesma família.
Como a agressão foi, até agora, descartada pelo legista, a mãe foi solta, porém, os outros dois filhos foram levados pelo Conselho Tutelar de Corumbá e, posteriormente, entregue à familiares próximos.
O delegado afirmou que o caso já está bem avançado e que agora eles devem ouvir mais pessoas e esperar os laudos chegarem para concluir a investigação.
“Vamos ouvir mais pessoas, quem teve contato com essa família lá na UPA, vizinhos, vamos pedir auxílio do Conselho Tutelar para fazer relatórios sobre a dinâmica daquela família e aguardar os laudos periciais, porque aí será a versão oficial”, completou Izidio.
Já foram ouvidos a médica e a enfermeira que atenderam a criança na UPA e uma das pessoas que moram com a mãe.
Em nota, o Conselho Tutelar afirmou que a família não era acompanhada pelo órgão porque havia se mudado há pouco tempo para o município.
“A situação chegou ao conhecimento do Conselho Tutelar somente na data do ocorrido, ocasião em que foram adotadas as providências cabíveis. A partir do conhecimento dos fatos, o órgão passou a atuar no caso, adotando as medidas pertinentes. Não há registros de atendimento ou histórico anterior dessa família junto ao Conselho Tutelar nesse colegiado. A genitora teria chegado ao município recentemente e nesse tempo não há registros de denúncias ou notificações para acompanhar o núcleo familiar”, afirma o órgão, em nota.