Cidades

Em Campo Grande

Região oeste terá consultas e castração gratuitas para pets a partir de segunda

Consultório móvel da Subea atende no bairro Santo Antônio entre segunda (19) e sexta-feira (23), com vagas limitadas

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Moradores da região oeste de Campo Grande terão acesso a consultas veterinárias gratuitas e senhas para castração de cães e gatos a partir desta segunda-feira (19). O Consultório Móvel da Superintendência de Bem-Estar Animal (Subea) ficará na Praça Santo Antônio, na Rua Taquari, nº 531, das 8h às 13h, até sexta-feira (23).

Durante o período, serão distribuídas 15 senhas diárias para consultas veterinárias e outras 15 para castração. As vagas são limitadas e dependem da disponibilidade de cada dia.

Para conseguir atendimento, o responsável pelo animal deve apresentar documento oficial com foto e comprovante de residência.

A unidade itinerante leva serviços veterinários a diferentes regiões da Capital, com o objetivo de facilitar o acesso dos tutores aos cuidados com os animais.

O atendimento será realizado de segunda a sexta-feira, das 8h às 13h, na Praça Santo Antônio, localizada na Rua Taquari, nº 531.

MEDICINA

Enamed passa a ser obrigatório em meio a notas baixas em MS

Na quinta-feira, o Senado Federal aprovou a Medida Provisória que tornou o exame uma condição para o exercício da medicina; em janeiro, UniCesumar e Uniderp tiraram nota 2 de 5

18/10/2026 09h00

A Uniderp de Campo Grande foi uma das duas faculdades de MS que ficaram abaixo dos 60% de proficiência no último Enamed

A Uniderp de Campo Grande foi uma das duas faculdades de MS que ficaram abaixo dos 60% de proficiência no último Enamed Foto: Divulgação

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O Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) agora é obrigatório para o exercício da profissão em todo o Brasil, depois de 99 cursos de Medicina tirarem nota 1 ou 2 nos resultados divulgados em janeiro, incluindo duas faculdades de Mato Grosso do Sul, o que acendeu alerta no Ministério da Educação (MEC).

Na última quinta-feira (15), o Senado Federal aprovou a Medida Provisória que institui o Enamed como obrigatório para os futuros médicos exercerem a profissão. Agora, serão três avaliações ao longo da graduação: no final do segundo, do quarto e do sexto ano do curso. Antes, conforme texto do Poder Executivo, estavam previstas apenas duas avaliações.

O resultado final será calculado pela média acumulada das três provas, com maior peso para a última avaliação. O desempenho mínimo exigido, os pesos de cada etapa e os critérios de cálculo serão definidos pela Comissão Nacional de Avaliação da Formação Médica e deverão ser previamente publicados.

Quem não alcançar o nível mínimo de proficiência poderá refazer a terceira etapa do exame nas edições seguintes, com novo cálculo da média final. A primeira média acumulada das três avaliações constará do histórico escolar do estudante concluinte, e as faculdades poderão utilizar as notas em seus processos de avaliação acadêmica.

Porém, a exigência de aprovação no Enamed para obtenção do registro será aplicada apenas aos estudantes que ingressaram nos cursos de medicina a partir de 19 de junho de 2026. Quem já estava matriculado antes dessa data continuará submetido às regras anteriores, assim como médicos que já tinham diploma reconhecido nacionalmente.

PREOCUPAÇÃO

Em janeiro deste ano, os resultados do último Enamed, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), acenderam um alerta em toda a comunidade acadêmica e profissional de medicina depois de 99 dos 351 cursos avaliados ficarem abaixo do suficientes, ou seja, ficaram abaixo dos 60% de proficiência (nota 1 ou 2).

Em Mato Grosso do Sul, duas faculdades ficaram dentro deste universo de notas insuficientes: a Anhanguera Uniderp, em Campo Grande; e a UniCesumar, em Corumbá. Na época, o Conselho Regional de Medicina (CRM-MS) informou ter recebido com preocupação o resultado do Enamed, tendo em vista a classificação atribuída aos cursos das universidades privadas.

Recentemente, em agosto, estudantes do curso de Medicina da Uniderp realizaram uma manifestação em Campo Grande para cobrar melhorias nas condições oferecidas pela universidade. Com cartazes, os acadêmicos protestaram contra problemas de infraestrutura, questões relacionadas à qualidade do ensino e ao internato médico, além de mudanças acadêmicas ocorridas ao longo do curso.

Ainda, o Correio do Estado também reportou que dois estudantes da UniCesumar conseguiram ser aprovados no Exame Nacional de Residência (Enare), que tinha 11,3 mil vagas abertas e concorrência de 138.974 candidatos. Porém, eles não conseguiram iniciar a residência, pois a faculdade não emitiu a documentação necessária para serem realizadas as inscrições.

LADO BOM

Nos mesmos resultados divulgados pelo Inep em janeiro, os melhores resultados foram registrados no Estado por universidades públicas, que concentraram os conceitos mais altos, como o campus de Três Lagoas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e a Fundação Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), em Dourados.

A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), em Campo Grande, e o campus campo-grandense da UFMS tiraram nota 4 no exame nacional e ficaram dentro dos resultados satisfatórios.

poder

Após 40 anos, dinastia dos bicheiros de MS está por um fio

Se Jamilson Name não obtiver vitória no TSE, será a primeira desde 1987 que as famílias Name e Razuk ficarão sem representante na Assembleia ou no Tribunal de Contas

17/10/2026 16h15

Neno Razuk está preso e os representantes da família Name que buscaram vaga na Assembleia estão sendo barrados pela Justiça

Neno Razuk está preso e os representantes da família Name que buscaram vaga na Assembleia estão sendo barrados pela Justiça

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Após 40 anos ocupando cargos no alto escalão da política de Mato Grosso do Sul, as famílias Name e Razuk, que ao longo deste período dominaram o jogo do bicho no Estado, podem ficar de fora do poder pela primeira vez a partir de 2027. Se dependesse das urnas, um dos representantes destas famílias seguiria na cúpula, mas ele corre o risco de perder os votos por determinação judicial.

Desde 1987, os controladores da jogatina sempre tiveram pelo menos um representante das famílias na Assembleia Legislativa ou no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Na eleição do dia 4 de outubro, o deputado Jamilson Name (PP) conseguiu 35.211 votos, o que é suficiente para chegar ao seu terceiro mandato consecutivo. Porém, ele disputou sob júdice e agora depende do aval do Tribunal Superior Eleitoral para assumir o mandato.

Se ele não conseguir reverter a situação, será a primeira vez que a dinastia dos bicheiros ficará fora da cúpula do poder estadual. O primeiro deles a chegar à Assembleia foi o douradense Roberto Razuk, que cumpriu dois mandatos, entre 1987 e 1995.

O chefão da jogatina em Dourados e região de fronteira morreu na última quinta-feira (15), aos 85 anos, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo (SP), por causa de infecção pulmonar.

Por causa de supostos crimes praticados em meio às atividades da jogatina, ele foi preso pela terceira vez em novembro de 2025, durante a quarta fase da Operação Successione, que investiga uma organização criminosa que tentava se apoderar do jogo do bicho em Campo Grande depois da derrocada da família Name.

E justamente a Família Name, cujo patriarca, Jamil Name, morreu em meados de 2021 no presídio federal de Mossoró, que conseguiu colocar um representante na Assembleia Legislativa a partir de 1995, depois que Roberto Razuk perdeu sua vaga.

Naquele ano foi eleito pela primeira vez o deputado Jerson Domingos, que ficaria na Casa de Leis durante duas décadas, até o fim de 2014.

Ele é irmão de Tereza Name, esposa de Jamil Name. Ao longo destes 20 anos, foi presidente da Assembleia por duas vezes e também ocupou a função de primeiro secretário, o segundo cargo mais disputado pelos deputados.

Em 2014, ele abriu mão da disputa à reeleição e optou pelo cargo vitalício de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, onde permaneceu até novembro de 2025, quando completou 75 anos e teve de se aposentar.

Antes de deixar seu quinto mandato na Assembleia, a família Name decidiu que a irmã dele, a vereadora Tereza Name, disputaria vaga à Assembleia, mas, na véspera da campanha eleitoral, ela desistiu porque o partido ao qual era filiada apoiaria Nelsinho Trad para o Governo do Estado e todos os seus familiares haviam firmado aliança com o petista Delcídio do Amaral. Os dois foram derrotados por Reinaldo Azambuja.

E, por conta desta desistência, as famílias Name e Razuk ficaram de fora da Assembleia Legislativa entre 2014 e 2018. Mas, Jerson Domingos ainda seguia na cúpula do poder estadual, ocupando o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas.

Depois da aposentadoria no TCE, Jerson Domingos voltou à política eleitoral em 2026 e no último dia 4 disputou vaga na Assembleia Legislativa, enfrentando inclusive seu sobrinho, Jamilson. O tio conseguiu o apoio de 16.884 eleitores, número insuficiente para ocupar uma das 24 vagas. Mas, seus votos também acabaram sendo anulados pela Justiça Eleitoral,

O pedido de impugnação apresentado pelo Ministério Público Eleitoral apontou a suposta participação de Jerson Domingos em uma organização criminosa investigada na Operação Omertà, aquela que levou à prisão o seu cunhado e sobrinho.

De acordo com a denúncia apresentada pelo MPMS, Jerson foi apontado como uma das pessoas que teriam praticado o crime de impedimento ou embaraço à investigação de organização criminosa, em sua forma majorada. Na época destas investigações, Jerson era conselheiro do Tribunal de Contas.

DOSE DUPLA

Mas, se ficaram quatro anos sem representantes diretos na Assembleia, em 2018 os bicheiros voltaram em dose dupla, com Neno Razuk e Jamilson Name, filhos de Roberto Razuk e Jamil Name, respectivamente.

Ambos se reelegeram quatro anos depois, apesar de seus familiares terem se envolvido em uma série de escândalos policiais, como evidenciou a operação Omertà, que levou à prisão o pai e o irmão de Jamilson.

A partir de 2023, a família Razuk também passou a ser alvo de operações do Ministério Público Estadual (Operação Sucessione). O patriarca chegou a ser preso em novembro de 2025, mas logo conseguiu prisão domiciliar.

Em dezembro de 2025, o deputado Neno Razuk foi condenado a 15 anos e 7 meses de prisão, acusado de comandar uma organização criminosa que até assalto à mão armada teria praticado contra rivais do jogo do bicho.

E a má fase dos bicheiros piorou em maio deste ano, quando o Tribunal Superior Eleitoral anulou os pouco mais de 10 mil votos que haviam sido atribuídos à candidata Raquelle Trutis (PL). Por conta disso, foi feita a recontagem dos votos e o PL perdeu uma das vagas na Assembleia, que estava sendo ocupada por Neno.

Sem o chamado foro privilegiado que o cargo lhe dava, Neno Razuk saiu da Assembleia Legislativa e desapareceu por cerca de três meses, já que a Justiça determinou que cumprisse a pena de reclusão.

Ele acabou sendo preso no começo de agosto na Bolívia e segue recluso. Antes de perder o mandato, Neno já havia montado uma equipe de campanha para disputar vaga de deputado federal, mas foi obrigado a desistir.

Com a falta de votos de Jerson Domingos e a prisão de Neno, os bicheiros ainda têm uma possibilidade de se manterem no poder, com Jamilson Name, que foi eleito pela primeira vez em 2018 e está concluindo seu segundo mandato.

Inicialmente foi eleito pelo PDT e, na sequência, pelo PSDB. Na primeira disputa, obteve 33.870 votos, ficando em terceiro lugar entre os mais bem colocados. Quatro anos depois, obteve 43.435 votos, o que lhe garantiu a quarta colocação. 

Agora, por conta de seu poderio financeiro, ficou em décimo terceiro lugar entre os mais bem votados (35,2 mil votos), mas não aparece na lista dos eleitos. É que o TSE atendeu a pedido da Procuradoria-Regional Eleitoral e reverteu decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS) que havia autorizado o registro da sua candidatura. 

Em decisão monocrática, o ministro Sebastião Reis Júnior acatou argumento de que Jamilson tem envolvimento com o grupo criminoso investigado na Operação Omertà, na qual o deputado foi condenado em primeiro grau a oito anos de reclusão pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, com o reconhecimento expresso de que exercia “função de comando ou liderança” na estrutura delitiva.

A representação do Ministério Público Eleitoral (MPE), que se baseou em decisões judiciais da Justiça Estadual, indica que, após a prisão das lideranças originárias do grupo, seu pai, Jamil Name (que morreu em 27 de junho de 2021 no presídio federal de Mossoró, RN), e seu irmão, Jamil Name Filho, o parlamentar assumiu “posição de maior proeminência no núcleo responsável pela exploração do jogo do bicho”. 

Se ele conseguir uma sobrevida à longa trajetória dos bicheiros na cúpula do poder político de Mato Grosso do Sul, quem perde a vaga na próxima legislatura da Assembleia é o deputado Márcio Fernandes (PL), que, por sua vez, é uma espécie de braço político do setor de concessionárias de veículos de Mato Grosso do Sul. 

MAIS PODER

Mas não foi somente na Assembleia ou no TCE que as famílias controladoras do jogo do bicho e de outras formas de jogatina mostraram seu poder. Délia Razuk, esposa de Roberto e mãe de Neno, foi vereadora em Dourados e prefeita por duas vezes. 

Em Campo Grande, Tereza Name foi vereadora por apenas um mandato, mas a família chegou a ter uma espécie de bancada própria na Câmara. Em 2016,  quatro vereadores bancados e diretamente ligados ao clã Name conseguiram vaga entre os 29 eleitos. 

ESCÂNDALO

Embora sempre tenha sido uma contravenção, o jogo do bicho sempre foi visto com naturalidade na Assembleia e em todos os setores do Executivo e do Judiciário estadual. Prova disso é que, em 2009, essa jogatina foi exposta em uma reportagem nacional do programa Fantástico, que mostrou o funcionamento de uma banca de apostas dentro do prédio da Assembleia.

Como se tivesse sido pego de surpresa pela revelação da reportagem, dias depois o Ministério Público fez uma operação para desmantelar a jogatina, que continuou seu curso durante mais de uma década. 

A derrocada dos bicheiros começaria somente uma década depois, em abril de 2019, quando o estudante de Direito Matheus Coutinho Xavier foi fuzilado por engano na porta de sua casa. O alvo era seu pai, mas ele manobrou a caminhonete da família e os pistoleiros atingiram o alvo errado. O mandante teria sido Jamil Name Filho, condenado pelo crime e detido no presídio federal de Mossoró.

 

 

 

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