Cidades

DESTRUIÇÃO QUE PERMANECE

Vítimas da tragédia do Nasa Park se queixam de indenização "irrisória"

O pagamento de R$ 150 mil por vítima não cobre prejuízos, dizem as vítimas do estouro de barragem ocorrido há seis meses

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Após seis meses da tragédia causada pelo rompimento da barragem do condomínio de luxo Nasa Park, as vítimas que rejeitaram a proposta de indenização – por a considerarem “irrisória” – seguem na Justiça em busca de ressarcimento aos danos causados pela pressão hídrica que atingiu as residências próximas à BR-163.

Tentando se manter após a perda de imóveis e fontes de renda como plantações e criação de porcos, Gabriele do Prado Lopes Bithencourt – proprietária de um dos lotes atingidos pelo estouro da barragem no dia 20 de agosto de 2024 – informou ao Correio do Estado que, após o ocorrido, está morando de aluguel e que vende bolos para pagar as despesas mensais de sua família, que também foi afetada pela queda da barragem.

Dos R$ 1,3 milhão de indenização negociados por intermédio do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS), em acordo firmado no dia 13 de fevereiro, no qual o Nasa Park terá que arcar, foi oferecido R$ 150 mil para Gabriele a título de danos morais, valor esse rejeitado por ela e também por outros donos de propriedades na região que entenderam que o montante está abaixo do que é necessário para reparar os danos causados.

“Não tem como você falar que vai recomeçar tudo do zero, isso não é história nem conto de fadas. Eles destruíram tudo em minutos e querem pagar um valor absurdo e ainda parcelado. Chega a ser abuso. Eles em nenhum momento agiram como ser humano”, declarou Gabriele.

Na chácara localizada próxima à BR-163, no trecho que divide Campo Grande e Jaraguari, e da qual sua família é proprietária há mais de 40 anos, uma das casas onde morava o irmão e a mãe de Gabriele foi tomada pela lama, e tudo foi levado com a força da água. Até um carro deu pane total por ter ficado submerso na água.

Além desses danos, a força da água destruiu plantações e acabou com a criação de porcos da família, que atualmente é uma das únicas rendas que Gabriele vem conseguindo retomar após a queda da barragem.

A lama deixada na área da chácara também impossibilita a produção de hortaliças e compromete a qualidade da água que é retirada de poços artesianos.

Carlos Roberto Vacchiano, dono de uma empresa de mineração, também sofreu com danos em seu negócio, uma vez que as ondas de até dois metros causadas pela queda da barragem chegaram até o Rio Ribeirão das Botas, danificando a área onde é feita a dragagem de areia do leito.

“Isso causou um problema ambiental tremendo na minha empresa. A onda danificou as barragens que impediam a descida de resíduos na área da mineração, prejudicando a qualidade do material que é drenado do rio. Ficamos 15 dias limpando o leito para retirar o lixo que foi puxado pela enchente”, descreveu.

Sobre o processo de indenização, Vacchiano informou que sua mineradora nunca recebeu uma proposta nem auxílio do condomínio de luxo após os prejuízos causados pelo rompimento da barragem.

“Entramos com uma ação cível na Justiça para ver o que podemos fazer, para reverter isso daí [valor de indenização]. O meu prejuízo ultrapassa os R$ 4 milhões, e para comprovar isso estamos fazendo laudos técnicos e perícia ambiental”, afirmou o empresário.

INDENIZAÇÃO

Um termo de ajustamento de conduta foi celebrado no dia 13 de fevereiro, após reunião entre a advogada dos empresários do condomínio de luxo e promotores do MPMS.

O valor deverá ser pago para as seis vítimas da tragédia que aceitaram o acordo, em três parcelas quadrimestrais, ou seja, a cada quatro meses (R$ 435 mil por parcela).

O órgão fiscalizador ainda citou que o documento prevê que os empresários providenciem, dentro de 30 dias a partir da assinatura do documento, a penhora de imóveis que totalizem o valor de R$ 4 milhões, para possíveis negociações com as quatro vítimas que não aceitaram o primeiro acordo indenizatório.

Dias após a celebração de acordo com a maioria das vítimas do rompimento da barragem, foi publicado no Diário Oficial do Estado que o Nasa Park solicitou ao governo uma licença ambiental para a área afetada. O pedido foi indeferimento pelo Instituto do Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul).

QUEDA DA BARRAGEM

Na região onde o desabamento da barragem aconteceu, pelo menos 10 propriedades foram afetadas pela força da água que desceu da represa do Nasa Park.

A reportagem do Correio do Estado esteve presente no dia 20 de agosto de 2024, na zona rural entre as cidades de Jaraguari e Campo Grande, onde a água da represa passou levando tudo o que vinha pelo caminho.

À época, Gabriele relatou que não estava em casa quando a força da água levou diversos móveis, a criação de animais e a plantação de milho e mandioca que faziam parte da renda de sua família por mais de 30 anos.

Foi por questão de minutos que a família de Gabriele não foi levada pela enxurrada da barragem. Seu irmão, Thiago Andelçon do Prado Lopes, foi alertado por meio de uma ligação de um vizinho de que a barragem havia cedido.

Pouco tempo depois do telefonema, ele ouviu barulhos de galhos batendo e logo reuniu os filhos de Gabriele e sua mãe para abandonar a casa antes da chegada da enchente.

SAIBA

Na tragédia de agosto de 2024, além de dezenas de lotes que tiveram prejuízo, a CCR MSVia também teve gastos inesperados. Parte do aterro da rodovia que passa sobre o córrego que dá origem à represa do Nasa Parke cedeu. A concessionária levou cerca de sete dias para reparar os danos.

Ainda não há um processo da empresa contra os proprietários ou os administradores do condomínio. Houve danos nas duas margens do córrego, casas foram invadidas pela lama e um caminhão não resistiu à enxurrada e teve perda total.

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Memória

Morre em Campo Grande, aos 83 anos, o jornalista João Naves de Oliveira

Jornalista, que já trabalhou no Correio do Estado, O Globo e Estadão morreu em casa, neste domingo (22)

22/03/2026 19h08

Jornalista João Naves de Oliveira

Jornalista João Naves de Oliveira Arquivo

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Morreu neste domingo (22), em Campo Grande, aos 83 anos, o jornalista João Naves de Oliveira. Ao longo de sua carreira, Naves ocupou cargos como de editor no Correio do Estado, e de correspondente em jornais como O Globo e O Estado de S.Paulo. 

Naves, como era conhecido nas redações, morreu em casa. Ele enfrentava há vários anos problemas de saúde. João Naves era viúvo da jornalista Denise Abraham, que faleceu aos 55 anos, em 2012. Naves deixa a filha Yolanda.

O jornalista mudou-se de São Paulo para Campo Grande na década de 1980 para trabalhar no jornal Correio do Estado. Desde então foi, também, correspondente do jornal O Globo em Mato Grosso do Sul, tendo participado de vários pools de reportagens, como a ocupação dos kadiwéus que fez cinco pessoas reféns, entre autoridades da Funai, jornalistas e arrendatário de terra em Bodoquena. 

Já no período que antecedeu sua aposentadoria, foi assessor de imprensa do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e também correspondente do jornal O Estado de S.Paulo.

MEIO AMBIENTE

Lula cita "ajuda inestimável" de Riedel e Adriane para realização da COP15 em MS

Presidente disse que Campo Grande ser sede é uma "escolha estratégica", por ser ponta de entrada do Pantanal, a maior planície alagável do mundo

22/03/2026 19h03

Lula e Riedel se cumprimentam durante sessão da COP15; Adriane Lopes ficou na 2ª fileira de autoridades durante discursos

Lula e Riedel se cumprimentam durante sessão da COP15; Adriane Lopes ficou na 2ª fileira de autoridades durante discursos Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou o apoio do governador Eduardo Riedel (PP) e da prefeita Adriane Lopes (PP) para que a 15ª Reunião da Conferência das Partes (COP15) sobre a Convenção de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS) fosse realizada em Mato Grosso do Sul.

Durante seu discurso no segmento presidenciável da conferência na tarde deste domingo, Lula comentou que contou com uma “ajuda inestimável” dos líderes do Estado e de Campo Grande, além de ter chamado Riedel de “meu querido amigo”, mesmo sendo de lados opostos ideologicamente e nas eleições deste ano.

“Queria aproveitar para, em público, agradecer ao governador e à prefeita pela ajuda inestimável que eles deram para que esse evento pudesse acontecer aqui no Estado do Mato Grosso do Sul”, disse.

Também, o presidente aproveitou a oportunidade para dizer que é uma grande honra para o Brasil sediar um evento desta magnitude e importância para o meio ambiente mundial, especialmente em Campo Grande, que ele descreveu como uma escolha estratégica, justamente por ser porta de entrada do Pantanal, a maior planície alagável do mundo.

“Organizar este evento em Campo Grande, no estado do Mato Grosso do Sul, é uma escolha estratégica. Estamos na porta de entrada do Pantanal, maior planície alagável tropical do mundo. Esta região simboliza de forma singular a riqueza natural da América do Sul e a interdependência entre países cujas faunas e flores atravessam fronteiras.”, afirma o presidente.

Além de Lula, discursaram: Marina Silva (Ministra do Meio Ambiente do Brasil); Amy Fraenkel (Secretária-Executiva da CMS); Fernando Aramayo Carrasco (Chanceler da Bolívia); e Santiago Peña (Presidente do Paraguai). Tudo isso sob a moderação de João Paulo Capobianco, presidente designado da COP15.

Ao todo, conforme consta no acordo, a COP15 da CMS custará R$ 46,9 milhões aos cofres públicos, que serão custeados pelo governo federal (R$ 26,7 milhões), em conjunto com o governo de Mato Grosso do Sul (R$ 10,7 milhões) e projetos de cooperação internacional (R$ 2,5 milhões), como o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e o World Wide Fund for Nature (WWF), além de patrocinadores.

COP15

A COP15 da CMS promove a conservação de espécies, seus habitats e rotas em escala global, abrangendo cerca de 1.189 espécies, entre aves, mamíferos, peixes, répteis e insetos. Atualmente, conta com 133 partes signatárias, sendo 132 países e o bloco da União Europeia (formado por 27 nações).

A conferência faz parte de um tratado das Nações Unidas assinado em 1979, no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), com sua primeira edição tendo ocorrido em 1985, em Bonn, na Alemanha.

A última edição foi realizada em Samarcanda, no Uzbequistão, em fevereiro de 2024. Ainda não há data e local definidos para a realização da próxima conferência.

Para que não haja confusão, a COP15 da CMS e a COP30 – que também foi realizada no Brasil, no ano passado – tratam de assuntos diferentes.

Enquanto a COP15 da CMS aborda a conservação de animais, a COP30 tem como tema central as mudanças climáticas e os planos das principais nações para promover um futuro melhor diante da piora do aquecimento global.

Diretor-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur), o turismólogo Bruno Wendling afirmou que Campo Grande deve receber de 2,5 mil a 3 mil pessoas durante a conferência, o que pode movimentar o turismo local e as redes de hotéis da cidade.

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