Até 2007, o cinema brasileiro ainda não havia ofertado uma produção que conseguisse ultrapassar o limite das salas de exibição e ganhasse corações e mentes, tornando-se referencial pop. Obras que criam bordões, impõem suas trilhas sonoras e criam discussões em torno do seu enredo e personagens são comuns no cinema estadunidense, mas no Brasil ainda eram realidade distante. Com “Tropa de elite”, de José Padilha, tudo mudou – o filme estreia a sua continuação hoje, em Campo Grande e em outras capitais do País.
Em pouco tempo, o personagem capitão Nascimento, interpretado pelo ator baiano Wagner Moura, passou a ser tão popular quanto qualquer jogador de futebol ou astro da música. Suas falas passaram a ser repetidas, sendo que uma delas ganhou status especial, incorporada ao dia a dia de muita gente. Foi difícil fugir do “Pede pra sair”, dita em várias situações por fãs do filme.
“É uma obra que ultrapassou o cinema, virando febre na internet, criando piadas em programas de humor, criou modismo de linguagem. Virou um ícone pop realmente”, considera o estudante de jornalismo Daniel Belalian, que assistiu ao primeiro filme no cinema na época da estreia. A frase acima inspirou até a dupla João Neto e Frederico, que gravou recentemente a música... “Pede pra sair”.
Para o atual coordenador do Museu da Imagem e do Som (MIS) e pesquisador de cinema, Rodolfo Ikeda, o filme apresentou uma situação antes somente vista em produções vindas dos Estados Unidos. “O fato de chegar à pirataria faltando pouco tempo para a estreia somente acontecia em filmes como ‘Homem-aranha’, mas não em produções nacionais”, lembra Ikeda.
Volta por cima
Mesmo com a pirataria, “Tropa de elite” conseguiu público superior a 2 milhões de espectadores e ainda ganhou o prêmio máximo do Festival de Berlim, o Troféu Urso de Prata. Desta vez, nada de pirataria, pelos menos antes da entrada oficial da segunda parte no circuito exibidor.
Para se ter ideia da ansiedade em torno da continuação do filme, serão disponibilizadas 636 cópias. Normalmente, quando um filme brasileiro chega a 100 cópias no lançamento, já é considerado grande feito. O número atual se aproxima de filmes como “Saga crepúsculo: eclipse”, que chegou às telas com 692 cópias.
O cuidado para evitar vazamento antes da hora obrigou a montagem em locais diferentes – São Paulo, Rio de Janeiro e Los Angeles (Estados Unidos), sem contar que cada cópia sai com código diferente. Segundo os produtores, assim se saberá de onde saiu a cópia pirata.
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