Depois de mostrar ao País o fascínio que os objetos voadores não identificados despertam na região de Corguinho, a saga da emancipação política de Vicentina e a tradição afro-brasileira da comunidade Furnas de Dionísio, Mato Grosso do Sul prepara dois novos filmes, que revelam aspectos de cidades do interior. As produções farão parte do Projeto Revelando os Brasis, iniciativa do Instituto Marlin Azul com patrocínio da Petrobras, cujos trabalhos realizados têm ampla divulgação. Em sua quarta edição – a primeira foi em 2004 –, foram 502 propostas inscritas e 40 selecionadas. De Mato Grosso Sul foram duas, representadas por moradoras de Terenos e Ribas do Rio Pardo. Alguns estados não tiveram nenhuma proposta incluída, em contrapartida, outros tiveram mais de 3 trabalhos – é o casos de Bahia e Rio Grande do Sul. O Rio de Janeiro não teve nem uma.
Modelo já exportado para outros países, a proposta da iniciativa é oferecer a pessoas sem experiência alguma em produção audiovisual a possibilidade de dirigir um curta-metragem de até 15 minutos. O interessado envia um texto contando o que quer apresentar – não é necessário que seja roteiro. Os trabalhos que apresentem originalidade, importância na comunidade que representa e regionalidade são os escolhidos. Detalhe: o candidato precisa ser de uma cidade com até 20 mil habitantes.
Aprendizado
A partir da escolha do projeto, o proponente passa por uma oficina no Rio de Janeiro, quando entra em contato com todas as etapas de realização de um audiovisual – da preparação do roteiro à edição final. As representantes de Mato Grosso do Sul na edição deste ano – Hilda Maria dos Santos, 63 anos, e Lúcia Regina Alves Pereira, 42 anos – estão desde o dia 5 de outubro no Rio de Janeiro participando das aulas, que terminam hoje.
“Estou aprendendo uma novidade a cada dia. Está sendo uma experiência fabulosa”, avalia Hilda, que inscreveu o projeto “O enterro”. Ela representa Terenos e nunca teve nenhuma experiência com produção cinematográfica. “Nem com fotografia”, brinca. Moradora de uma chácara perto da cidade, ela quer contar em seu filme uma história que mistura ficção e realidade. Casada, mãe de 3 filhos, está concluindo o curso de Letras. “Adoro escrever histórias e poesias. Um amigo me informou sobre o projeto e resolvi mandar o texto”, destaca Hilda.
A narrativa mostra uma jovem recém-casada, que vive isolada na área rural, passando por várias dificuldades financeiras com o marido, até que um achado na propriedade transforma sua realidade. “Tem muito da minha história, mas também utilizarei muito de ficção”, antecipa.
Carvoeiras
Lúcia Regina, 42 anos, representa Ribas do Rio Pardo, onde atua na ONG Essência da Mulher, que atende, entre outras, mulheres carvoeiras. Foi da realidade delas e de suas famílias que se inspirou para escrever o projeto “Saga de um carvoeiro”. “O meu trabalho terá a denúncia social como principal elemento”. Ela optará por narrativa que trafega por elementos do documentário e da ficção. “No começo, mostrarei de modo documental a realidade dos carvoeiros. Depois, entra a parte de ficção, quando um carvoeiro começa a utilizar elementos do seu trabalho para produzir arte”, conta Lúcia, que também não tem nenhuma experiência em audiovisual. “Está sendo tudo novo para mim. Quero que o trabalho represente bem nossa região”, diz Lúcia.
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