O caminho se inverteu. Se antes eram artistas de vários pontos do País que visitavam Mato Grosso do Sul, dando origem ao Projeto MS Canta Brasil, agora é a vez do “Brasil canta MS”, quando músicos locais percorrerão espaços nobres de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, São José – cidade a 15 quilômetros de Florianópolis – e Porto Alegre, mostrando a diversidade sonora local. A iniciativa tem a chancela do Governo do Estado por meio de recursos provenientes do Ministério da Cultura, totalizando R$ 456.500, 28.
“A ideia vinha sendo estudada há algum tempo, mas não podíamos divulgar porque aguadávamos a liberação dos recursos obtidos com a emenda parlamentar apresentada pela senadora Marisa Serrano”, explica o presidente da Fundação de Cultura do Estado, Américo Calheiros.
Segundo o presidente, o objetivo do Estado é fazer a divulgação musical local em várias frentes, além de Campo Grande, cidades do interior e fora das fronteiras de MS. “Ao longo dos anos, conversamos com os artistas, que viam a necessidade de mostrar a nossa produção em outros lugares do País, divulgando, cada vez mais, o que temos de qualidade por aqui”, destaca Américo.
Depois de obtidos os recursos para o projeto, era necessário montar um espetáculo que pudesse circular com facilidade. “Lembramos de um show montado pelo músico Otávio Neto no Festival de inverno de Bonito, há cerca de 3 anos, quando mostrou a diversidade da nossa música. Mas agora tivemos que sintetizar a ideia, já que naquela apresentação foram reunidos perto de 50 músicos. Isso seria inviável”, lembra Américo. O espetáculo apresentado em Bonito tinha como mote o meio ambiente. “Agora, é diferente. Nossa intenção é mostra a tradição e a modernidade da nossa música. É um resumo difícil e complexo”, aponta Otávio Neto.
A delegação contará com Geraldo, Jerry e Gilson Espíndola, Edineide Costa, Filho dos Livres, Eduardo Martinelli, Sandro Moreno (bateria), Alex Mesquita (baixo), Adriano Magoo (sanfona), Marcos Assunção (guitarra/viola). “Também contaremos com um quarteto de cordas e duas bailarinas do grupo Corpomancia. Ainda participarei no teclado”, anuncia Otávio, que cuida da direção musical e artística da empreitada.
Ele levou um mês pesquisando o repertório, que inclui desde clássicos locais como “Seriema”, “O sol e a lua”, “Quiquiô”, até canções mais recentes como “Índia pantaneira” e “Madre Canaã”, sem esquecer “Trem do Pantanal”, “Chalana”, “Vida cigana” e a polca rock “Colisão”. Ainda serão destacados “Gaivota pantaneira” e “Mercedita”. “É muito importante levar a nossa música para locais que têm uma tradição importante, abre novas perspectivas”, defende o diretor musical.
Artes plásticas
Mas não é somente de música que será constituída a caravana de artistas de Mato Grosso do Sul por outros estados. As artes plásticas e o artesanato estarão presentes. “Montaremos as exposições nos locais que acontecerão os shows”, diz Américo Calheiros. Nas artes plásticas, estarão expostas obras de Humberto Espíndola, Miska, Jorapimo, entre outros. Na parte de artesanato, trabalhos de vários pontos do Estado. Segundo Américo, a primeira edição do projeto servirá de referência para ações desse porte em outros anos. “Veremos o que pode ser alterado e o que pode permanecer”.
Por causa do Projeto Brasil Canta MS, o outro, “MS canta Brasil”, voltará somente no ano que vem. Américo diz que, a príncipio, os shows estarão centrados em Campo Grande. “Há ideia de levar para o interior, mas ainda não definimos nada nesse sentido. Vamos analisar as possibilidades”.
O primeiro show do “Brasil canta MS” acontecerá na próxima sexta-feira, no Memorial da América Latina, em São Paulo. Depois, no dia 16, será a vez de Curitiba assistir ao show no Anfiteatro do Canal da Música. Dia 21, em São José, no Teatro Adolfo Melo. Dia 24, no Teatro Dante Barone, em Porto Alegre. Haverá ainda um show em Campo Grande, mas a data ainda não foi definida.
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