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religião

Como superar limites e vencer traumas

Como superar limites e vencer traumas

Redação

14/11/2010 - 01h30
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Em um mundo em que tudo é volátil, líquido e passageiro, como lidar com as tradições e manter os valores que durante tanto tempo organizaram a sociedade? Para o pastor e psicólogo Nivaldo Didini Coelho, o caminho para esta resposta está na igreja. Não uma que esteja ligada a religião ou aos antigos dogmas, mas sim em um espaço que perceba o outro como um indivíduo e não um objeto. “A sociedade vê o outro a partir do que ele tem a oferecer, aproveitando apenas as aptidões de cada um, esquecendo que são pessoas, com pensamentos, sentimentos e dores”, descreve.

No livro “Valores de uma igreja terapêutica”, escrito por Nivaldo, que será lançado na próxima sexta-feira, às 19h, na Igreja Batista Ágape, o autor busca um meio de promover mudanças em relação aos aspectos do mundo contemporâneo que o inquietam. “Medimos os outros por terem mais ou menos que nós. Proponho que isso seja deixado de lado e as pessoas percebam que o principal é ser”, explica. Para ele, olhar o humano e entender que o ser antecede suas capacidades é o primeiro passo para uma sociedade que quer se transformar.
Embora o livro seja escrito para o público cristão, suas aplicações podem ser estendidas para as demais formas de organização da sociedade. “Estou falando de princípios, daquilo que pode ser aplicado em nosso cotidiano, estendendo-se por todas as experiências”, pontua Didini. O ponto de vista que o autor utiliza no trabalho é o teológico, que vê na existência de Deus, uma forma de ética para o ser humano. Como detalha a psicóloga psicanalista Karin Wondracek sobre o trabalho, “Nivaldo reúne teologia, psicologia e administração para nos levar à condição humana e seu sofrimento”.

Um dos caminhos para isso, segundo Didini, é curar as dores e feridas da alma que atingem tantas pessoas. “Carregamos em nós uma espécie de criança interna, ela guarda as mágoas e tristezas pelas quais passamos na infância. É em cima dela que nosso trabalho deve se focar”, teoriza. O conceito de resiliência, que na psicologia diz respeito a capacidade do indivíduo lidar com os problemas, superar obstáculos e resistir ao estresse de situações adversas, é uma das chaves para entender o trabalho de Didini.

Em sua atuação pastoral, que se estende por mais de 30 anos, Didini afirma que muitas pessoas que atendeu passaram por situações limites, no entanto, não tiveram meios para se tornar resilientes, ou seja, para retomar aquilo que eram antes do trauma. “Imagine também que muitos desses traumas se dão quando as pessoas estão na infância, dificultando ainda mais o processo”, aponta. Segundo ele, muitos dos que abusam, um dia foram abusados. O papel da “igreja terapêutica” é oferecer ajuda e amor, sem nada em troca.

Mas, para Didini, é imprescindível que a teologia faça interface com outras ciências, como a psicologia, a filosofia, a medicina, a fisioterapia, entre outras. “Todo ser humano é completo, não podemos nos esquecer disso. Oferecer cuidado em todas as áreas e aspectos é primordial”, descreve. Citando um leque de teóricos, o autor propõe uma teoria do cuidado para o outro baseada no amor e na fé. “Não é uma fé religiosa, mas em um ser maior e mais completo, capaz de dar sentido e propósito à vida”, pontua.

“Vejo muitas pessoas buscando respostas para as questões existenciais. Mais que oferecer essas respostas, queremos entender o que causa essas inquietações e procurar ajudar o outro”, afirma Didini. Mais importante que abrir novas igrejas, é fortalecer os espaços que existem, tornando-os comunidades terapêuticas, com profissionais capazes de atuar em diversas áreas, oferecendo cura para as doenças da mente.

Para isto, Didini acredita em uma ação terapêutica, na qual se trate do outro com respeito e cuidado, tendo-se em mente que a pessoa que procura ajuda, passa por tormentos e angústias muito grandes, que nunca devem ser desmerecidas. Em 60 páginas, o autor faz um apanhado teórico que oferece ferramentas para quem quer conhecer essa nova maneira de lidar com o próximo, que se distancia das visões tradicionais de igrejas católicas e evangélicas. É uma leitura fácil, recheada de citações bíblicas, mas pesando sempre a visão de pesquisadores e estudiosos de áreas diversas, como a psicologia, a psiquiatria, a psicanálise, a medicina, entre outras.

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