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Saúde sem fronteiras

Saúde sem fronteiras

Redação

30/11/2010 - 00h00
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Ele é um dos maiores especialistas do mundo em gastroenterologia. Ela é um fenômeno da medicina no Brasil. Alan Colm Moss, professor de Medicina da Universidade de Harvard, dos EUA e a médica Dídia Bismara Cury, da Clínica Scope de Campo Grande, lançaram na última quinta-feira, dia 25, durante 9ª Semana Brasileira do Aparelho Digestivo realizada em Florianópolis, Santa Catarina, um livro inédito, fruto da parceria pioneira em pesquisas entre os especialistas.

Trata-se de um livro-texto, que se diferencia das obras científicas pois pode ser lido também por pacientes (leigos) que traz informações importantes sobre um problema bastante grave e ainda pouco conhecido do público brasileiro: as doenças inflamatórias intestinais (retocolite ulcerativa e doença de Crohn). Com selo da editora Rubio, o livro é um marco na medicina brasileira e foi escrito, organizado e editado pela brasileira, residente em Campo Grande, Dídia Bismara Cury e pelo norte-americano Alan Colm Moss. É um marco porque, primeiro, representa uma parceria inédita entre uma médica brasileira e um médico professor da Faculdade de Medicina de Harvard, dos EUA, uma das melhores do mundo.

Dídia Cury atua em Campo Grande, desde 2005 e mantém um extenso trabalho de pesquisa científica que extrapola e muito as fronteiras nacionais, tanto geográficas quanto científicas, comprovado por seu currículo: doutora em ciências médicas pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina, membro da American Gastroenterology Association (AGA) e membro titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG).

Alan Colm Moss é professor de Medicina da Faculdade de Harvard, em Boston, nos EUA, e Diretor do Centro de Pesquisa Translacional de Doenças Inflamatórias Intestinais do Beth Israel Deaconess Hospital, também da Universidade de Harvard.  “A prevalência das doenças inflamatórias intestinais (DII) aumentou nos últimos 20 anos no Brasil – uma tendência vista em muitos países desenvolvidos. Durante esse período, as opções terapêuticas disponíveis para os pacientes com essas doenças mudaram drasticamente e continuam a evoluir”, destacou Alan, no prefácio do livro, sobre a importância da obra.

“É com muito orgulho que a Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) apresenta o livro-texto de “Doença inflamatória intestinal”, parabenizando seus autores pela ideia de apresentar de forma detalhada uma das doenças que mais tem chamado a atenção dos colegas gastroenterologistas, pelos grandes avanços obtidos tanto em sua fisiopatologia, como no diagnóstico e tratamento”, também escreveu Jaime Natan Eisig, Presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia, no prefácio do livro.

Segundo a doutora Dídia, o livro traz artigos de mais de 40 super especialistas, professores das principais universidades brasileiras e também de Harvard, distribuídos em 35 capítulos, cujos diferentes estudos fornecem um “raio X” detalhado e multidisciplinar sobre as doenças inflamatórias intestinais. “Por estarmos diante de doenças complexas e com manifestações múltiplas que englobam outras áreas, como reumatologia, dermatologia, nefrologia, entre outras, foi necessário elaborar um trabalho multidisciplinar, fator que nos motivou a convidar renomados especialistas de diversos estados do Brasil, além dos estrangeiros”, resume a médica.

Retocolite e doença de Crohn
Durante milhões de anos, nosso sistema imunológico de defesa foi preparado pela evolução para atacar todos os agentes estranhos que penetrem em nosso organismo e para proteger o que é próprio de cada um de nós. Certas alterações nesse sistema provocam mudanças nessa regulação de tal forma que as células imunológicas se confundem e passam a agredir os tecidos que deveriam proteger.

É mais ou menos isso que acontece com a doença de Crohn, explica a doutora Dídia Cury, hoje a maior autoridade na cidade para nos explicar sobre a tão complexa doença de Crohn.
De origem desconhecida sabe-se até o momento que todos os portadores da doença têm fator genético determinante, que associado ao estilo de vida acaba deflagrando a resposta inflamatória desenfreada, que será traduzida por meio dos diversos  sintomas. “Esta inflamação pode ocorrer tanto dentro do intestino onde a manifestação mais comum é a diarréia, como fora dele podendo ocorrer por meio de aftas na boca, lesões ou manchas escuras na pele, cálculos de vesícula ou renais, dor articular do tipo artralgia sem causa aparente, onde o paciente trata, porém não tem melhora da mesma. Misteriosamente essa doença pode também cursar com infertilidade e as pacientes quando procuram o especialista e passam a fazer o tratamento em seguida engravidam, isso é muito frequente, só aqui no consultório em Campo Grande, nesse curto espaço de tempo, nós tivemos cinco casos”, exemplifica a doutora.

Por isso, segundo a médica, quando a doença de Crohn ocorre fora do intestino os pacientes começam sua caminhada por outras especialidades médicas, que não a gastroenterologia, provocando assim um atraso não só no diagnóstico como no tratamento correto da doença.   “Há muitos anos, as doenças inflamatórias do intestino eram denominadas apenas como colite. Mas, hoje sabemos que essa é uma nomenclatura bastante antiga e generalizada, pois, temos mais de quatro tipos de colites e para cada uma delas, há causa e tratamentos específicos, diferentes entre si”, alerta Dídia.

De acordo com a especialista, tanto a determinação da doença inflamatória (retocolite e Crohn) quanto a abordagem terapêutica têm conquistado grandes avanços, embora a cura definitiva ainda não exista. “Hoje, temos drogas muito eficazes e o paciente pode livrar-se da ‘crise’ (fase aguda) em sete dias, conquistando uma vida normal por meio da manutenção do tratamento e assim o controle definitivo da doença”, esclarece.

Para finalizar a doutora Dídia destaca que a importância de um tratamento eficaz, além de poder devolver ao paciente a vida normal, consegue-se evitar outras doenças como a desnutrição, câncer de intestino, doenças do fígado, doenças oculares como a uveite, irite, perda óssea como a osteoporose, fístulas, obstruções intestinais que levarão o paciente à cirurgia, estreitamentos do intestino (estenose), hemorróidas, dentre outras.

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