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Bichos

Como adotar um amigo

Como adotar um amigo

Redação

01/12/2010 - 00h00
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Com o número de cães abandonados sempre crescendo, ONGs e veterinários indicam que o melhor é a adoção. Em campanhas, alguns afirmam que “amigos não se compram, se adotam”. Segundo o médico veterinário Antônio Defante Júnior, cada pessoa tem prioridades e necessidades na hora de escolher um cão ou um gato, portanto, “é bom levar em consideração o que se pretende. A principal vantagem na adoção é social, pois está se tirando um animal da rua para oferecer um lar”, aponta.

Até mesmo criadores indicam a adoção, como no caso de Sandro Ramos, do canil Khentzu Kennel, no Rio de Janeiro. Segundo ele, quem gosta dos animais tem uma obrigação moral de ajudar os bichos que foram abandonados. “Assim, se você deseja, apenas, ter um amigo, um companheiro, para troca de carinho incondicional, avalie a possibilidade de adotar um animalzinho carente”, afirma em carta enviada a um site sobre animais.

Segundo Antônio, este é o perfil de quem costuma procurar clínicas veterinárias ou ONGs como o Abrigo dos Bichos, Vira Latas ou Amigo Fiel para adotar animais. “Geralmente são pessoas que não teriam como comprar um animal ou que querem um bichinho para companhia. Entretanto, é importante lembrar que não é porque não se gastou com o animal que ele não merece os mesmos cuidados que um cão de raça”, alerta.

O primeiro passo para uma adoção saudável, em que tanto o animal, quanto os futuros donos estarão seguros, é procurar locais como as ONGs e associações citadas ou ir até uma clínica veterinária. “Existem duas situações”, comenta o veterinário. “É possível adotar cães e gatos ainda filhotes ou animais já adultos, que foram abandonados ou encontrados na rua. A escolha está ligada ao que se espera do animal. Mas é preciso tomar os cuidados necessários”, explica.

Quando se trata de filhotes, é importante respeitar a carteirinha de vacinação e vermifugação. No caso de adultos, quando existe um carteirinha, basta continuar seguindo da maneira correta. Se não, existem doses de reforço que devem ser aplicadas anualmente. “Quando se adota um cão ou gato em ONGs ou clínicas, eles já passaram pelos cuidados básicos. Mas, se o dono encontrou o animal na rua, é importante, para o bem-estar dos dois, levá-lo à clínica para um check-up completo”.

Segundo Sueli Traveiro, da Associação Solidária Casa Animal Vira Latas, adoção não significa que não é necessário ser responsável. Quando se adota, o responsável pelo cão tem de assinar um termo de compromisso, mostrando que ele vai cuidar do cão de acordo com o que regulamenta a lei de posse responsável. “Não é porque não se gastou com o cão que ele não merece o mesmo respeito que outro animal”, argumenta.

A coordenadora da associação ressalta que sempre que possível são feitas visitas a casa dos donos, para constatar as condições em que o pet encontrará. “Também indicamos os animais que se encaixam no que a família busca. Por exemplo, se um animal é grande ou pequeno, se existe espaço na casa. O futuro dono preenche um questionário que indica o melhor cão para companhia”, detalha Sueli.

O trabalho feito pela associação em que Sueli atua faz desde o recolhimento de cães nas ruas até o tratamento veterinário para que o animal seja doado em boas condições de saúde. Entretanto, a associação está trabalhando em seu limite. “Não temos mais espaço, assim como está ficando cada vez mais difícil tratar os animais, pois não contamos com um veterinário e os tratamentos são muito dispendiosos”, pontua.

Amizade não se compra
“Não compre. Adote”. Este é o lema da fotógrafa Vânia Jucá. Desde a infância, ela conviveu com animais sem pedigree ou “qualquer dessas frescuras”. Para Vânia, o mais importante é o afeto e o carinho que se tem pelos animais. “Eles não são coisas para serem comercializados. Com tantos cães e gatos abandonados por ai, não vejo motivo para as pessoas gastarem dinheiro”, ressalta. Atualmente, ela é dona de dois cães e “vários gatos”.

A primeira a fazer parte da família de Vânia foi uma cadela “yorklata”. A mistura de vira-lata com yorkshire rendeu um animal peculiar, que a fotógrafa decidiu chamar de Cindy. “Ela tem quatro anos. Foi o primeiro animal que eu adotei depois que passei a morar sozinha. Depois dela, nunca mais parei”, afirma, lembrando que é dona de outro cão de um ano de idade.

Segundo Vânia, existem muitos donos inconsequentes que acabam abandonando os animais ou deixando-os procriar sem o menor cuidado. “É fácil passar por um animal sofrendo e fechar os olhos. Eu não consigo, sempre que vejo um nessas condições, sofro junto. Por isso, acabo trazendo vários animais para casa”, lembra. A fotógrafa, além de adotar os animais, leva alguns para casa para cuidar e oferecer para a adoção depois.

“Com a Cindy foi mais ou menos assim. Eu a peguei para dar de presente à minha vizinha que acabara de perder um cão. Mas, acabei me apaixonando e ela ficou comigo”, conta. Na época, Vânia também tinha um poodle. Segundo ela, a mistura de animais em casa é algo que sempre acontece. “Tenho cães e gatos, todos adotados, que convivem numa boa. No começo era meio estressante, mas, hoje, todos convivem numa boa”, finaliza.

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