Correio B

Olimpíada da Língua Portuguesa

Olimpíada premia 20 estudantes do País

Olimpíada premia 20 estudantes do País

Redação

02/12/2010 - 00h00
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Numa cerimônia que contou com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Educação, Fernando Haddad, no Museu Nacional em Brasília, na última segunda-feira, foram premiados 20 estudantes de escolas públicas de 12 estados, na etapa final da Olimpíada da Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro. O evento é iniciativa da Fundação Itaú Social e do Ministério da Educação. O concurso teve a participação de 239 mil professores e 7 milhões de alunos do 5° ano do ensino fundamental ao 3° ano do ensino médio.

Do evento participaram 152 finalistas, acompanhados dos professores e diretores de escola. Destes, foram selecionados 20 vencedores, que com seus professores receberam medalhas de ouro – do presidente – e computadores. As escolas onde eles estudam serão equipadas com laboratórios de informática e livros para a biblioteca. Mais cedo, no início da manhã, todos os finalistas visitaram a Catedral Metropolitana, a Praça dos Três Poderes, o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Palácio da Alvorada.

O objetivo da olimpíada, que está na segunda edição, é formar professores, por meio de cursos presenciais e farto material didático, que estimulem os alunos a ler e escrever, proporcionando maior aprendizado sobre a língua portuguesa em todos os aspectos. O tema, a exemplo da primeira edição, é “O lugar onde vivo”, proporcionando aos estudantes uma reflexão sobre sua própria realidade, retratada nas quatro categorias: poema, crônica, artigo de opinião e memórias literárias (forma premiados 5 alunos de cada).

Mato Grosso do Sul
Foi na categoria Memórias Literárias a participação da única representante de Mato Grosso do Sul, Francieli Mabel Villagra, de 13 anos, que não ficou entre os 20 premiados. Ela é estudante do 8° ano da Escola Municipal Leonor de Souza Araújo – Polo, de Nova Alvorada do Sul, e foi a Brasília acompanhada da professora Maria das Graças de Sá Cavalcante e da diretora Adriane da Cunha. Assim como ela, os outros professores e alunos finalistas foram premiados com medalha de prata e aparelhos microsystem. Os 500 semifinalistas ganharam medalhas de bronze e uma coleção de livros.

No texto “A minha cidade querida”, Francieli, a partir de uma entrevista feita com a senhora Dulce Pereira Melo, de 65 anos, moradora de Nova Alvorada do Sul, discorre sobre a vida dela e a importância da cidade neste contexto. A aluna é nascida em Paranhos, morou dez anos numa cidade do Paraguai e há três mudou-se para Nova Alvorada do Sul. Foi incentivada pela professora a participar da Olimpíada. “Ela falou na sala mas apenas algumas pessoas se interessaram; lembrei da dona Dulce e achei que poderia escrever para a categoria Memórias. Foram várias aulas escrevendo, reescrevendo, com a professora ensinando a aperfeiçoar o conteúdo, até que um dia cheguei na escola e o prefeito estava lá com uma faixa dizendo que estávamos classificados. Foi a maior emoção”.

Para a diretora da escola, a olimpíada é uma oportunidade para que os gestores de escola pública vejam isso como uma maneira de os professores incentivarem os alunos à leitura e estes trabalhos acontecerem dentro da sala de aula. “Trata-se de uma metodologia diferente para o professor trabalhar e conseguir o objetivo da olimpíada, que é fazer com que o aluno tenha gosto pela leitura. Mesmo não trazendo a medalha de ouro, chegar onde chegamos tem muito valor. Para a próxima vamos nos esforçar ainda mais, a responsabilidade agora é maior e enquanto gestora procurarei entusiasmar todos os professores e os alunos”.

Entre os medalhistas de ouro estava a estudante de 17 anos Rossana Dias Costa, do município de Pedra Lavrada, na Paraíba. Grávida de 7 meses, emocionou-se ao subir ao palco e receber a medalha pelo presidente. A aluna abordou em seus textos os problemas ambientais causados por uma empresa mineradora instalada na cidade onde ela mora é que é a maior fonte empregadora do local.

Em 2008, dois alunos de Mato Grosso do Sul estavam entre os 15 vencedores da primeira edição da Olimpíada da Língua Portuguesa: Vânia Nogueira de Lara, de Rio Brilhante, e Gustavo França  Maia, de Nova Andradina.

Ministro quer institucionalizar olimpíada
Ao falar sobre a importância da Olímpiada da Língua Portuguesa para o País, o ministro da Educação Fernando Haddad disse que enviaria uma minuta de decreto para a Casa Civil a fim de institucionalizá-la. “Políticas desse tipo não podem ser de governo, mas do Estado”, disse, citando, ainda, a importância de outro evento similar, a Olimpíada de Matemática, que segundo o presidente da República “é a maior do mundo”, já que contou com 20 milhões de participantes na última edição.

Em seu discurso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teceu elogios ao ministro Haddad, relembrando sobre a decisão acertada do ministério em se unir à Fundação Itaú Social na realização desta olimpíada, elogiando, ainda, o cumprimento da meta de inauguração de universidades e escolas técnicas, além da criação do Programa Universidade para Todos (ProUni), que ele citou como sendo ideia da mulher do ministro.

Além disso, Lula falou, visivelmente emocionado, sobre as novas regras para acesso ao Financiamento Estudantil (Fies) que acabam com a exigência de fiador. “Estamos caminhando para que neste País não tenha um único ser que diga que não estudou porque não tinha dinheiro”. E fez questão de valorizar todos os finalistas, lembrando que até chegar à Presidência da República perdeu em três eleições mas não desanimou: “Claro que é importante ganhar, mas não ganhar não diminui ninguém. Vocês viram quantas eleições eu perdi? Eu nunca desanimei”.

Para finalizar, disse que o Brasil não pode ficar para sempre sendo exportador de “minério de ferro e mandioca”: “Vai chegar um dia em que o Brasil exportará conhecimento e inteligência”.
 

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