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Projeto Interação

Novos olhares sobre o interior

Novos olhares sobre o interior

Redação

07/12/2010 - 00h00
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“Mato Grosso do Sul é um Brasil pequeno. Cada cidade tem sua particularidade. Muita gente acha que todas as cidades têm perfis parecidos, mas não é bem assim”. A coordenadora do Núcleo de Audiovisual da Fundação de Cultura do Estado, Lidiane Lima, faz a observação acima a partir dos trabalhos desenvolvidos em oito cidades de Mato Grosso do Sul na parte de audiovisual do Projeto Interação – iniciativa da Fundação de Cultura em parceria com a Fundação Nacional de Cultura (Funarte), que disponibilizou oficinas culturais  em cidades do interior, em 2010.

A partir desta semana, os documentários das oficinas começarão a ser conhecidos. São produções feitas em Naviraí, Ponta Porã, Dourados, Bonito, Corumbá, Coxim, Nova Andradina e Três Lagoas. Cada uma das realizações mostra aspectos diferentes das regiões onde foram feitas. Por exemplo, Pontã Porã buscou destacar a cidade além das manchetes dos jornais. Bonito fixou a câmera em torno de tipos populares. Nova Andradina apostou em aspectos distintos da terceira idade. Naviraí, por sua vez, fez reflexão sobre aspectos econômicos da cidade, enfatizando o ciclo da madeira.  

Até chegar à etapa final,  o lançamento dos filmes, o projeto passou por fases distintas. Num primeiro momento, profissionais do audiovisual de outros pontos do País realizaram oficinas em Campo Grande. Repassaram noções de roteiro, produção, edição, entre outros. A etapa contou com a participação de interessados no assunto, de vários pontos do Estado. Depois, alguns dos alunos foram recrutados conforme a participação nas oficinas, para multiplicar o conhecimento no interior.

Nas cidades, as inscrições estavam abertas ao público em geral. Por causa disso as equipes de produção contaram com profissionais originários de diversos setores – educação, profissionais liberais, artistas, produtores culturais, serviços gerais, entre outros. Em média, cada turma contou com 15 integrantes. A oficina tinha duração de 60 horas. A definição dos assuntos a serem desenvolvidos nos documentários aconteceu por meio de votação. Cada integrante poderia apresentar seu argumento e o autor do escolhido se tornava o diretor.

Foi isso o que aconteceu com a professora de artes Ana Lúcia Ferreira Vasconcellos, atuando na rede estadual e municipal de educação em Nova Andradina. “Como estava acontecendo no período da oficina o concurso de Miss e Mister Terceira Idade na cidade, resolvemos enfocar o assunto da velhice por dois lados. No primeiro, destacando aqueles que fazem várias atividades no seu dia a dia. No outro, aqueles que estão nos asilos. São realidades diferentes. Registramos vários depoimentos. Em um, tivemos verdadeira lição de vida por parte de um senhor que mora no asilo”, enfatiza Ana Lúcia, que nunca tinha participado de um projeto de audiovisual.

A partir de agora, essa forma de expressão não estará mais distante do seu cotidiano, principalmente na educação. Mal terminou o documentário, a professora já realizou outro trabalho. Desta vez, em uma das escolas onde dá aula. “Quando surgiu a oportunidade de fazer a oficina, eu já queria produzir um vídeo na escola, mas eu não sabia como fazer. A oficina me propiciou as condições para eu realizar o trabalho com os alunos”, destaca a professora, que levou para o audiovisual um texto de Graciliano Ramos, “Alexandre e outros heróis”.

Outro aprendizado
O projeto também serviu para quem tinha experiência mas não conhecimento técnico mais profundo pudesse planejar novas empreitadas. É o caso da guia de turismo Fernanda de Souza Reverdito, de Bonito, que participou do documentário “espontânea Mente bonito”, que destaca o cotidiano de 4 tipos populares da cidade com comportamentos considerados exóticos. “Tinha feito anteriormente um trabalho sobre a memória da cidade, além de atuação com teatro. Agora, tenho plano, a partir dessa experiência na oficina, de editar as imagens que registrei em 2004 da região e fazer uma série de curtas”, planeja Fernanda, que atuou na produção do documentário.

Produtores querem mostrar a diversidade local
Lidiane diz que cada equipe apontou soluções próprias de produção.” A turma de Três Lagoas optou por um trabalho didático sobre a história da estrada de ferro Noroeste do Brasil na cidade, enquanto  a turma de Corumbá trabalhou de forma mais experimental a realidade da cidade. Isso foi um ponto muito importante do projeto, cada local mostra uma visão diferente das cidades do Estado, enfatizando a diversidade”.

Isso ficou latente também na produção originária de Ponta Porã, que resolveu unir documentário e ficção. “Nossa proposta foi realizar um material que não fosse institucional. Por meio da visão de uma criança, queríamos fazer uma viagem, mostrando o outro lado da fronteira, distante daquilo que normalmente recebe destaque nos meios de comunicação. Mostramos um outro ângulo com aspectos culturais tendo mais atenção”, explica o secretário de Turismo, Integração e Desenvolvimento Sustentável de Ponta Porã, Marcelino Nunes de Oliveira, que participou da oficina ao lado de profissionais de origens distintas – professor, artesão, militar, advogado, entre outros. “Misturamos ficção e realidade, além de realizar uma pesquisa sobre origem de vários elementos da música, gastronomia da região”, lembra Marcelino.

Uma das intenções do projeto era que os participantes, além de tomar conhecimento de aspectos de realização do audiovisual, também cuidassem da difusão do material. No caso da turma fronteira, além da primeira exibição oficial, ainda há a intenção de comercializar cópias do documentário e distribuí-lo no Paraguai. “Houve interesse de instituições de ensino paraguaias para conhecer o documentário e queremos enviar o material para lá”, planeja Marcelino.

Os documentários participantes do projeto também deverão ser inscritos em festivais nacionais e internacionais dedicados ao gênero. Os lançamentos oficiais acontecem amanhã em Naviraí, (exibição na Câmara Municipal, às 19h30min, entrada franca), dia 9 (Ponta Porã), dia 10 (Dourados), dia 11 (Bonito), dia 12 (Corumbá), dia 14 Coxim, dia 15 (Nova Andradina) e Dia 16 (Três Lagoas). 

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