Com a definição em novembro da ordem do desfile das nove escolas de samba, nos dias 6 e 7 de março, o carnaval de Corumbá concentra agora o trabalho nos barracões, captação de recursos e apresentação dos sambas-enredo às comunidades. A novidade para o próximo ano é o retorno da Escola de Samba Imperatriz Corumbaense, que entra na avenida para uma apresentação especial.
A energia dos carnavalescos, na realidade, não cessa o ano todo. As rodas de samba revivem os grandes sambas-enredo do passado e o teatro de arena do porto geral tem sido um ponto de encontro das baterias nos fins de semana. No Dia Nacional do Samba, 2 de dezembro, as escolas de samba fizeram uma prévia do que será a folia de 2011, com apresentação de passistas, mestre-sala e porta-bandeira.
A cidade promove o melhor carnaval de rua do Centro-Oeste, atrai milhares de foliões e turistas, porém, ainda pensa pequeno em relação à estrutura para potencializar o espetáculo que as escolas de samba proporcionam. A Avenida General Rondon, passarela do samba, não comporta mais a grandiosidade desse carnaval. O espaço, pequeno, atrapalha o desfile e traz desconforto ao público.
A construção de um sambódromo divide a prefeitura, que organiza a festa com a Liesco (Liga Independente das Escolas de Samba), e os carnavalescos, contudo a profissionalização do carnaval, hoje uma realidade, está condicionada a um espaço digno que contemple o nível do desfile que é apresentado na avenida das palmeiras seculares. Parte do desfile cronometrado é feito em paralelepípedos.
Superação
A mudança do local do carnaval de rua polemiza, tem resistência dos tradicionalistas – que são maioria – e os corumbaenses acabam esquecendo as dificuldades de levar a escola pelo amor ao samba. Isso é uma realidade: a superação de todo ano faz o poder público cruzar os braços e jogar o problema para a Quarta-feira de Cinzas. A Avenida General Rondon torna-se um caldeirão no grande dia.
Enquanto a discussão não chega à passarela, as agremiações se dedicam aos preparativos do enredo, formatando o desfile e guardando as surpresas na busca do título. Este ano, a Liesco antecipou a ordem do desfile dos grupos A e B para facilitar a divulgação do evento e sua roteirização. “Demos o pontapé ao carnaval quatro meses antes”, falou Zezinho Martinez, presidente da liga.
Tudo a ver
O trabalho das escolas está diretamente ligado ao que rola no carnaval do Rio, uma relação cultural que vem do início do século passado. A influência carioca é forte, da batida no repique ao gingado da morena. Isso faz do carnaval corumbaense o diferencial no interior brasileiro, formando uma barreira ao ritmo nordestino que já predominou por aqui. Essa ligação estimulada pela Liesco é cada vez mais espontânea.
Recentemente, a cidade promoveu um workshop sobre samba-enredo para intérpretes e compositores trazendo o sambista da Beija-Flor de Nilópolis Samir Trindade, que deu dicas e falou de suas inspirações. Uma troca de experiência promovida pela escola Caprichosos de Corumbá, que sonha com o Grupo A. Trindade sentiu-se em casa: “conversar sobre samba é sempre bom e a rapaziada aqui tem tudo a ver”.
Mocidade retorna ao grupo de elite
Campeã do Grupo B este ano, a Mocidade Independente da Nova Corumbá retorna ao grupo de elite e se prepara para disputar o título com as favoritas Império do Morro, bicampeã, e Vila Mamona. Seu samba-enredo – “Sou malandro, sou carioca, sou Corumbá, sou Rio de Janeiro” – é uma releitura de um fato incontestável: as duas cidades, apesar da distância, estão unidas pelo carnaval, sim!
A Mocidade, que representa a parte alta (periferia) da cidade, já apresentou o samba-enredo e os croquis das fantasias para a comunidade, que tem a assinatura do carnavalesco Junior Barata, da escola carioca Grande Rio. Também da mesma agremiação, a Mocidade contratou o intérprete Braguinha, que defendeu o samba-enredo de 2010. O investimento para 2011 aproxima-se dos R$ 250 mil.
“O retorno ao primeiro grupo foi uma batalha e esse valor expressa o quanto a Mocidade valoriza a cultura vivaz, que é o carnaval de Corumbá”, disse o presidente João Pedro Cavassa. Quem assume o comando do desfile é o carnavalesco Aleks Batista, campeão do carnaval 2010 pela escola de samba Império do Morro, de onde saiu também o mestre nota 10 da bateria: Ninho. É preciso dizer mais?
No ritmo
A escola está estruturada: vai desfilar com 1.200 componentes, 200 a mais do que neste ano. São 12 alas, mais as baianas, bateria, passistas, comissão de frente e cinco carros alegóricos. As fantasias vão destacar os ritmos cariocas, do samba ao rock, funk e gafieira, homenageando os surfistas e, claro, os marinheiros. “Somos hoje uma escola grande e vamos mostrar isso na avenida”, promete Cavassa.
As demais escolas estão no mesmo ritmo. Terceira colocada em 2010, A Pesada contratou um dos maiores campeões na passarela, o carnavalesco Ricardo Vilalva, e vai contar o mundo imaginário das quatro estações. As agremiações ganharam uma linha de crédito e anteciparam, em outubro, as compras de materiais e acessórios para a montagem dos desfiles, enquanto aguardam a ajuda governamental.
Ordem dos desfiles
Grupo de Acesso
6 de março
Imperatriz Corumbaense
Marquês de Sapucaí
Caprichosos de Corumbá
Acadêmicos do Pantanal
Unidos da Major Gama
Grupo Especial
7 de março
Mocidade Independente da Nova Corumbá
Unidos da Vila Mamona
A Pesada Império do Morro
Correio B
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