Com onze anos de existência, a Oficina de Dança da Fundação de Cultura do Pantanal de Corumbá realiza neste final de semana, seu 17º espetáculo de dança. A apresentação deve ocorrer nos dias 11 e 12 de dezembro, sábado e domingo, no anfiteatro Salomão Baruki, a partir das 20 horas.
A Oficina de Dança, que começou com um grupo de jovens, hoje atende dezenas de turmas de crianças, adolescentes, adultos, entre 2 a 80 anos de idade, o que gerará em cima do palco, um elenco de 438 alunos, divididos em 22 coreografias.
Ao longo dessas mais de 10 anos, a Oficina vem se inovando e, neste ano, formou um grupo de balé contemporâneo somente com garotos e também deu início a um trabalho de inclusão com pessoas portadoras de necessidades especiais.
Em setembro, durante o evento "Corumbá em Dança" foi apresentada, pela primeira vez, uma coreografia com um cadeirante. O garoto Erick se desenvolveu tão bem e emocionou a plateia que estimulou a mãe de uma garota, a Kaoli, a procurar a Oficina.
"Estamos trazendo para o palco para que a comunidade tenha a consciência que temos muitos iguais a eles em Corumbá. Que eles precisam de espaço, que tem vontade e que querem participar", disse o coordenador da Oficina de Dança, Joílson Cruz, que voltará aos palcos depois de mais de 15 anos apenas nos bastidores.
"Eu fiquei dias em casa, com muito medo de dançar, da reação do público porque eu não subo no palco há muito tempo, mas vi que ela precisa, que eu preciso, pois ela está me ensinando muita coisa. O primeiro ensaio com ela, eu saia toda hora porque a gente vê tanta gente sem problemas e aí vem alguém com suas limitações, mas com toda vontade, com toda gana, com todo carinho de querer aprender", declarou Joílson que desenvolve esse tipo de trabalho junto com a bailarina e psicóloga Meire Montenegro.
Joílson e Kaoli, Meire e Érik serão os responsáveis pela abertura do espetáculo com a coreografia "Ternura". Os trabalhos com os portadores de necessidades especiais começaram em abril e, segundo Joílson, vão se estender entre as atividades da Oficina. "Por enquanto, estamos com dois alunos, mas quem se interessou, pode nos procurar", disse.
Quebrando preconceito
Mais recente é a formação do Grupo Masculino da Dança. Isso mesmo, um grupo formado apenas por rapazes com média de idade entre 18 anos, que chegaram até à Oficina para aprimorarem a dança de rua. No dia a dia, eles foram convivendo com outros estilos de dança e tomaram a decisão de pedir aulas de balé contemporâneo. Situação que surpreendeu até mesmo o coordenador da Oficina de Dança.
"A vontade partiu deles, eles disseram queremos dançar contemporâneo, dançar balé. Eu fiquei parado, assustado porque eram muitos e. de repente. todos estavam de malha, o que na minha época era muito difícil. Todos ensaiam exaustivamente até 10 horas da noite, mas tranquilos, felizes, pois acharam um local, se encontraram. Eles são hoje praticamente irmãos", contou.
Antes de frequentarem a Oficina, os rapazes buscavam desenvolver suas habilidades, testar novos passos através deles mesmos. O que sempre os uniu foi simplesmente a paixão pela dança. E não importava o lugar para a reunião que acontecia, geralmente, na porta de entrada do cemitério Santa Cruz.
"Eu trouxe eles pro palco porque são meninos que não estão presos a nenhum estilo de dança, a uma técnica, tem sua liberdade corporal. Dançavam ali na porta do cemitério seu hip-hop, seu break, são b-boys e, de repente, entraram na oficina e se apaixonaram por balé contemporâneo, mas me preocupo em ir devagar para que não percam essa naturalidade deles", explicou Cruz ao lembrar que o coreografia que apresentarão foi desenvolvida especialmente para eles por um bailarino da companhia do Jair Moraes, de Curitiba.
No espetáculo desse final de semana, também irão subir ao palco, as integrantes do projeto "Como Nossos Filhos", que são mães de alunos da Oficina, além de dezenas de turmas regulares. Os estilos serão os mais variados: clássico, street dance, contemporâneo e folclórico. Entre bailarinos e equipe de produção, estão envolvidas 500 pessoas. Para assistir ao "17º Espetáculo da Dança" será preciso levar um quilo de alimento não perecível por pessoa. Tudo o que for arrecadado, será doado para entidades assistenciais do município.