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Jornalismo Cultural

Seminário internacional discute avanço das tecnologias

Seminário internacional discute avanço das tecnologias

Redação

14/12/2010 - 00h22
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Há espaço para a crítica cultural na atualidade? Com a profusão de espaços para críticas culturais na internet, como fica a posição da crítica cultural nos órgãos de comunicação tradicionais? No atual momento, há qualidade na crítica cultural? Estas foram algumas das questões que nortearam o debate “O valor da crítica”, uma das atrações, no Centro Cultural Itaú, em São Paulo, do III Seminário Internacional Rumos Jornalismo Cultural – Princípios Inconstantes, encerrado na última sexta-feira. O evento, com duração de três dias, reuniu profissionais e pesquisadores do Brasil, Estados Unidos, Espanha e Inglaterra, teve como foco central discutir qual o papel do jornalismo cultural diante do avanço das novas tecnologias.

A mesa de discussões teve a participação do editor de Cultura da revista “Época”, Luis Antônio Giron; do professor da Universidade Federal do Espírito Santo, Fábio Malini; do editor e fundador da revista inglesa “Loud and Quiet”, Stuart Stubbs. A mediação foi feita pelo professor da Universidade Federal de Alagoas, Jeder Janotti.

Para Malini, que tem um estudo sobre a produção cultural na internet, a crítica cultural exercida nas novas mídias, mesmo com alguns problemas, é extremamente salutar. “É possível perceber que convivem nessa forma de expressão antigos e novos formatos. Muitas vezes, as críticas feitas nos blogs e outros fogem às velhas formas de agendamento, comuns nos órgãos de comunicação tradicionais”, destacou.

Para o professor, a crítica na internet, ao contrário de outros períodos, estabelece uma nova atitude entre criador/público: “Não há público, só parceiros”. “O processo de edição acaba sendo coletivo. Não há mais o princípio de isolamento para a variação da crítica cultural, hoje isso se estabelece no espaço público”, aponta o professor.

Por outro lado, Giron enfatiza que a crítica cultural geralmente vista na internet ainda é muito dependente órgãos tradicionais, não estabelecendo um contraponto. “Até no formato, parece mais uma cópia”. Mesmo assim, ele concorda que o surgimento de blogs trouxe novas possibilidades para expressar opiniões, apontando uma maior democratização.

Giron ainda destacou que a crítica, na atualidade, sobrevive. “A crítica ainda existe. Lembro que quando comecei no jornalismo, isso há mais de 20 anos, se dizia que a crítica tinha acabado. Não havia mais críticos como Antônio Cândido e Décio de Almeida Prado. Tivemos que começar novamente, foi no período da redemocratização do País. Éramos uma turma maluca, na Ilustrada, da “Folha de S. Paulo”. Fizemos muita coisa para  animar o público, o cenário da época. Há algum tempo entrevistei o Caetano Veloso – com quem briguei muito quando estava na Folha –  disse que naquela época, nós criamos uma espécie de ‘Ipanema de proveta’, quer dizer, um mundo à parte, uma coisa que não existia”, lembrou Giron.

Ousadia
O último a comentar sobre a questão proposta foi o inglês Stuart Stubbs. Ele é responsável por uma publicação considerada fenômeno editorial na Inglaterra. Num período em que a aposta maior é em torno das novas mídias, lançou uma revista impressa com tiragem de 15 mil exemplares. Stubbs disse que a ideia era criar algo que desse destaque para a crítica e abrir espaço para artistas e tendências que não recebiam atenção das outras publicações. “As pessoas ficam impacientes para terem mais informações. Normalmente, as críticas são apenas tirinhas nas revistas, pensei que pudesse haver uma revista que abrisse grande espaço para elas. Acho que mesmo com o avanço de novas mídias, sempre haverá quem queira um material de uma forma mais clássica e tradicional”, apontou Stubbs.

Durante o debate, Giron ainda apontou que a crítica precisava ser lembrada como um prestador de  serviço, um gênero de jornalismo e um material de reflexão, sendo que o “achismo” ou “opinião”, dentro desse segmento, é um fator que sempre existirá. “Cabe ao leitor escolher aquele crítico que ache mais capacitado”.

O segundo debate foi sobre “A cultura de ícones”, tendo a mediação da jornalista e professora Rachel Bertol, que também cuidou da curadoria do evento. Os debatedores foram o professor espanhol Juan Freire e a professora estadunidense Mia Consalvo. O primeiro enfatizou os elementos que formam a cultural digital – a abertura de várias possibilidades, a produção constante, a mistura de informações, a repercussão do que foi feito. Também lembrou os novos personagens da produção e do desaparecimento do que era considerado absoluto. “A internet  estabelece um paradoxo: tudo muda e tudo fica igual. É a economia da abundância, tudo cabe, não há limite”.

Mia fez uma pesquisa detalhada sobre o uso da internet nos Estados Unidos. No ranking dos mais acessados, estão as redes sociais, os jogos on-lines e o e-mail. Segundo ela, hoje as pessoas criam dois personagens “on-line” e “off-line”.  “Criam personagens a partir delas mesmas”.

A programação do III Seminário Internacional Rumos Jornalismo Cultural destacou ainda  “Criatividade e narrativas – fundamentos”,  “A cultura de ícones II – percepções”,  “O editor e as possíveis narrativas” e “Audiência: renovar para preservar”.

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