Correio B

Fim de ano

Ceia moderada

Ceia moderada

Redação

22/12/2010 - 00h00
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As festas de fim de ano são sinônimos de reunião em família, mesa farta e um verdadeiro desafio à manutenção das dietas que seguimos com muita disciplina durante todos ou maior parte dos dias do ano. Para algumas pessoas os cuidados para não estragar a festa vão muito além da preocupação com as calorias extras. Gestantes, diabéticos e pacientes em quimioterapia devem ter atenção redobrada nestes dias de festa. Confira a seguir a orientação dos especialistas para aproveitar ao máximo os momentos de alegria, sem cair na tentação e no exagero.

A médica Barbara Murayama, ginecologista e obstetra sugere cautela às suas pacientes, mesmo que a gestação esteja transcorrendo sem problemas. “Não abuse nem coma por dois! Por outro lado, não vamos passar vontade, né? Que tal, então, comer pequenas porções? Acho que essa é uma boa dica para não deixar passar nenhum prato gostoso”, exemplifica a especialista.

Quanto às bebidas alcoólicas, a obstetra enfatiza  que estão mesmo fora de cogitação. “Não há dose segura para o bebê. Por isso, este ano, meus brindes serão com água ou suco!”, recomenda.

Diabetes
Nos últimos anos, diversos produtos foram elaborados para tornar a vida dos diabéticos mais fácil e saborosa. Além disso, muitos tabus e determinações que o faziam ter que seguir uma dieta restritiva desapareceram. Atualmente, sabe-se que esses indivíduos devem ter uma alimentação saudável com pouquíssimas restrições ou proibições.

Segundo a nutricionista Flávia Moraes, da rede Mundo Verde, o diabético, assim como em qualquer outra época do ano, deve comer com moderação mesmo os alimentos sem açúcar. “Todo excesso é prejudicial e pode desestabilizar o quadro. Por exemplo, uma bananada sem adição de açúcar ainda contém a frutose natural da banana e se o diabético no lugar de uma comer 5 pode ter aumento em sua glicemia”, alerta.

A nutricionista ressalta que não há como generalizar e sugerir porções adequadas, pois a dieta do diabético é individual e específica, pois depende do grau e tipo de diabetes de cada um. Mas a recomendação geral seria que ele optasse ou pelo panetone sem adição de açúcar ou pela sobremesa com chocolate sem açúcar e não que comesse os dois.

Segundo Flávia, o panetone mesmo sem açúcar é feito com farinha e tem as frutas desidratadas que depois de digeridos viram glicose. O mesmo vale para a sobremesa com chocolate sem açúcar que tem a frutose natural do cacau, que quando digerido vira glicose, o consumo dos dois, mesmo sendo sem açúcar podem aumentar a glicemia. “Além disso, vale a pena maneirar no consumo de refrigerante zero, não porque vá aumentar a glicemia, mas porque refrigerante não tem nutrientes e tem muitos aromatizantes e corantes químicos. Quanto às bebidas alcoólicas devem ser evitadas todas, inclusive o vinho tinto e o suco de uva integral deve ser diluído em água”, explica a nutricionista.

Mais uma razão para evitar o exagero: o portador de diabetes deve se alimentar a cada 4 horas para evitar picos de hipo e hiperglicemia. Para concluir, a nutricionista, orienta os diabéticos e seus cuidadores para que leiam os rótulos com atenção. “Não confie apenas na denominação diet ou light. Observe atentamente a composição nutricional do produto, identificando a quantidade de cada nutriente (gordura, carboidratos, proteínas, vitaminas e minerais), pois é a soma que faz diferença”, finaliza Flávia.

Pacientes com câncer devem festejar sem exageros
O diagnóstico do câncer chega quase que como uma sentença de morte para maioria das pessoas, embora hoje haja muitos meios de prolongar a vida de quem está com um tumor maligno e dependendo da localização e estágio é possível até mesmo a cura total. Sabe-se que o fator emocional tem grande peso no sucesso ou fracasso do tratamento. Sendo assim, por mais que seja difícil encarar a doença, os médicos são unânimes em prescrever “superdoses de ânimo e esperança”.

Neste período de festas o estado emocional do paciente sofre mais impacto, já que enquanto a maior parte das pessoas planeja festas e férias as pessoas em tratamento de câncer não podem fazer o mesmo em razão das limitações da doença. Ainda assim, os médicos enfatizam que o tratamento não pode ser empecilho para o paciente se divertir, festejar e viajar, basta seguir alguns cuidados.

A presidente do Instituto Oncoguia – organização sem fins lucrativos dedicada à defesa dos direitos dos pacientes com câncer – e psico-oncologista especializada em bioética, Luciana Holtz, dá dicas para que o paciente “desconecte-se do mundo do câncer” e passe por esses períodos do ano da forma mais normal e saudável possível.

Dando muito espaço a reflexões sobre o que passou e o que virá, o paciente pode sensibilizar-se e entristecer-se. Ele deve, então, entregar-se aos simples prazeres da vida, como um passeio ou viagem com os filhos, um encontro com os amigos queridos, ou uma noite para dançar.

Sobre os cuidados com a alimentação, eles são igualmente importantes. Deve-se evitar os alimentos gordurosos e, na hora da sobremesa, os doces e picolés à base de frutas, ou mesmo frutas frescas e geladas darão maior conforto digestivo ao paciente. Uma dica importante é evitar alimentos crus, especialmente fora de casa.

Os raios de sol não são bons amigos das pessoas em tratamento quimioterápico. Durante esse processo a pessoa fica imunodeprimida, ou seja, com o sistema de defesa do corpo debilitado e mais propenso a infecções. Alguns oncologistas orientam que seus pacientes não frequentem a praia e a piscina durante a quimioterapia, outros indicam que, se o paciente for à praia, deve usar chapéu e proteger as partes expostas do corpo com filtro solar. As caminhadas pela manhã e ao final da tarde são bem-vindas e ajudarão no combate aos possíveis efeitos colaterais do tratamento.

Para evitar a desidratação, a regra é a mesma para todos: muita água e sucos naturais. Para a pele, que fica mais ressecada durante o tratamento, hidratantes (de preferência sem cheiro para evitar as náuseas) são muito recomendáveis, e o filtro solar não pode ser esquecido. Já para os pacientes que perderam os cabelos por conta do medicamento, a dica é substituir a tradicional prótese capilar (peruca) que esquenta demais o couro cabeludo por lenços leves, alegres. Deixar a cabeça à mostra só se protegê-la com bloqueador solar.

“O paciente pode sim ter qualidade de vida empenhando-se em seu autocuidado e seguindo, atentamente, as indicações do oncologista. Um tratamento bem-sucedido depende fundamentalmente desse encontro do paciente com seu bem-estar e alegria de viver”, conclui Luciana Holtz. 

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