Mesmo com a modernização de costumes referentes aos festejos de fim de ano, certas tradições se mantém inalteradas em algumas famílias da Capital. É o caso da montagem do presépio e da árvore de Natal. Há casos em que o costume remonta décadas; em outros, começa a se impor, querendo ganhar status de tradição. Na casa de Azizi Bichara Fassine, 71 anos, pelo menos há 50 anos o presépio faz parte da rotina da família quando chega o fim de ano. “Comecei a montar quando casei e não parei mais. Tem ano que é mais simples, em outros mais incrementado, mas nunca deixei de montar”, conta.
Segundo ela, o fator decisivo para estabelecer o tipo de presépio que irá montar é o tempo. “Isso que determina. Se tenho mais faço com mais detalhes, caso contrário, monto mais simples”. Da montagem do primeiro restaram somente alguns carneirinhos, o restante foi sendo adquirido ao longo dos anos. “Grande parte quebrou com o passar do tempo”.
Para Azizi, o presépio é uma forma dos católicos lembrarem do nascimento de Cristo de uma forma particular. “Dizem que os católicos idolatram imagens, mas não é bem isso. Comparo a uma fotografia que a gente tem, olhamos para ela para lembrar das coisas; o mesmo acontece com o presépio, que mostra o nascimento de Jesus”. Para ela, o importante do ato é estimular mais pessoas a seguirem a tradição. Isso já acontece na própria família. “Minha nora, desde que casou com meu filho, também monta na casa deles. O meu filho gosta muito desta tradição”.
Este ano, Azizi resolveu inovar o local da montagem do presépio. Normalmente, as imagens eram colocadas num dos pontos do interior da casa. “Resolvi colocar em um local fora, quem passa pela rua consegue ver o presépio. Aconteceu inclusive de uma pessoa conhecida dizer que sentiu vontade de montar o seu presépio a partir do que viu. Isso que é importante, acaba estimulando outras pessoas a seguirem essa tradição”, destaca.
Sobre o presépio deste ano, num primeiro momento, considerou-o simples demais, mas foi a neta que fez o elogio derradeiro à avó. “Ela disse que estava muito bonito, mesmo com toda a simplicidade. Isso me deixou contente”.
De avós para netos
Na casa da família Ranzan, a tradição do presépio e da árvore de Natal ganhou impulso maior com o nascimento de Júlia e Victor. Quem conta é a avó, Ivonete. “Quando meus filhos eram pequenos a gente dava atenção para a árvore e enfeites; depois que eles cresceram o entusiasmo não era tanto, mas agora, com a chegada dos netos, voltamos a dar atenção para essa tradição. Não é que paramos de montar, mas agora sentimos necessidade de oferecer mais para as crianças”, conta Ivonete. Júlia tem 2 anos e não consegue disfarçar a alegria com a tradição. “A empolgação dela foi tanta, que montamos em novembro e ela ajudou na montagem, ficou acordada até tarde’. Rosângela, a mãe de Júlia, diz que a árvore e a decoração natalina são formas de repassar certos valores cristãos às crianças. “O pai deles é budista e eu sou católica. Em casa, mostramos as coisas das duas religiões. Acho que os festejos do Natal são um bom momento para refletir sobre a religiosidade”, aponta Rosângela. A família já decidiu que, a partir de agora, o Natal sempre terá mais clima de tradição reforçado pelo prazer despertado nas crianças.
Manter a magia do Natal
A empresária Márcia Helena Moreira Hildebrand sempre curtiu os enfeites natalinos, mas considera que a tradição entrou definitivamente na rotina de fim de ano com o nascimento dos filhos – Júlia, 7 anos, e Pedro, 3 anos – e acredita que permanecerá por muito tempo. “É importante manter a magia do Natal. No caso específico das crianças, acho que os enfeites ajudam a estabelecer a fantasia, que para elas é necessária. Acho interessante que elas acreditem em Papai Noel, faz parte dessa fase”, destaca a empresária.
Além do presépio e árvore, no caso da sua casa as luzes têm papel importante na decoração. A instalação exige atenção redobrada. “É necessário fazer com muita técnica para não dar problema. O resultado sempre vale a pena pelo encantamento que desperta”. Na avaliação de Márcia Helena, a decoração ajuda a explicar o real significado do Natal. “A reunião das pessoas que esse momento proporciona, tendo esse cenário bem cuidado, possibilita refletir o que realmente significa esta data às pessoas”, destaca. Segundo ela, os filhos ficam ansiosos com a chegada do fim do ano para apreciar o que foi preparado para casa.
Na avaliação do padre Arlindo Pereira, da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, atualmente as árvores de Natal e a figura do Papai Noel, que têm origens em tradições não cristãs, ganham mais espaço nas casas do que os presépios, que representam o nascimento de Cristo. ‘Mesmo assim é possível ver os presépios nas paróquias e em algumas casas. É uma tradição que se mantém, mesmo com o aparecimento de outras”, enfatiza.
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