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Superstições

Rituais da passagem

Rituais da passagem

Redação

30/12/2010 - 00h00
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Se há um momento em que aparecem as superstições, manias, tradições ou mesmo a busca de instantes agradáveis na companhia de amigos e familiares é a virada do ano, quando, normalmente, se faz balanço do que transcorreu e se busca atrair vibrações positivas para o período que vai começar. De maneira geral, cada um tem seu jeito, a partir de sua crença e estilo. Há casos de pessoas que fazem mais de uma ação para receber o Ano-Novo.

O músico Guga Borba pode ser colocado nesta turma. Integrante do duo Filho dos Livres, revela que tem uma tradição solitária e outra coletiva. Na primeira, impulsionado pela adoção da filosofia kardecista, realiza uma prece. “Faço todo fim de ano. É algo com importante significado para mim. É uma forma de agradecimento”, destaca. No caso do segundo, tem a ver com a atividade artística que desenvolve.

Guga diz que há alguns anos toca na noite do Réveillon, seja profissionalmente ou, de forma descontraída, ao lado de amigos. “O que se estabelece como uma tradição é o pessoal passar em casa, passada a meia-noite, depois de comemorar com suas famílias a entrada do novo ano, e tocar com a gente. É uma turma que cada vez aumenta mais. Já teve ano que amanhecemos o dia tocando, é uma forma maravilhosa de celebrar o que está começando, a música é algo que traz boas vibrações”, enfatiza Guga.

De mãe para as filhas
Há casos, como o da atriz e bailarina Sônia Rolon, em que a tradição começou na infância e prossegue até hoje, na fase adulta. Ela conta que usa roupa branca, peças  íntimas amarelas e pétalas de rosas vermelhas sob o sutiã. O figurino também é adotado pelas irmãs e tem como origem os hábitos da mãe. “Cada elemento tem um significado. O amarelo é relativo ao dinheiro. A pétala da rosa está diretamente ligada à paixão”, explica. “Minha mãe sempre gostou dessas tradições e repassou às filhas. Quando éramos pequenas, eram somente o amarelo e o branco; depois, já maiores, começamos a usar o rosa. Tudo isso virou algo bem da nossa família”.

Sônia acha que o efeito da tradição tem sido positivo.  “Não tenho queixas. As coisas ruins que aconteceram foram superadas. Acho que mais importante do que a própria tradição é a fé em Deus, o resto é somente para reforçar as coisas”. Outra tradição, na virada do ano na família, é a reunião de várias gerações em torno da comemoração. “É um momento muito especial para todos”, destaca Sônia.

Reformulando simpatias
Quem também celebra o fim do ano e o início de outro de forma especial é o cabeleireiro José Márcio Benevides. Foi na fase adulta que resolveu estipular rituais para trazer boas energias para o novo que começa. Diz que está sempre inovando nesse quesito, mesmo utilizando antigos procedimentos. Como é o caso de colocar semente de romã na carteira. “No início eram 3 sementes, simbolizando os três reis magos. Depois me falaram que eram quatro, agora falam em oito sementes”.

Há cinco anos resolveu adotar ritual que viu numa reportagem da televisão, que consiste em juntar num recipiente sal grosso, canela, moedas, uma nota de 10 dólares. “Eu que coloco os dólares, mas pode-se colocar outro tipo e quantidade de dinheiro. Tem gente que utiliza sal grosso exorcizado, aquele abençoado por um padre exorcista, mas eu não utilizo, coloco o normal mesmo”.

José Márcio deixa preparado um ano antes e no dia 31 de dezembro, despeja o material em água corrente.  “O que vou despejar este ano preparei  ano passado e do próximo estou preparando agora”, destaca. Ele se define como católico e acha que essas simpatias são mais simbólicas do que realmente essenciais. “Servem mais como apoio, no que levo realmente fé é no Salmo 91, que leio todos os dias”, afirma. 

Saiba mais
LENTILHAS: uma colher de sopa é suficiente para assegurar um ano inteiro de muita fatura à mesa. A origem desta superstição é italiana e foi trazida para o Brasil pelos imigrantes.
ROMÃS: para atrair dinheiro, coma sete partes, guardando as sementes na carteira.
BAGOS DE UVA: para os portugueses, comer 3, 7 ou a quantidade correspondente ao seu número de sorte garante prosperidade e fartura de alimentos. Para garantir também dinheiro, guarde as sementes na carteira ou na bolsa, até a troca do próximo Ano-Novo.
CARNE DE PORCO: deve ser o prato principal da ceia, servida à meia-noite. Como o porco fuça pra frente, garante armários cheios o ano todo. Evite o peru, que cisca para trás.
NOZES, AVELÃS, CASTANHAS E TÂMARAS: estas, trazidas para cá pelos imigrantes de origem árabe, são recomendadas para garantir fartura.  
CALCINHA OU CUECA NOVAS: Dão sorte no amor, porque deixam os mal-entendidos para trás. São recomendadas principalmente para quem está começando namoro, para garantir o futuro.
ROUPA BRANCA: é um hábito relativamente recente, trazido para o Brasil com a popularização das religiões africanas. O branco representa luz, pureza, bondade.
QUALQUER PEÇA AMARELA: pode ser uma peça íntima, um lenço, uma faixa ou um pequeno lacinho amarelo (que deve ficar sempre na sua bolsa). O amarelo representa o poder do ouro e, dizem, atrai dinheiro.
UMA NOTA DE DINHEIRO DENTRO DO SAPATO: os orientais dizem que a energia entra no nosso corpo pelos pés. Vai daí, o dinheiro no sapato atrai mais e mais riquezas.

DEPOIS DA MEIA-NOITE
PULAR SÓ COM O PÉ DIREITO: atrai boas coisas para a sua vida, pois, segundo a Bíblia, tudo que está à direita é bom.
JOGAR MOEDAS, da rua para dentro de casa. Atrai riqueza para todos que moram no lugar.
DAR TRÊS PULINHOS, com uma taça de champanhe na mão, sem derramar uma gota. Depois, jogar todo o champanhe para trás, de uma vez só, sem olhar. Deixa para trás tudo de ruim. Não se preocupe em molhar os outros: quem for atingido pelo champanhe terá sorte garantida o ano todo.
FAZER BARULHO: Os povos antigos acreditavam que afugenta maus espíritos. Vale apito, batucada, bater panelas, desde que seja exatamente à meia-noite. Dizem que não há mal que resista.
 

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