O ano de 2010 foi embora sedimentando a discussão em torno de uma política de cultura nacional, além de dar prosseguimento aos eventos culturais tradicionais de Mato Grosso do Sul, como os festivais de Corumbá e Bonito – sem esquecer que no período os fundos culturais do Estado e de Campo Grande ainda não apresentaram valores realmente condizentes com as necessidades do setor, gerando insatisfação.
Por outro lado, os últimos 12 meses assistiram Mato Grosso do Sul se destacar no cenário nacional por meio dos seus artistas sertanejos e Campo Grande perdeu um espaço de exibição cinematográfico importante, o Cine Cultura. Outros momentos poderiam estar presentes nesta lista, mas agora, nos primeiros dias do ano-novo, é tempo também de destacar as perspectivas para o setor em 2011.
Nacionalmente, a questão que mais chama a atenção é o destino do Ministério da Cultura (MinC). Sai Juca Ferreira e entra Ana de Hollanda. A mudança causa apreensão, já que Juca, antecedido por Gilberto Gil, deu visibilidade à pasta e apresentou ações pontuais que refletiram por todo o Brasil. “A cultura em nosso País, na gestão do Governo Lula, passou definitivamente a ser tratada como primeira necessidade de todos, tão importante quanto comida, habitação, saúde etc… Esta foi uma grande vitória, talvez a maior de todas. Colocamos a cultura no patamar superior das políticas públicas no Brasil. E fomos além. Federalizamos, democratizamos e descentralizamos as ações do Ministério da Cultura”, destacou Juca Ferreira em seu blog, num texto de despedida.
No ministério, Juca Ferreira buscou implementar mudanças importantes, como na Lei Rouanet e Direito Autoral, que ainda está em discussão e não foi enviada para o Congresso, que prevê, entre outras coisas, maior fiscalização do Ecad e flexibilização dos direitos das obras artísticas. O tema é polêmico e encontra resistência até da nova ministra, que também é cantora e atuou na Fundação Nacional de Cultura. Seu nome, por sinal, surgiu por indicação do próprio Partido dos Trabalhadores (PT), que retorna à condução do ministério – Gilberto Gil e Juca Ferreira eram do Partido Verde.
Atualmente transitam no Congresso projetos de lei que beneficiam a cultura. Caberá à nova ministra saber conduzi-los. “Não conheço muito o trabalho dela, mas acho que dará continuidade à base estabelecida no Governo Lula”, destaca a atriz e produtora cultural Andréa Freire. Em entrevistas, Ana de Hollanda dá pistas de seu foco de atenção à frente do Ministério de Cultura. “O centro da cadeia produtiva da cultura está na criação. Quero dar grande atenção a essa área. É um fator essencial do povo brasileiro, que é a criatividade. A gente vê muito isso no futebol. E a produção que vejo é na música, no cinema, na dança, no circo, no design, no teatro, em todas as áreas a criatividade é muito rica. Então, a difusão dessa área, não só no Brasil, mas fora, é muito importante. Fico lembrando a música do Maurício Carrilho e Aldir Blanc, que diz que o Brasil não conhece o Brasil”, destacou.
No Estado e na Capital
Regionalmente também podem acontecer mudanças, mas com menor efeito renovador. Nos últimos dias, circulava no meio cultural que o prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho, estaria propenso a criar a Secretaria de Cultura, também sinalizando com a volta do vereador Athayde Nery para ocupar a pasta. Por enquanto, nada oficial. Roberto Figueiredo, atual presidente da Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande, diz que as ações serão de fortalecimento do Plano Municipal de Cultura, aprovado em 2010, que prevê o Conselho Municipal de Cultura com a participação de representantes de todos os setores da cultura, indicados pelas câmaras setorias. Também o estudo da ampliação do valor dos recursos do Fundo Municipal de Cultura do Município.
No setor de eventos, um dos projetos municipais é um festival internacional de artes na Capital. “A ideia é do período em que o Athayde Nery esteve à frente da fundação e que tem tudo para dar certo. Se Bonito e Corumbá têm grandes eventos culturais, Campo Grande também merece um que reúna atrações artísticas espalhadas pela cidade”, planeja Roberto.
Por parte do Governo do Estado, ainda não foi divulgada a sequência de projetos como o “MS canta Brasil” e “Brasil canta MS” e o festival de Bonito – o Festival América do Sul, em Corumbá, já tem data marcada.
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