Correio B

COUNTRY FEST

Vale tudo na festa sertaneja

Vale tudo na festa sertaneja

Redação

28/03/2011 - 11h48
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O som sertanejo atual abarca diversas referências sonoras. Ir a um evento como o Campo Grande Country Fest, que aconteceu sábado à noite em Campo Grande, no Estádio Morenão – com apresentação de representantes do gênero – permitiu passar por vários territórios musicais, muitas vezes considerados contrastantes.


Longe de decepcionar – ou causar estranheza – o público, ao contrário, recebeu a proposta com atenção e terminou por aprovar o mix sonoro que presenciou ao longo da maratona que durou quase 7 horas, atravessou a noite de sábado e somente terminou perto das 5h da manhã, reunindo, segundo os promotores, 27 mil pessoas.


Logo na abertura, com os goianos Humberto e Ronaldo, percebeu-se que o sertanejo está longe de se fechar em seu próprio universo e tem aversão ao confinamento, mesmo que isso represente a perda de certa pureza. Responsável pelo hit “Vendedor de beijos”, integrante da trilha sonora “Araguaia”, da Rede Globo, a dupla colocou vários sambas no repertório e não se intimidou em citar “Pa panamericano” – um dos maiores sucessos do momento na dance music – entre seu pop sertanejo marcado pelas letras joviais e bem-humoradas.

 

Mistura
O caso de Gusttavo Lima é mais revelador na conexão do sertanejo com outros segmentos. O mineiro, que ganha cada vez mais território no estilo, por meio de temas românticos como “Rosas e versos”, “Cor de ouro” e, principalmente, “Inventor dos amores”, não estabelece limites para seu percurso sonoro. Se em CD e DVD isso não fica tão evidente, ao vivo mostra que um sertanejo pode estar conectado com o passado, com o presente, tentando visualizar o futuro.
No início, acompanhado de uma banda com nove integrantes, a impressão era de que a proposta romântica das composições nortearia toda a apresentação. Puro engano. Aos 22 anos, enfatizou que sua música pode percorrer vários caminhos. Talvez falte síntese na proposta, mas isso somente o tempo pode oferecer. Talento não lhe falta para encontrá-la. Enquanto isso não acontece, os fragmentos de rock, música brega, axé, pop nacional e internacional dentro do sertanejo que propõe são motivos de muita empolgação.


Em mais de uma hora de show, Gusttavo Lima colocou lado a lado a pegajosa “Minha mulher não deixa não” (Reginho e Banda Surpresa); o hino do escracho “Pelados em Santos” (Mamonas Assassinas); o metal para massas “Sweet child o mine” (Guns N’ Roses); o som da Bahia “Sou praieiro” (Jammil e Uma Noites); o hit absoluto do pagode paulistano “Tá vendo aquela lua” (Exaltasamba). Por sinal, esta última apareceu no repertório de 3 atrações da noite.

Gusttavo não é somente um cantor, mostrou que a versatilidade não está somente no repertório. Atacou em vários momentos de instrumentista. A guitarra foi companheira em muitos momentos e a viola em um trecho da apresentação. Mostrou desenvoltura nos dois instrumentos. Ele está naquele instante da carreira entre o sucesso e o estrelato. Cabe ao público atenção diante da sua trajetória. No sábado, o público reconheceu o bom show e aplaudiu com vontade.

 

Pagode e axé na voz de Maria Cecília e Rodolfo

Maria Cecília e Rodolfo, que retornavam à Capital depois de 9 meses de ausência, foram a terceira atração do festival. A contrário dos outros, a dupla centrou-se mais no próprio repertório, mesmo assim abrindo espaço para o pagode e o axé. Com dois DVDs gravados, a dupla faz parte do clube sul-mato-grossense que se destaca na parada musical nacional.

Mesmo com voz um pouco rouca em alguns momentos, segunda a própria Maria Cecília, o repertório de sucessos foi repassado com segurança e espontaneidade. Visivelmente contentes por estarem se apresentando para o público local, mostraram que o sucesso nacional não é gratuito. O repertório é marcado pela batida dançante. O público respondeu com afeto em vários momentos.

Gusttavo Lima participou de uma faixa e a parceria, no DVD, com o Exaltasamba foi lembrada com “O troco”. “É tão bom voltar e cantar para vocês. O show de agora está bem diferente da última vez que tocamos aqui”, anunciou Maria. Por sua vez, Rodolfo brincou com a plateia convidando todos a irem morar em Nioaque, sua cidade natal. O saldo da volta foi positivo e a dupla prometeu voltar em agosto em um evento que também terá a participação do Exaltasamba e outros.

Perto das 4h, o público ainda teve fôlego para receber Guilherme e Santiago. No caso dos dois, os outros gêneros musicais não aparecem em estado bruto, mas já adicionados à receita sonora. Encontraram o equilíbrio entre influêncais e o próprio estilo. O resultado foi um show animado e vigoroso, roqueiro até certo ponto pela força dos arranjos, deixando o público pra lá de satisfeito, mostrando que o sertanejo faz bem ao conviver com aqueles ritmos que moram além do seu quintal. Teve o Campo Grande Fest Country como prova. (OR)

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