A dupla Antônio Carlos e Jocafi pode estar longe da grande mídia, mas não está distante da atenção daqueles que apreciam levadas criativas e a saudável mistura de ritmos nacionais. A prova disso é a utilização de uma das suas composições, “Qual é”, em um dos raps de Marcelo D2. “Ele utilizou toda a base da música e também o refrão”, aponta Antônio Carlos. O rapper carioca soma-se a outros admiradores ilustres da dupla surgida no fim da década de 1970, como Stevie Wonder e Celia Cruz, que incluíram “Você abusou” em seus repertórios.
Uma boa oportunidade para reencontrar os dois músicos baianos – ou mesmo entrar em contato pela primeira vez com suas criações – acontece amanhã, às 19h30min, no Projeto Noite da Seresta Especial, na Concha Acústica da Praça do Rádio Clube, numa realização da Fundação de Cultura de MS.
Mesmo sem emplacar nenhum sucesso nas paradas há mais de duas décadas, a dupla continua ativa, produzindo novas canções e desenvolvendo projetos inéditos. A empreitada mais recente foi o CD com canções em homenagem ao Rio São Francisco. O material foi encartado no livro “Agonizante mundo verde”, escrito por Antônio Carlos, que também se dedica à produção teatral e coordenação de orquestra de violões.
Mesmo com muitas inéditas, a dupla deve centrar-se, no show na Praça do Rádio, nas mais conhecidas. “Antigamente, nos shows, o público exigia músicas novas dos artistas; hoje é bem diferente: as pessoas somente querem ouvir aquelas que conhecem bem. Por esse motivo nos dedicamos mais ao repertório de sucessos”, aponta Antônio Carlos.
Além da citada “Você abusou”, o show também contará com “Teimosa”, “Mais que doida”, “Dona de casa”, “Jesuíno, galo doido”, “Dona Flor e seus dois maridos”, entre outros. Também fazem questão de incluir sucessos de Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Gonzaguinha, Nelson Cavaquinho, Dona Ivone Lara. “Tocamos coisas que as pessoas não estão mais acostumadas a ouvir nas rádios e nas TVs”, critica.
Para Antônio Carlos, a MPB está distante do grande público. “O último grande artista de MPB que tivemos foi Djavan, depois não houve renovação. No passado, o Brasil respirava música brasileira. Não tenho nada contra outro tipo de música, mas faz falta algo mais elaborado”.
Dupla
O artista conta que, inicialmente, eles eram concorrentes, quando moravam na Bahia – disputavam festivais. O encontro artístico somente aconteceu quando se mudaram para o Rio de Janeiro e começaram a compor. Desse período em diante sempre mantiveram a carreira juntos. Calculam que tenham feito 20 discos, sem contar os projetos e participações especiais. A abertura do show em Campo Grande será feita por artistas locais.
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