Tempo de festa e balanço para um dos grupos mais atuantes das artes cênicas campo-grandense, o Teatro Imaginário Maracangalha. A formação inicia hoje e prossegue até domingo programação reunindo apresentações dos espetáculos montados, seminário, sarau e cortejo. Este último, por sinal, é uma de suas marcas. Por meio de procissões cênicas, os componentes pesquisam encenações e temáticas. É justamente um cortejo que marca o início das atividades de aniversário.
Às 18h, na Orla Morena, também comemorando o dia de São Genésio, padroeiro de atores e músicos, os integrantes do grupo lideram a movimentação que deve ter a participação de outros grupos de teatro e musicais. Na sequência, acontecerá a encenação do espetáculo “Contos da Cantuária”, que adapta texto escrito na Idade Média na Europa, retratando a exploração da fé religiosa, destacando os interesses econômicos e políticos em torno do assunto.
“Nossa preocupação nas montagens é abordar questões sociais contemporâneas. É o caso deste espetáculo. Mesmo utilizando um texto escrito há muito tempo, o problema que enfoca é atual. Fala diretamente com nosso tempo”, aponta o ator e diretor, Fernando Cruz, um dos fundadores do grupo.
Proposta inovadora
Além das questões sociais, outra preocupação do grupo é levar o teatro para espaços alternativos, distante das salas tradicionais de apresentação. A intenção “é fugir da elitização do acesso às produções”. Isso é obtido por meio de encenações nas ruas, praças, feiras, entre outros. A opção tem se mostrada paradoxal para a companhia.
Se por um lado a opção abriu portas para festivais e mostras fora de Mato Grosso do Sul; por outro, ainda não obteve reconhecimento abrangente no Estado, principalmente do circuito oficial de apresentações teatrais. Isso aconteceu com o espetáculo mais recente, “Tekoha – Ritual de vida e morte do deus pequeno”, que faz reflexão sobre a morte do líder indígena Marçal de Souza, assassinado 1983, motivado por conflito agrário. “Não conseguimos incluir o espetáculo no Festival de Bonito. Nos disseram que o trabalho não se enquadrava com a linha do evento.
O mesmo acontece com o projeto da prefeitura que leva produções aos bairros. Fomos informados de que a temática era muito forte. Também não fomos incluídos na Mostra Terena produzida pelo Sesc, que acontecerá em setembro. Neste caso, nos disseram como era teatro de rua, não haveria possibilidade de retorno financeiro com as apresentações, inviabilizando nossa presença”, aponta Fernando. Outro motivo de críticas do diretor/ator é a falta de editais públicos específicos para o teatro de rua.
Apresentação no parque
Amanhã, Teatro Imaginário Maracangalha prossegue os festejos no Parque Airton Senna, às 17h, com “Tekoha...”. No mesmo local e horário, no sábado, acontecerá a apresentação do espetáculo “Amar é...” que mostra aspectos da afetividade no cotidiano. Para encerrar a programação, no domingo, às 15h, na sede da Escola de Samba Igrejinha, será realizado o seminário “Arena aberta: arte pública - estéticas e políticas públicas”, que discutirá a relação entre estéticas e políticas públicas para as artes que são feitas em espaços públicos abertos”. O evento terá participação da arquiteta Jussara Basso e do historiador Leandro Mendonça Barbosa. Todos os eventos terão entrada gratuita.