No céu, a lua crescente se despedia das 70 mil pessoas que aguardavam pelo show da rainha do rock nacional, no último domingo à noite, no Parque das Nações Indígenas. Mesmo a polêmica on-line sobre o nome do Estado, quando Rita Lee escreveu no Twitter que, aqueles que reclamaram por ela ter trocado o nome de MT por Mato Grosso do Sul eram caipiras ressentidos, não afugentou o público. No palco, a cantora repetiu inúmeras vezes Mato Grosso do Sul, com ênfase no “sul”, e elogiou o público diversas vezes. Caiu fácil na graça dos que assistiam ao show, principalmente por trazer para o show hits como “Meu doce vampiro”, “Ovelha negra” e “Erva venenosa”.
Acompanhada do filho Beto Lee, do marido Roberto de Carvalho, além dos músicos Edu Salvitti, na bateria, e Brenno di Napoli, no baixo, Rita Lee rememorou sua história no palco. Imagens no telão mostravam pôsteres, ingressos de shows antigos e fotos de arquivo. O show “Etc...” já foi apresentado em Corumbá, durante o Festival América do Sul.
“Ela é uma das figuras mais importantes do rock nacional. Nunca assisti a nenhum show dela, achei ótimo terem realizado aqui no parque”, descreve a estudante universitária Bianca Ayumi, de 23 anos. A cantora paulistana, que iniciou carreira com Os Mutantes e já foi homenageada em canção pelos Doces Bárbaros, subiu no palco e logo brincou: “Sou irmã do Ozzy Osbourne”.
Aos 65 anos, a deixa serviu para Rita Lee fazer troça da velhice. O show foi marcado pelo diálogo constante com o público, para quem ela contou histórias de sua vida.
No palco, Rita Lee é aquela figura que já perdeu o medo de exagerar e está ali mais para se divertir do que para fazer um show memorável. Seguindo a tendência questionável dos dinossauros da música brasileira – vide show de Erasmo Carlos – a cantora também trouxe para o palco Nick Goulart, sósia de Michael Jackson. Houve também uma versão da cantora para “A hard day’s night”, dos Beatles.
Uma apresentação divertida, sem grandes momentos, mas que ganha força pela forma como a cantora cria empatia com o público.
Vozes latino-americanas
Para abrir a apresentação de Rita Lee, o trio Hermanos Irmãos levou ao público a amálgama de ritmos fronteiriços e da música pop. Formado por Jerry Espíndola, Márcio de Camillo e Rodrigo Teixeira, o show trouxe as influências de cada um dos músicos, que se valem de instrumentos de corda, como violas e violões de 12 cordas, para fazer um show simples, mas que combinava com a paisagem bucólica do Parque das Nações Indígenas.
“Eu vim para assistir ao show deles. A Rita Lee é um adendo”, explica Carolina Sartomen, acadêmica do Mestrado de Estudos de Linguagem da UFMS. Segundo o Twitter de Rita Lee, a cantora gostou da apresentação dos músicos, elogiando-os pelo repertório e pela competência. Para Márcio, este foi o maior público para o qual o trio se apresentou e, apesar da ansiedade, “é sempre um prazer tocar em casa”.