O fotógrafo Roberto Higa, com mais de 40 anos de carreira, resolveu unir passado e presente na exposição “Retrô” que inicia amanhã, às 19h30min, na Morada dos Baís. O passado surge nos registros efetuados em preto e branco de locais e personalidades da Capital nas décadas de 1960 e 1970. O presente está na colorização do material via digitalização.
“Desde 2005, realizo mostras itinerantes de 200 fotografias mostrando momentos do passado da cidade.Atualmente, meu acervo conta com cerca de 200 mil fotogramas. Dessa vez, resolvi trazer uma novidade, a colorização de algumas fotos”, destaca Higa.
Lembra que essa prática moderna retoma à tradição de certo período, quando não havia laboratório fotográfico para revelção de filmes colorida na cidade. “Naquela época, nos anos 50 e 60, quem queria colorida pagava para ter a fotografia pintada artesanalmente. Era um processo caro. A fotografia recebia nanquim ou outra tinta adequada. O papel fotográfico feito naquela ocasião, por causa da porosidade, absorvia a tinta com eficiência. Sempre se buscava imitar as cores orginais das coisas”, recorda o fotógrafo. Conta que esse tipo de pintura não pode ser feito na atualidade porque o papel fotográfico disponível não permite a penetração da tinta de forma eficiente.
A modernização das imagens contou a participação do web designer Jair dos Santos, que junto com o fotógrafo testou várias possibilidades até chegar ao resultado desejado. Na exposição poderão ser vistas a colorização de registros antigos do relógio da 14 de Julho, trecho da Avenida Afonso Pena, além de eventos com a participação da população. A intenção de Higa é prosseguir com a pesquisa na colorização.
Ele avalia que na atualidade, com a expansão do acesso à fotografia, a parte positiva é que mais gente está fotogrando. Por outro lado, sente a ausência da identidade dos fotógrafos nos registros . “No passado, quando se observava uma fotografia se sabia de quem era.
Atualmente, tudo está muito parecido. Anteriormente, o fotógrafo não dispunha de muito material para trabalhar, então, o cuidado era muito maior. Hoje, muitas vezes, se fotografam 200, 300 imagens para escolher uma ou duas. Não há atenção com o momento adequado para fazer o registro”, avalia. Cita, como exemplo um fato do passado, a retirada do Relógio da Rua 14 de Julho, registrado por Higa. “Naquela época, passei o dia todo fotogrando, se usei um filme inteiro foi muito. Cada foto tinha que ter uma importância grande”, aponta.
Lembra ainda que a fotografia em preto e branco atual, feita com câmeras digitais, não obtém a mesma textura do passado por causa da sensibilidade do filme e o processo de revelação. Os tons de cinza claro e escuro, antes de chegarem ao preto, por exemplo, praticamente desapareceram dos registros atuais.
Na reconstituição das cores da Igreja Santo Antônio, presente numa fotografia feita no começo dos anos 70, buscou-se ser o mais fiel possível, destancado o azul da construção. Já os automóveis aparecem com cores fortes, comuns na época.