As oito mil pessoas que lotaram a Grande Tenda na Praça do Festival celebraram com os Paralamas do Sucesso os 30 anos da banda da forma como ídolos e fãs mais gostam: cantando. Com todos os sucessos que são canções dos Paralamas, mas que foram apropriados por muita gente ao longo de três décadas, o show foi praticamente todo ao som de muito mais vozes que só a dos integrantes oficiais Herbert Vianna, Barone e Bi Ribeiro.
Para reforçar a nostalgia e reavivar a memória dos momentos marcantes dessas três décadas, um enorme telão de LED contava em imagens a trajetória da banda disco a disco, ano a ano, música a música. Trechos de velhos clipes, muitos ainda em preto e branco, fizeram os fãs viajarem no tempo.
“Alagados” abriu a apresentação, jogando a responsabilidade para a plateia, que não esperou mais que a introdução para assumir o controle. “É muito difícil colocar em palavras a alegria que a gente ta sentindo em dividir essa noite com vocês nesse espaço”, confessou Herbert depois de compartilhar o entusiasmo das duas primeiras músicas.
Ao longo do show, ele chegou a desafiar o público, uma clara provocação, para introduzir a execução de sucessos inesquecíveis que marcaram a banda e a vida de muitos fãs, como “Óculos”, “Lanterna dos Afogados”, “Ela Disse Adeus”, “Você". “Vamos ver se vocês têm boa memória”, brincou. Nessas e em todas as outras músicas, a resposta foi a mesma: os Paralamas nos instrumentos, só ‘puxando’, e oito mil vozes fazendo coro em “Cinema Mudo”, “Cuide Bem do Seu Amor”, “Quase um Segundo”, “Melô do Marinheiro”, “Uma Brasileira”.
“Muito difícil falar aqui da alegria de ver o brilho no olhar de cada um por sermos a trilha sonora na vida de tanta gente há 30 anos”, declarou o vocalista, para delírio da plateia.
A noite teve também homenagem a Titãs (“Polícia”) e Lulu Santos (“Como uma Onda”), em canções que combinavam com o clima “trilha sonora da vida”. Na volta ao palco para a despedida, os Paralamas mais uma vez tiraram do baú um ícone do seu tempo, e mesmo sem referência explícita, deram um tom de atualidade à festa de 30 anos. Coube a Barone dar a deixa: "Esta cidade é incrível. Um exemplo para o país inteiro. E por falar em Brasil...". O público, então, já sabia, e respondeu aos acordes de "Que país é esse?”.