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Morre aos 68 o pernambucano Jayme Leão, ilustrador da coleção 'Vagalume'

Morre aos 68 o pernambucano Jayme Leão, ilustrador da coleção 'Vagalume'

Redação

11/03/2014 - 21h00
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O artista gráfico pernambucano Jayme Leão, mais conhecido pelas capas que ilustrou entre os anos 1970 e 1980 para a coleção infantojuvenil "Vagalume", da editora Ática, morreu ontem, aos 68 anos, em São Paulo, vítima de complicações decorrentes de uma insuficiência renal.

Leão vinha se recuperando de uma cirurgia neurológica pela qual passara no final de janeiro, após sofrer um traumatismo craniano devido a uma queda na escada de casa, no bairro do Mandaqui (zona norte de São Paulo).

Na ocasião, perdeu parte da memória, mas já vinha reconhecendo parentes e conseguindo ler quando, há uma semana, apresentou um quadro de desidratação e voltou da clínica de recuperação onde estava para o hospital Mandaqui.

Nascido no Recife, em 18 de março de 1945, mudou-se para o Rio na infância e, na juventude, instalou-se em São Paulo. Autodidata, sem cursar nem a escola primária, começou a trabalhar aos 15 anos para o jornal carioca "Liga", pertencente às Ligas Camponesas.

Com o início da ditadura, passou a trabalhar como alfaiate e serralheiro e começou a ilustrar para a editora Brasil América, produzindo HQs. Em pouco tempo aproximou-se da publicidade, área na qual atuou por vários anos - abandonou a carreira por não suportar a ideia de "ganhar dinheiro mentindo", segundo sua filha Lídice Leão, jornalista.

Imprensa alternativa
Em São Paulo, onde passou a viver em 1969 com a mulher e Lídice, fez ilustrações para a imprensa alternativa, para veículos como "O Pasquim" e "Opinião", tendo ajudado a fundar o jornal "Movimento". Foi preso várias vezes e chegou a viver com a família no Chile. Nos anos 1970, passou a ilustrar para veículos como a "IstoÉ", a "Veja", a "Folha de S.Paulo" e o "Estado de S. Paulo".

Trabalhou por 12 anos na editora Ática, como ilustrador e editor de arte. Dessa fase, ficaram conhecidas suas capas de livros paradidáticos, especialmente as da coleção "Vagalume", da qual era um dos principais ilustradores.

São dele, entra outras, todas as capas dos volumes assinados por Marcos Rey na série, como "Mistério do Cinco Estrelas" e "Um Cadáver Ouve Rádio". Fez também capas de livros adultos, como "Malaguetas, Perus e Bacanaço", de João Antônio.

Seu corpo foi enterrado hoje no cemitério Parque da Cantareira (zona norte). O artista deixa sete filhos, sete netos e um bisneto. 

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