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Disco e aplicativo revivem ideia de silêncio na música

Disco e aplicativo revivem ideia de silêncio na música

Redação

01/06/2014 - 12h45
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O silêncio voltou a causar barulho na música. Enquanto uma banda teve seu disco retirado do ar por tentar lucrar com um álbum silencioso, o compositor John Cage, inspiração do grupo, ressurgiu graças a um aplicativo de celular que permite ao usuário gravar seu silêncio e compartilhá-lo.

A banda americana Vulfpeck, de funk instrumental, lançou um álbum no Spotify, plataforma de músicas on-line, de olho nos US$ 0,005 (R$ 0,01) pagos aos artistas para cada música tocada. O curioso é que o disco "Sleepify" tem dez faixas silenciosas.

Após criar o álbum, o grupo pediu ao seu reduzido número de fãs que o deixasse tocando durante a noite, enquanto dormiam. Os recursos arrecadados bancariam uma turnê gratuita da banda.

Porém, o disco ficou disponível por dois meses na plataforma e acabou retirado do ar no último dia 25 pelo próprio Spotify "por violar os termos de serviço", segundo relatou Jack Tratton, integrante do grupo norte-americano, em entrevista à Folha.

"É um truque esperto, mas preferimos os álbuns anteriores do Vulfpeck. Sleepify' parece derivado de uma obra de John Cage", disse o porta-voz do Spotify, Graham James, à revista americana "Billboard". Procurada, a empresa não quis comentar o caso.

A estratégia deu certo. A arrecadação atingiu US$ 20 mil (R$ 44 mil), o suficiente para a banda iniciar sua primeira turnê nos EUA.

Modo Silencioso
A comparação feita pelo Spotify entre o álbum da banda Vulfpeck e o compositor norte-americano John Cage (1912-1992) não é gratuita.

Em 1952, ele causou uma revolução na música ao compor "4'33"", uma peça com quatro minutos e 33 segundos sem notas musicais e baseada em silêncio, som ambiente e na "ausência de sons intencionais", segundo descrição do próprio John Cage.

À peça, se completa o som ambiente, que nunca será o mesmo a cada apresentação. A tosse de um espectador, o ranger de uma cadeira, o vento, gotas de chuva ou sussurros da plateia, por exemplo.

A criação do americano ganha agora uma versão "faça você mesmo". O aplicativo 4'33" permite que usuários de telefones e tablets gravem o silêncio de qualquer lugar para compartilhar com outros usuários do aplicativo.

"Ele exige foco para um aparelho que é usado essencialmente para distração", explica Gene Caprioglio, vice-presidente da empresa detentora dos direitos da obra de Cage, em entrevista à Folha de S.Paulo.

A primeira gravação publicada no aplicativo, lançado em março por US$ 0,99 (R$ 2,10), foi feita por Caprioglio no interior do antigo quarto de Cage, em Nova York.

Entre outras contribuições compartilhadas no programa até agora, estão o murmurinho de passageiros do metrô nova-iorquino e o som de pássaros na Costa Rica.

"[O aplicativo] realmente captura o que Cage queria, que é fazer as pessoas ouvirem", conclui Caprioglio.

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