O precioso acervo do Museu de História do Pantanal (Muhpan) se aproxima cada vez mais das escolas e comunidades. Mais um passo importante nesse sentido foi dado pela Fundação Barbosa Rodrigues, ao lançar o “Projeto Muhpan Itinerante – Sons e Tons”, com uma apresentação especial para os funcionários da Votorantim Cimentos, na terça-feira, no auditório da empresa, na Avenida Rio Branco, em Corumbá.
A Votorantim Cimentos e o Instituto Votorantim são parceiros do Muhpan desde sua criação, em 2008, e abraçam com força a iniciativa.
“É uma forma de levar conhecimento à comunidade, transformar pessoas, levando cultura e conhecimento para mudar o dia a dia, oferecer um futuro diferente”, destacou Giane Vasconcelos, do setor de Gente e Gestão da Votorantim.

O projeto tem como foco levar a exposição itinerante de recortes do acervo do museu, bem como oficinas de artes plásticas (grafite, desenho e pintura), artes dramáticas (iniciação ao teatro) e de artesanato (cestaria, palha de milho, couro de peixe, cerâmica e argila) às escolas, associações e comunidades no entorno da fábrica de cimentos, que fica na Avenida Rio Branco, no Bairro Universitário. A previsão é atender diretamente 540 jovens nas oficinas de arte.

Diretores, coordenadores e professores participaram da apresentação do projeto. Serão contempladas a Escola Municipal Delcídio do Amaral, Escola Estadual Gabriel Vandoni, Escola Estadual Castro Brasil, Escola Municipal João Baptista (Ladário), Associação de Pais e Amigos de Excepcionais (Apae) e a Unidade Educacional Pantanal (Unei).
Expectativa
A Unidade Educacional do Pantanal, responsável pela reabilitação de menores infratores, a apenas duas quadras da Votorantim Cimentos, participa do projeto com muita expectativa.
“São crianças e adolescentes de 12 a 17 anos, carentes, que recebem visitas de familiares apenas aos domingos; e, para eles, representa muito esse contato de fora, essa aproximação, pois muitos estão ali por falta de oportunidade”, ressaltou Mathya Ayala Santana, assistente social e diretora da Unidade Educacional Pantanal.
O projeto visa despertar potencialidades, habilidades e talentos, oferecendo um espaço de convívio comunitário, que possibilita trocas culturais e de vivências.
Análise
Nas oficinas de arte do “Programa de Ação Educativa e Cultural do Muhpan”, os jovens terão a percepção, a análise e a comparação dos objetos expostos, compreendendo aspectos tecnológicos, políticos, econômicos, sociais e culturais em cada época. Eles poderão desenvolver o sentimento de pertencimento e de identidade.
A ação promove, ainda, a escolha de novos caminhos para a superação de limitações, despertando a criatividade por meio da arte, o resgate da autoestima e autoconfiança, associando geração de renda com novas alternativas de trabalho da arte, além de incentivar o empenho no aprendizado escolar e contribuir para o combate à violência infanto-juvenil.
Contato permanente com moradores e turistas

O acervo do museu possibilita conhecer o passado pantaneiro e a arte produzida no Estado
A ideia de que o museu é um espaço frequentado apenas por um privilegiado grupo de elite está fora da realidade. Desde sua criação, em 2008, o Museu de História do Pantanal (Muhpan) contribui para desconstruir essa imagem criada durante o período colonial, quando as classes dominantes eram o foco das realizações culturais e sociais.
Ocupando o prédio da antiga Casa Wanderley, Baís e Companhia, no Casario do Porto, em Corumbá, o Muhpan tornou-se um centro de convivência, de pesquisa, de estudo e de apreciação das artes e da cultura para todos.
“Já levamos todas as nossas turmas para visitar o museu e queremos tornar esse contato permanente, sabemos que é importante para o crescimento e a formação de nossas crianças”, ressaltou Maria Auxiliadora Benevides, coordenadora da Escola Estadual Gabriel Vandoni de Barros, a maior de Corumbá.
O Muhpan oferece visitas orientadas, acompanhadas por um educador do “Programa de Ação Educativa” para grupos escolares, sociais, familiares e turistas, além de visitas animadas, museaulas, sessões gratuitas de documentários e oficinas lúdicas. É um dos poucos museus que permite tirar fotos.