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MÚSICA

Banda Euphoria: O retorno dos roqueiros da cidade

À diferença de outros grupos, os músicos não tinham lugar fixo para os shows e tocavam em diversos endereços

Redação

19/08/2014 - 14h55

Entre 1976 e 1984, dividindo espaço com bandas como a Zutrik, o Euphoria embalou as noites dos campo-grandenses. À diferença de outros grupos, os músicos não tinham lugar fixo para os shows e tocavam em diversos endereços. “Éramos uma banda nômade”, brinca o baterista João Bosco Ferreira, um dos fundadores. O jornal Correio do Estado, em sua edição desta terça-feira (19), traz reportagem sobre o grupo.

Apesar dos quase dez anos de existência, a banda se desfez sem deixar registros em áudio ou vídeo. Trinta anos depois, no entanto, a oportunidade de retomar o grupo e gravar canções como “Euphoria”, “Eu sou Euphoria”, “Chapadão”, entre outras, para o Estúdio 104 foi bem aproveitada. O programa ainda não tem data para ir ao ar.

(Foto: Bruno Henrique/Correio do Estado)

Bosco e o guitarrista Zé Pretim, que faziam parte da primeira formação da banda, convidaram os músicos Miguelito, que assumiu as guitarras, e Rodrigo Texeira – que além de tocar baixo, também produziu e dirigiu a banda para a gravação. Lázaro Gomes, que também participou de uma das quatro formações do Euphoria também retornou para a gravação.

Dos contatos e conversas às gravações, tudo correu bem e rápido. Segundo Miguelito, foram cerca de dez dias de ensaios em cima do set de nove músicas escolhidas para a gravação. Na época de atividade do Euphoria, o músico era um dos “rivais” da banda. Ele foi integrante do Zutrik, um dos principais grupos musicais da época.

Claro que a rivalidade era apenas uma brincadeira e a bandas compuseram canções juntas. Inclusive, uma das composições de Miguelito para o Zutrik, “Joelho de dragão”, fez parte das gravações. “O próprio Bosco tocou bateria para a banda durante algum tempo”, lembra o guitarrista.

Bailes e festas

Euphoria, como já foi dito, não era como outras bandas da Capital, que tinham lugar fixo para shows. “Isso permitia que tocássemos para públicos diferentes”, conta Bosco. O baterista ressalta que o repertório era variado, com espaço para o rock britânico de Beatles e Rolling Stones, assim como Frenéticas, Made In Brazil, Rita Lee. Também havia espaço para Jorge Ben, João Gilberto, entre outros nomes da MPB. “Até chamamé nós tocamos”. 

      Euphoria reuniu, nos anos 70, grandes nomes do rock sul-mato-grossense (Foto: Arquivo CDE)

 

“Éramos uma banda de festa, mas que não deixava de lado o som autoral. Nós incluíamos algumas canções próprias”, aponta o músico. Segundo ele, composições como o “Blues do Zé”, de Zé Pretim, ou “Jean beleza”, de Bosco, feita para o filho Jean Gabriel, integravam algumas apresentações da banda.

Além das festas, os músicos ainda participaram como banda de apoio de projetos musicais como a gravação do disco “Prata da casa”e “Caramujo som”.

Apesar das participações e da importância, a banda não gravou nenhuma de suas canções.

“Estavámos perto de gravar o disco, mas uma parte da banda se mudou para Cuiabá”, explica Bosco. Segundo ele, o período em que a disco-music se popularizava em meados da década de 1980 significou o fim de muitas bandas na cidade. “Era impossível competir. Uma banda custava mais caro que um DJ, então, começamos a perder espaço”, argumenta.

Bosco conta que ainda tentou continuar com a banda em algumas ocasições. “Mas o Zé Pretim, que era vocalista, tinha um carisma marcante. Sem ele, não consegui manter a banda”, aponta.

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