“Quebrar os paradigmas porque nós já somos uma diversidade”, essa foi uma das declarações da mãe do portador de Síndrome de Down, Vinícius Battaglin, de 21 anos.
O jovem faz parte de um grupo que se reúne toda semana para participar de aulas de teclado, dança, canto, informática e reforço escolar da Associação Vida Ativa-Eva. O grupo foi fundado pelas famílias das crianças especiais em 2004, e tinha como objetivo reunir as crianças especiais no período de férias.
“Eu fui participando, me afastei um pouco, mas a Janete sempre perseverou, resgatou as crianças com a escola de música, sempre batia na tecla.”, diz a mãe de Vinícius, Ana Célia Battaglin Coquemala, de 47 anos.
A mãe se refere à coordenadora da Associação Vida Ativa-Eva, Janete Bakargy que começou a atender as crianças por acaso. Ela dava aulas numa escola, quando à pedidos aceitou ensinar teclado para uma criança portadora de deficiência intelectual. Através de indicações, mais três jovens com deficiência passaram a frequentar a escola. Com o falecimento da fundadora da associação e da filha, as mães decidiram parar com as reuniões. Foi aí que Janete viu que seria a hora de arregaçar as mangas e ajudar. Ela passou a coordenar as reuniões e incluiu a escola de música nas atividades.
Para facilitar o aprendizado, Janete desenvolveu um método de três passos através do teclado com luzes. Ela também criou uma partitura, usando números, símbolos e cores, além de letras do alfabeto. Segundo a coordenadora, as aulas de canto também surtiram efeitos positivos
“Tem um menino autista que chegou sem falar nada, e por causa do canto, começou a soltar as músicas evangélicas que escutava na igreja dele. Ele já sabia as letras, mas tinha dificuldades no movimento da língua. Com as aulas, ele já está cantando muito melhor, o canto ativou a memória dele”, explica Janete com entusiasmo.
Apesar da associação ter capacidade para atender 50 crianças e jovens, hoje ela conta com a participação de apenas 30.
Vinícius Battaglin faz aulas de dança na instituição. O jovem se destaca como o primeiro portador de Síndrome de Down a cursar uma faculdade no Estado. Ele cursa o segundo ano de Artes Cênicas na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul e apresentará a dança de abertura das Paraolimpíadas de 2016.
O coreógrafa, Myla Barbosa é responsável pelas aulas de dança na Vida Ativa- Eva. “A arte é prazerosa, e eu já levo além da arte, a música, isso já é um ponto a favor da gente. Com alegria, solidariedade, companheirismo, nós temos que incluir numa sociedade, também as pessoas com deficiência, isso faz com que eles também sejam solidários.”, ressalta Myla Barbosa.
Voluntários também são bem-vindos. Para manter a Vida Ativa, Janete conta com o dinheiro das mensalidades da escola de música e com algumas parcerias. “Ainda somos pequenos, apesar de 10 anos, não temos sustento próprio, sempre precisamos de pessoas que possam ajudar.”, explica Janete Bakargy.