Na Associação de Moradores do Parque Residencial Maria Aparecida Pedrossian (Amape), as oficinas de pintura em tela atraem pessoas de todas as idades, moradores da região e também de bairros próximos. Mães e filhos e avós e netos marcam presença nas aulas e alguns já despontam para uma carreira profissional.
Os vinte alunos do projeto, intitulado “Boas Novas”, terão suas obras expostas na “2ª Exposição de Artes Mãos de Artista”, na sede da Amape – Avenida Orlando Daros, 279, Maria Aparecida Pedrossian. A abertura da mostra é hoje, às 19h. Amanhã, a visitação estará aberta das 8h às 18h e, no domingo, das 8h até o meio-dia, quando termina a exposição. A entrada é franca.
“Eu nunca imaginei participar de uma exposição”, diz a ceramista e artista plástica Nilce Coelho Cardoso, 57 anos, que começou as aulas sem nunca ter pintado na vida e, hoje, vende telas a até R$ 1.200. “Posso dizer que hoje sou artista profissionalmente”, diz, ainda parecendo se surpreender com a própria carreira.
O professor do projeto “Boas Novas” é o artista plástico Patrício Morales, conhecido como Chileno entre alunos e amigos. O trabalho é voluntário. Chileno não recebe nada pelas aulas que ministra, e os alunos arcam com os custos do material. “Posso parecer sonhador, mas eu acredito em uma sociedade melhor, por isso faço esse trabalho”, explica o professor.
Chileno, como indica seu apelido, nasceu no Chile e começou a pintar aos 15 anos de idade. “Já me profissionalizei nessa época”, relata. Ele chegou a Campo Grande em 2001. Veio a passeio, mas se apaixonou pela cidade e decidiu ficar. Já teve exposições das suas obras na Feira Central, Morada dos Baís e outros locais.
Desde 2007, ensina a pintura em tela na Amape. No início, Chileno admite que teve dificuldades em ensinar, principalmente pela barreira do idioma. “As pessoas não me entendiam”, recorda. Mas foi necessário pouco tempo de experiência para que as aulas se tornassem produtivas.
O artista é elogiado pelos alunos, que cada vez mais seguem a carreira artística. “Eu acho que aprendi pela tranquilidade, ele ensina com muita paciência. É um ótimo professor”, define Nilce, que já colocou a neta, Júlia, 9 anos, para fazer as aulas também. A garota vai ter uma tela na mostra.
A reportagem, de Eduardo Fregatto, está na edição desta sexta (19) do jornal Correio do Estado.