Os cineastas Roberto Farias e Cacá Diegues lamentaram a morte de Hugo Carvana no sábado (4), por volta das 11h da manhã, no Hospital Pró-cardíaco, no Rio de Janeiro. Para Diegues, 74, Carvana foi uma espécie de "Charles Chaplin brasileiro". "Digo que se o cinema brasileiro tivesse um rosto, este rosto seria o do Carvana. Como um [Charles] Chaplin, um [Mario Moreno] Cantinflas, um verdadeiro ícone do cinema brasileiro", elogiou o diretor. Diegues dirigiu Carvana em "Giovanni Improtta" (2013) e "Deus É Brasileiro" (2003). Os dois foram da mesma geração de cineastas.
"Um companheiro daquela geração. Além de tudo, um intelectual, um pensador e um grande amigo. Não sei de nenhum inimigo que o Carvana pudesse ter. Eu sinceramente sinto muito que, logo depois do [José] Wilker, assim como ele um ator e diretor, temos agora a perda do Carvana", lamentou. Já Roberto Farias, 82, acredita que Carvana deixou como herança um humor peculiar e profundo.
"Carvana era uma pessoa adorável, um diretor dos melhores que gente tem, de um senso de humor peculiar, extraordinário. Um homem de fácil convívio, estreou já com 'Se Segura Malandro', se colocando entre os melhores do nosso cinema", lembrou Farias. "Tinha um humor fino, extraordinário e irreverente ao mesmo tempo. O personagem de camisa desabotoada, caminhando em Copacabana, aquilo era um humor que ia fundo, não deixava por menos, mas sem se vulgarizar. Quando ele ia fazer um filme, a gente via logo que o filme era a cara dele".